Superando as expectativas, 1ª Ação Voluntária EcoFaxina recolhe mais de duas toneladas de lixo do mangue

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Por William Rodriguez Schepis



Sábado, 9 horas da manhã, véspera de feriado, tempo fechado. Nada disso conseguiu influenciar no sucesso da 1ª EcoFaxina realizada no mangue da Vila Gilda, Zona Noroeste de Santos.

Chegando às 8:50 da manhã no ponto de encontro marcado com os voluntários, só avistei o porteiro da Unisanta e alguns alunos que não estavam cadastratados na ação. Pensei, "será que o tempo vai atrapalhar?!". Entrei na Universidade para tomar um café preocupado com a imagem negativa que a EcoFaxina poderia criar diante da comunidade que nos esperava e o nosso apoiador a Terracom. Acabei o café e vi uma pessoa, "ufa, não estou só!".

Fomos para frente da Universidade aguardar a chegada de mais voluntários. O ônibus da Terracom já estava lá, para aumentar ainda mais minha expectativa. Aos poucos foram aparecendo voluntários. Dois daqui, um de lá, assim iamos montando um pequeno grupo. Faltava meu braço direito, o Márcio! Olho para o lado, é ele com seu óculos escuro dirigindo sua motocicleta.

Pronto, agora já estava mais calmo e pensei, "bom...Márcio, Tierry, Bruno, Rodolfo, Berê...já dá para levantar um peso!".
Alguns minutos mais tarde e estavam todos lá, 25 voluntários prontos para a ação! Era a hora de zarpar para em direção ao mangue.

Durante o trajeto, reparei que alguns voluntários já se impressionavam com as casas mal conservadas e ruas sujas da Zona Noroeste. Virei para o Tierry, meu amigo que é cabo do exército, e disse em tom de ironia, "eles vão adorar a Vila Gilda".

Chegando ao destino o silêncio pairou por alguns momentos entre os voluntários. O lugar realmente assusta um pouco. Descemos do ônibus carregando os equipamentos cedidos pela Terracom e caminhei com o grupo até a porta da Associação Pró-Melhoramentos da Vila Gilda. Logo em seguida chegou a diretora da associação, Lucinéia Marques de Lima Sousa, mais conhecida dona Néia. Como sempre recepcionando a todos com um grande sorriso no rosto e muito alto astral.

Após esse primeiro contato com a região, era hora de caminharmos para o local da limpeza. Andamos alguns metros até a margem do mangue, onde por alguns minutos, pude ver no rosto de cada voluntário o sentimento de angústia e tristeza com a imagem do manguezal degradado. Para nós Biólogos Marinhos, aquilo é um murro na cara. Dói demais ver aquele ecossistema, berço da vida que "escoa" para o mar, transformado em um grande lixão a céu aberto.

Depois do golpe, cada um foi pegando seu equipamento para começar os trabalhos. A maré estava relativamente baixa expondo parte do lixo nas margens. Não dava para parar um minuto sequer. Eram pneus, sofás, camas, sacos pláticos, pedaços de madeira, embalagens pláticas, isopor, eletrodomésticos, seringas, brinquedos, lâmpadas. A cada pedaço que era limpo aparecia uma surpresa em meio ao lixo.

Mas apesar da tristeza em meio a todo aquele lixo, uma coisa nos surpreendeu. Após alguns minutos de ação, foram surgindo grupos de crianças curiosas e sorridentes, querendo participar e ajudar com a limpeza. Quando nos demos conta, de 25 voluntários éramos naquele momento mais de 40!

Na outra margem um barco de madeira, com o voluntário Bruno no comando, auxiliava na retirada de lixo e transporte de voluntários. Ali o mangue é mais preservado, porém muito sufocado com lixo por todo lado, um trabalho quase que inesgotável. Alí o mangue faz parte do município de São Vicente.

Juntamos perto da rua todo o lixo coletado nas margens do mangue e começamos a carregar o caminhão da Terracom. Foram erguidos pneus, móveis e dezenas de sacos de lixo lotados para a caçamba que parecia pequena para tanto material.

Após quase 4 horas de trabalho, uma pausa para o almoço. Juntamos o equipamento e guardamos na casa da dona Severina, moradora que será responsável pelo viveiro de mudas junto com a dona Néia. Ela nos ajudou muito, fornecendo água e banheiro para os voluntários.

Chegando na sede da associação, uma bela macarronada com carne moída e refrigerantes nos esperava. Junto com nós alunos, as crianças que nos ajudaram na limpeza. Os olhos delas brilhavam ao ver toda aquela comida e garrafas coloridas de refrigerantes sobre uma grande mesa. Era hora de encher os pratos, que delícia! Enquanto os alunos paravam no segundo prato a criançada parecia que estava só começando. 3º, 4º, 5º prato, não dava para acreditar na fome delas. Com certeza o momento mais gratificante de toda a ação estava acontecendo naquela hora. E enquanto o almoço rolava, muita conversa e conscientização sobre a importância do mangue que estava logo ali atrás.

Depois de enchermos o estômago, uma pausinha e mais bate-papo com as crianças e o pessoal da comunidade. Ja era quase hora de voltar para finalizarmos os trabalhos. Demos um pente fino no local e começamos a preparar a cal para pintarmos as muretas próximas ao canal que deságua no mangue. Olhei para o relógio e vi que o tempo havia passado muito rápido, 4 da tarde e o ônibus estava chegando para nos levar de volta para a Unisanta. A criançada estava se divertindo tanto pintando as muretas com as broxas que deixamos elas continuarem o trabalho sob a supervisão da dona Severina. Olhei para o lado e percebi que nas margens do mangue ainda haviam outras crianças recolhendo sujeira em sacos de lixo, a coisa pegou mesmo!

Recolhemos os equipamentos na casa da dona Severina e seguimos para o ônibus que já nos aguardava. Antes, nos depedimos de toda a criançada, com todas nos perguntando quando iríamos voltar. "Vocês voltam amanhã tio?!", "Quando vocês vem de novo tia?!". Dava vontade de dizer "Amanhã estaremos aqui de novo!".

E foi assim que terminou a 1ª EcoFaxina, com muita alegria e saudade de todas aquelas crianças e pessoas simpáticas que nos receberam de braços abertos em um local esquecido pelo resto da sociedade. Lugar onde a alegria de viver não morre e que com a luz das suas crianças nos fez sentir coisas inexplicáveis naquele dia cinzento.

Muito obrigado a todos os voluntários que transformaram aquele sábado em um DIA ESPECIAL para todos nós e para todas aquelas crianças da comunidade da Vila Gilda.

Até a 2ª EcoFaxina!

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