Farmacos tóxicos descobertos pela primeira vez em golfinhos, um grave alerta para cidades da Baixada Santista

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26/09/2009 - Por William Rodriguez Schepis

Pesquisadores norte-americanos e canadenses detectaram uma substância química anti-bacteriana amplamente utilizada no plasma de golfinhos, tal ocorrência foi registrada pela primeira vez em um mamífero marinho.


O Triclosan é amplamente utilizado em um grande número de produtos farmacêuticos e de higiene pessoal, tais como desodorantes, cremes dentais e cosméticos. Ele também é usado como um agente antibacteriano em muitos produtos de consumo, que vão desde brinquedos até tábuas de carne. Porém, mais de 95 % de seu uso se dá em produtos que são eliminados pela rede de esgotos das residências.

As estações de tratamento de esgoto não removem o composto e por isso o triclosan é amplamente encontrado em corpos d’água que recebem descargas de águas residuais. Um estudo da U.S. Geological Survey com 95 substâncias contaminantes em 30 estados americanos constatou que o triclosan se encontra entre as substâncias mais detectadas e em altas concentrações.

Triclosan, um produto químico encontrado em produtos de cuidados pessoais, vem sendo detectado em golfinhos que vivem em estuários como o de Charleston, Carolina do Sul.

Segundo uma estimativa, a quantidade de triclosan no fluxo de esgoto é equivalente a cinco miligramas por pessoa por dia, com um adicional substancial proveniente das lavanderias e instalações médicas, entre outros estabelecimentos. Foi encontrado na bílis de peixes que vivem em áreas contaminadas por emissários na Suécia, no plasma sanguíneo dos peixes no rio Detroit, bem como em algas e crustáceos. No entanto, não havia sido encontrado anteriormente em espécies mais acima na cadeia alimentar.

Uma equipe de pesquisadores liderados por Patricia Fair do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) capturou golfinhos-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) em Charleston, Carolina do Sul e na Lagoa Indian River na Flórida e tirou amostras de sangue de suas caudas.

As amostras foram analisadas para a presença de triclosan e os pesquisadores descobriram que 31 % dos golfinhos capturados na Carolina do Sul e 23 % na Lagoa Indian River continham níveis detectáveis de triclosan em seu plasma, a primeira evidência de concentrações deste e outros compostos em animais de alto nível trófico. Os níveis médios foram aproximadamente equivalentes aos encontrados em humanos que estão expostos ao triclosan com o uso diário de agentes antibacterianos.

Os investigadores, que publicaram seus resultados em uma recente edição da revista Environmental Pollution, descobriram que o triclosan é altamente tóxico para a certos tipos de organismos aquáticos como girinos de rã-touro na América do Norte. Devido a sua estrutura química ser semelhante a de hormônios da tiróide, que podem interromper as ações da tireóide, conseqüentemente, segundo os pesquisadores, há uma preocupação de que, quando liberado no ambiente, pode prejudicar o crescimento normal e a reprodução em animais selvagens e em seres humanos. Eles concluem que é muito cedo para dizer os possíveis impactos sobre os golfinhos ou outros predadores marinhos de alto nível.

No entanto, eles escrevem, "as preocupações atuais relacionadas ao triclosan no ambiente e a possível interferência com processos hormonais, podem alterar os sistemas biológicos mesmo em baixíssimos níveis, evidenciando a importância nos estudos de investigação que determinem potenciais efeitos adversos".

Fonte: Fair, P.A. 2009. Occurrence of triclosan in plasma of wild Atlantic bottlenose dolphins (Tursiops truncatus) and in their environment. Environmental Pollution 157:2248-2254.

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