Estudo mostra que áreas costeiras têm a capacidade de sequestrar 50 vezes mais carbono por ano do que florestas tropicais de dimensão equivalente

Compartilhe:


Região costeira sequestra quantidade maciça de carbono

Manguezais, marismas (que são terrenos lamosos ou alagadiços à beira-mar) e bancos de gramíneas marinhas têm uma capacidade surpreendente de absorver carbono da atmosfera e estocá-lo no fundo do mar. Essa é a conclusão de um artigo científico publicado hoje, elaborado por uma pesquisadora da ONG Conservação Internacional, e que alerta para a urgência de ações pela proteção desses habitats, em sua grande maioria vulneráveis.

No documento Carbon Sequestration by Coastal Marine Habitats: Important Missing Sinks (em português: Sequestro de carbono por habitats marinhos costeiros: importantes reservatórios desconsiderados), a Dra. Emily Pidgeon descreve como esses habitats podem sequestrar até 50 vezes mais carbono no sedimento abaixo deles do que áreas equivalentes de floresta tropical.

“A principal diferença entre esses habitats costeiros e as florestas é que os mangues, as gramas marinhas e as plantas dos marismas são extremamente eficientes em enterrar o carbono no sedimento abaixo deles, onde pode ficar armazenado por séculos ou até milênios. As florestas tropicais não são tão eficazes na transferência de carbono para o solo, armazenando a maior parte do carbono nas plantas vivas e na camada de húmus”, explica Pidgeon, Diretora de Mudanças Climáticas na Área Marinha da Conservação Internacional. “Os ecossistemas costeiros continuam sequestrando grandes quantidades de carbono durante todo o seu ciclo de vida. A maior parte do carbono permanece estocada no fundo marinho e por isso apenas uma parte relativamente pequena é liberada quando as plantas morrem”.

O estudo, publicado em 17/11/2009 pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, da sigla em inglês) no relatório The Management of Natural Coastal Carbon Sinks (em português: O gerenciamento de reservatórios de carbono costeiros naturais) apresenta argumentos sólidos para a proteção desses ecossistemas – existentes em lugares tão diversos como Grã Bretanha, Austrália, Caribe, Mediterrâneo, América do Norte e do Sul, incluindo o Brasil – e que estão sendo perdidos a uma velocidade alarmante devido a atividades humanas não sustentáveis.

O relatório contou com o apoio do Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP, da sigla em inglês), da Comissão Mundial de Áreas Protegidas (WCPA, da sigla em inglês), da Natural England e da Fundação Lighthouse. Segundo Pidgeon, além de ajudar a retirar carbono da atmosfera, esses ecossistemas também são muito importantes como ferramenta de adaptação para ajudar comunidades costeiras, que se encontram entre as mais vulneráveis do mundo aos efeitos das mudanças climáticas, a evitar seus severos impactos. “Por essa razão, é imprescindível que tomemos as medidas necessárias para protegê-los imediatamente”.

Serviços ambientais – São muitos os serviços ambientais que os ecossistemas marinhos e costeiros prestam à humanidade. Os manguezais são críticos para proteger comunidades costeiras de tempestades e também funcionam como berçário para inúmeras espécies de peixes, o que garante alimento para esses povos. As gramíneas marinhas também evitam a erosão costeira e servem de habitat para várias espécies de peixes com importância comercial. Já os marismas evitam que os sedimentos comprometam a atividade pesqueira e contribuem para a proteção de aquíferos de água doce contra a invasão da água salgada.

“A vastidão das florestas as torna essenciais para o sequestro de carbono. Entretanto, a imensa capacidade de sequestro de carbono dos habitats costeiros tem sido quase completamente ignorada e deve ser também um componente vital no esforço global contra os efeitos da mudança climática”, conclui Pidgeon.

Fonte: Conservação Internacional

.