Para entrar na onda

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19/08/2009 - Por William Rodriguez Schepis

Recentemente foi decretada uma lei que gerou grande repercursão na mídia e na sociedade, a lei que proíbe o fumo em ambientes fechados de uso coletivo no Estado de São Paulo. Uma lei que impõem respeito aos não fumantes, coisa que deveria ser natural e de senso comum. Mas o que era para gerar um comportamento educado, vem aumentando também de forma exponencial o que antes já era notório, centenas de milhares de bitucas que são jogadas diariamente em vias públicas, jardins, praças, parques e praias.

É inaceitável o comportamento que vem sendo reforçado após o decreto da nova lei. As pessoas ao chegarem nos lugares em que o fumo é proibido, simplesmente jogam o cigarro no chão e entram.

A lei é muito restrita ao ato de fumar e não instrui a sociedade em como lidar com a imundice que as bitucas causam. Deveria ser obrigatório, não só a fixação do aviso de proibição, mas também a colocação de cinzeiros nas entradas de todos os estabelecimentos, e que o descumprimento fosse passível de fiscalização e multa. Poderia ser extendida também aos motoristas fumantes, permitindo que o fiscal de trânsito multe os motoristas que sujam as vias públicas.

Outra inclusão na lei deveria ser a proibição de fumo nas praias. É um absurdo as imagens e as condições desse ecossistema frente ao problema do tabagismo. As praias estão se tornando grandes cinzeiros públicos, piores que as caixinhas de areia na porta dos elevadores, esvaziadas regularmente pelos faxineiros.

Mas não adianta apenas proibir, é preciso que sejam disponibilizadas lixeiras diferentes das utilizadas nos calçadões da praia de Santos hoje, por exemplo. Ali as lixeiras são abertas e não há um recipiente para se apagar e descartar os cigarros, que ficam amontoados nos jardins e na areia. Inclusive, pelo fato das lixeiras serem abertas, criou-se um verdadeiro "conjunto de lanchonetes fast food", onde os ratos entram e escolhem seu alimento favorito, quase sempre as saborosas espigas de milho cozido. Sendo um dos fatores que propiciaram a formação de imensas colônias de roedores espalhadas ao longo do jardim da orla. Bom, mas era de bitucas que estávamos falando...

A falta de cinzeiros públicos, é um problema que aflige a maioria das cidades do Brasil, mas no caso de Santos e as demais cidades litorâneas, esse problema acaba chegando ao mar, que é o foco da nossa preocupação. As praias já estão tomadas pelas bitucas, que não ficam retidas nas peneiras dos tratores de limpeza, e ao que tudo indica essa "densidade bitugráfica" irá aumentar. Toda essa montanha de bitucas que antes eram depositadas nos cinzeiros dos bares, baladas e demais estabelecimentos, agora deverão parar nas bocas de lobo e nos canais que drenam a água das chuvas para o mar. E mais uma vez notamos esse ecossistema, que já se encontra em colapso, sendo excluído de estudos e providências para que essa pressão diminua, tendo em vista que a lei Nº 13.541, não regulamenta ou cita absolutamente nada a respeito do uso de cinzeiros pelos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo.

Lixeiras como a da foto acima, que servem para descartar bitucas e gomas de mascar, já são utilizadas em larga escala no Japão. Vários países da Europa e algumas cidades dos EUA também já utilizam.


Modelo de cinzeiro público utilizado em praias da Califórnia - EUA

Torcemos para que a nova lei estadual antifumo cresça em conteúdo e torne-se uma lei de convivência não somente entre os cidadãos, mas que leve em conta também o meio ambiente e os demais seres vivos, criando dispositivos que incentivem hábitos sustentáveis na sociedade. Aí sim estaremos na mesma onda!

Os filtros de cigarro podem parecer com algodão, mas são feitos de acetato de celulose, um plástico que se degrada lentamente no meio ambiente. Filtros de cigarro são concebidos especificamente para acumular partículas componentes, incluindo produtos químicos tóxicos que depois são liberados no habitat de várias espécies. Os filtros podem permanecer na natureza por até 5 anos.

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