O lixo e algumas consequências

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Lobo-marinho preso em uma biruta.

  • Cerca de 230 milhões de toneladas de lixo é gerada por ano somente pelos Estados Unidos. Menos de 1/4 disso é reciclado.
  • Os seres humanos geram mais resíduos do que pode ser assimilado pela natureza, e utilizam os recursos naturais sem dar tempo para que sejam restituídos.
  • Nos EUA, dois milhões de garrafas de plástico são usadas a cada cinco em minutos. São  são utilizadas 720.000 sacolas plásticas por minuto. 106.000 latas de alumínio são usadas em 30 segundos.
  • Sete milhões de toneladas de detritos entram nos oceanos do mundo todos os anos.
  • Cerca de 80% do lixo nos nossos oceanos e cursos d'água vem de terra - através do vento e de enxurradas de ruas e estradas. Os outros 20% são lançados de navios e embarcações de pesca.
  • Quase 90% de todos os detritos marinhos é formado por plástico. Escalarmente, o plástico supera o zooplâncton em 6:1 em algumas regiões.
  • Estima-se que 46.000 peças de plástico estão flutuando em cada milha quadrada de oceano, sendo que 70% vai para o fundo.
  • Uma pessoa utiliza em média cerca de 120 quilos de plástico por ano.
  • A cada ano, 7 milhões de toneladas de plástico são produzidas nos EUA. Apenas 1 milhão é reciclada.
  • Os plásticos não são biodegradáveis. Ele se mantém ao longo de séculos no meio ambiente decompondo-se lentamente em pequenos fragmentos de plástico e por último em pó.
  • Latas de Alumínio levam até 100 anos para se degradar.
  • Garrafas de vidro podem levar um milhão de anos para se degradar.
  • Entrelaçamento e ingestão de linha de pesca, redes, cordas e outros detritos tem sido relatados em mais de 260 espécies animais em todo o mundo.
  • Estima-se que 100.000 mamíferos marinhos e tartarugas marinhas se asfixiam todos os anos com lixo.
  • Cerca de 8 milhões de itens de detritos pesando 3.000 toneladas foram coletados por cerca de 35.000 voluntários no mundo inteiro durante o ano de 2006.
  • Cerca de 300 espécies da fauna silvestre marinha sofrem desnecessariamente devido aos detritos perigosos.
  • Mais de 1 milhão de aves aquáticas são mortas por consequência do lixo a cada ano.
  • 86% de todas as tartarugas marinhas são afetadas por detritos lançados ao mar.

É PRESSÃO TOTAL! 

Sobrepesca, práticas de pesca destrutivas, perda de habitat, poluição e outros impactos humanos resultaram na destruição e modificação de habitats costeiros em todo o mundo, reduzindo a capacidade de prestarem serviços ambientais e ameaçando a biodiversidade. Habitats costeiros estão fortemente interligados, de modo que a perda de um habitat pode ter efeitos de fluxo que degradam e reduzem os pelos habitats interligados.

Estuários 

Mundialmente, mais de 1.200 grandes estuários foram identificados e mapeados, com uma área total de aproximadamente 500.000 km2.

Estes 1.200 estuários, incluindo lagoas e fiordes, representam aproximadamente 80% da descarga de água doce do mundo. 62% dos estuários mais importantes do mundo ocorrem dentro de 25 km dos centros urbanos, concentrando 100 mil ou mais pessoas [CT 19.2.1.1].


Estuário de Santos. A esquerda do canal do porto situa-se a ilha de Santo Amaro (Guarujá) e a direita a ilha de São Vicente (Santos e São Vicente). Crédito: Sergio Furtado

Manguezais 

Grande parte da população costeira dos trópicos e subtrópicos reside perto de manguezais, 64% dos manguezais de todo o mundo estão atualmente dentro de 25 km dos principais centros urbanos, tendo 100 mil pessoas ou mais [CT 19.2.1.2].

Monitoramento Ambiental / Environmental Monitoring
Manguezal na Zona Noroeste de Santos. Crédito: William Rodriguez Schepis/Instituto EcoFaxina

Muitas das áreas de mangue tornaram-se degradadas devido a forte pressão ocasionada pela população humana, a conversão generalizada do habitat e a poluição. Para os países com dados disponíveis (o que representa 54% da área total de manguezais atuais), 35% das florestas de mangue desapareceram nas últimas duas décadas a uma taxa de 2,1% ao ano, ou 2.834 km2 por ano. Os manguezais diminuíram drasticamente em quase todos os países onde os dados foram compilados. Em alguns países, mais de 80% da cobertura original de manguezais foi perdida.

As principais atividades humanas que contribuem para perdas de manguezais no mundo são:

  • 52% da aquicultura (camarão 38% + 14% de peixes)
  • 26% uso da floresta
  • 11% de desvio de água doce
São comumente destruídos para darem lugar a portos e outras infraestruturas de desenvolvimento ou manutenção. Como a dragagem, onde os sedimentos em muitas áreas são altamente contaminados por metais pesados, bifenilos policlorados (PCBs) e outros poluentes orgânicos persistentes (POPs), elevando a mortalidade e morbidade em espécies marinhas e impactos na saúde humana.

Ações de recuperação foram efetuadas com sucesso em alguns lugares, mas em ritmo bem abaixo ao de destruição em massa na maioria das áreas [CT 19.2.1.2]. 

Praias 

As praias arenosas têm sofrido enorme alteração devido ao desenvolvimento costeiro, poluição, erosão, tempestades, alteração na hidrologia da água doce, retirada de areia, uso das águas subterrâneas e coleta de organismos [CT 19.2.1.3]. 

Biodiversidade 

Um número crescente de estudos destacam a vulnerabilidade inerente das espécies marinhas à sobreexploração. Espécies particularmente sensíveis são valiosas e de fácil captura, com taxas de reprodução relativamente lenta nas populações. Assim, espécies como garoupas, corvinas, alguns tubarões e raias são particularmente vulneráveis.

A avaliação das condições e tendências da biodiversidade marinha é limitada pela falta de conhecimento e os pressupostos anteriores de peixes marinhos e abundância de invertebrados. Informações sobre os tipos de habitat, bem como a diversidade de espécies e distribuição e os fatores que a influenciam, são apenas emergentes, como são os métodos para medir a diversidade e os seus padrões.

Nossa compreensão do estado e das tendências da biodiversidade marinha podem melhorar significativamente, se novos métodos forem aplicados e atividades de monitoramento forem colocadas em prática. [CT 18.3.6.1].

Há, no entanto, cada vez mais provas de ameaças e perda da biodiversidade marinha e costeira. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) Living Planet Index (LPI), atualmente uma das melhores estimativas de evolução da população mundial, estima um declínio de 30% no índice de populações de espécies marinhas entre 1970 e 2000 [CT 4.4.1].

O estado de consevação das aves marinhas costeiras está se deteriorando em todas as partes do mundo e em todos os principais tipos de habitat. A Lista Vermelha da IUCN mostra que as aves dependentes dos ecossistemas marinhos e costeiros caíram mais rápido que outras aves.

Por William Rodriguez Schepis
Fonte: PNUMA