O que fazer com os remédios vencidos

Alessandro Loiola*

Assistindo a uma série na TV sobre a China, fiquei impressionado com a maneira como aquele povo lida com o lixo. Hong Kong produz cerca de 8 mil toneladas de lixo diariamente – e a operação para remover tudo isso sem perturbar a poderosa máquina econômica da cidade é uma verdadeira batalha.

Os soldados vão munidos de luvas e vassouras. Seus tanques são caminhões prensadores que circulam pela madrugada, recolhendo espólios. E os quartéis-generais são imensos galpões para seleção e reciclagem de uma guerra sem fim. A guerra contra o lixo.

De volta ao outro lado do planeta, às nossas paragens tupiniquins, os grandes centros urbanos enfrentam desafios semelhantes aos chineses há um bom tempo. Anualmente, um brasileiro produz aproximadamente 400 quilos de lixo. Imagine: entre um Natal e outro, uma família de sete brasucas é capaz de encher uma piscina olímpica até a borda com restos de comida, papel, plásticos, latas e similares.

No meio dessa montanha de entulho, existem frascos e mais frascos de remédios vencidos, alguns usados por pessoas como eu e você e desprezados no lixo comum. Esses remédios não vão para aterros sanitários especializados em lixo hospitalar: seu destino são aterros sem qualquer proteção especial.

Nesses locais, os frascos permanecem expostos à disposição de garimpeiros do lixo e crianças em condições de hipermiséria, aumentando os riscos para a saúde desse povo. Isso como se a mera existência em um ambiente desses não fosse ameaça suficiente.

Segundo orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apenas os produtos tarja-preta devem ser entregues à vigilância sanitária dos municípios ao sair do prazo de validade. Os demais – ou seja, 99,9% dos produtos farmacêuticos que chegam à população – não têm um destino certo estabelecido em lei.

A Anvisa chegou a divulgar uma resolução que diz que os medicamentos vencidos em fábricas e farmácias devem ser devolvidos aos fabricantes para incineração. Excelente. Mas isso ainda não resolve o problema do consumidor final. Além disso, apesar de a lei dizer que a inutilização dos resíduos fármacos é obrigação dos fabricantes, na prática, isso não ocorre. Curiosamente, se você prestar um tiquinho de atenção, poderá observar que uma parte considerável do que nossa legislação diz não acontece. Mas isso é assunto para outra crônica. Ou outra reencarnação. Voltemos aos remédios.

O excesso de medicamentos vencidos em casa pode levar à ingestão equivocada do produto ou contribuir para o aumento nos casos de intoxicação infantil. Crianças são crianças, elas irão tomar uma por uma daquelas balinhas coloridas com uma alegria de dar inveja. Depois é correr para o pronto-socorro mais próximo.

A verdade é que o consumidor não sabe como deve proceder para se livrar dos medicamentos vencidos. A boa notícia: as autoridades sanitárias também não. De alguma maneira, isso me reconfortou. Agora sei que não vou amargurar na ignorância sozinho.

Então o que você pode fazer para lidar com os remédios vencidos em casa? Aqui vão quatro dicas enquanto esperamos um sinal dos céus:

- Procure comprar apenas aquilo que vai usar. Não faça do seu armário no banheiro um depósito de frascos e comprimidos: esses depósitos já existem nas ruas e atendem pelo nome de farmácias.

- Inutilize os comprimidos e xaropes, despejando tudo no vaso sanitário. Apesar de essa tática civilizada de jogar o lixo no vizinho diminuir o risco no seu domicílio, ela pode resultar em contaminações perigosas no meio ambiente. Medicamentos à base de hormônio são perigosos, pois resistem bem à degradação. O método “descarga abaixo” pode resultar, lá na ponta, na contaminação de lençóis freáticos e outras reservas de água. Na Suécia, estudos já detectaram a presença de fluoxetina (um antidepressivo) no ambiente.

- Nos Estados Unidos, algumas universidades recolhem o medicamento vencido, encaminhando-o às indústrias para incineração. Veja se algo semelhante não pode ser feito na sua região.

- Na Alemanha, as farmácias também aceitam devoluções de remédios vencidos, que mais tarde são retornados aos fabricantes. Cheque com a farmácia de seu bairro se isso pode ser feito com os remédios vencidos que você tem em casa.

* Publicado no caderno Bem Viver do jornal Estado de Minas do dia 11/05/2008

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Pesquisa constata diferenças físico-químicas entre estuário de Santos e margem continental norte e permite montar cenários sobre poluição

Walter Pinto

Funcionário da UFPA há 23 anos, Gilmar Wanzeller Siqueira tornou-se um caso raro na categoria técnico-administrativa: possui título de doutor em ciências. Só existem cinco num universo de mais de 2 mil técnicos. Em dezembro de 2004, Wanzeller entrou para o seleto grupo ao defender tese de doutoramento em Oceanografia Química e Geológica, no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.

A tese que defendeu é um desdobramento dos estudos realizados à época do mestrado, inteiramente voltado ao estudo da química ambiental de uma das regiões marinhas mais poluídas do Brasil, a Baixada Santista, no Estado de São Paulo. No doutorado, Wanzeller trabalhou com duas regiões diametralmente opostas do ponto de vista antrópico, a velha conhecida Baixada Santista e a margem continental norte do Brasil, na confluência com a foz dos rios Amazonas e Pará. Enquanto a primeira recebe enorme quantidade de material antrópico despejado diariamente por seu parque industrial, a segunda mantém-se como um verdadeiro laboratório natural, livre de agentes químicos poluidores.

Trabalhar com áreas absolutamente diferentes permitiu ao pesquisador observar o comportamento ambiental, estabelecer cenários futuros e propor alternativas para reduzir prováveis impactos ambientais nos ecossistemas estudados. O trabalho de Wanzeller seguiu uma linha interdisciplinar, enveredando-se por três vertentes: a Oceanografia, a Química Ambiental e a Geoquímica Marinha.

Nos compartimentos águas e sedimentos do Estuário de Santos, o pesquisador constatou a presença de grandes quantidades de elementos metálicos, entre os quais o arsênio, o chumbo, o crômo, o zinco, o cádmio e o mercúrio, responsáveis em grande parte pela contaminação do sistema local. Foi constatado também um aumento excessivo de nutrientes nas águas e sedimentos, indicando um processo de eutrofização para a região estudada.

Santos é uma das cidades mais industrializadas do Brasil. Empresas como Down Química, Carbocloro, Cosipa, Rhodia, Petrobrás, Santista de Papel, Ultrafértil Cubatão, Unions Carbide, entre outras, estão instaladas na região. Lá também está instalado o porto de Santos, um dos maiores da América Latina. Apesar da atual legislação e do monitoramento realizado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo - Cetesb, a carga de poluentes orgânicos e inorgânicos lançada no sistema local continua acima do patamar admissível pelas leis internacionais.

No outro lado do Brasil, a situação é completamente diferente. Sem concentração de indústrias, os rios Amazonas e Pará agem como os grandes fertilizadores da vida marinha sobre a plataforma continental. O ecossistema ainda está bastante preservado, apesar da anomalia encontrada para o arsênio e o chumbo.

Do ponto de vista da Oceanografia, Wanzeller constatou que as duas regiões também possuem condições oceanográficas muito distintas. Na margem continental norte, os materiais depositados pelas descargas dos rios são desviados no sentido noroeste pela corrente costeira em direção ao cabo Orange, no Amapá, até atingir o Caribe. "A pluma do rio Amazonas é desviada no sentido noroeste. Este é um dado já estudado e investigado por outros pesquisadores nacionais e internacionais. Eu apenas constatei o fato", diz Wanzeller.

No estuário de Santos, o material vai até a montante dos canais de Santos e São Vicente, sofre a influência de maré e retorna. Toda a carga poluidora despejada pelas indústrias acaba retornando. "A baía de Santos recebe grande quantidade de efluentes do emissário submarino, que, em função do comportamento da circulação oceânica lá existente, volta à praia", relata o pesquisador. "Isso explica porque as águas das praias santistas, em determinada época do ano, apresentam níveis baixos de balneabilidade".

Wanzeller explica que um dos maiores índices de biodiversidade do planeta ocorre ao longo das plataformas continentais, em torno de 200 metros de profundidade. Na foz do rio Amazonas forma-se uma área muito rica em nutrientes. A descarga fluvial despejada aumenta a fertilidade das águas e, conseqüentemente, a biomassa da região, fato que pode explicar a grande quantidade de pescado existente. O estuário de Santos apesar de estar situada em margem continental, apresenta baixa biodiversidade. De maneira geral, os organismos acabam migrando para regiões menos poluídas.

O grau de discrepância entre as regiões pode ser aferido pelo nível de mercúrio. Enquanto na margem continental norte, o valor não supera a 0,050 mg kg-1; no Estuário de Santos, esse valor sobe para 1 mg kg-1. A pesquisa estudou a distribuição metálica nos sedimentos coletados. Elementos extremamente conservativos no ecossistema, os metais pesados ocasionam um processo bioacumulativo na cadeia alimentar. No estuário santista, os resíduos das indústrias contendo mercúrio são lançados no sistema aquático e acabam migrando para os sedimentos. A metilação atinge, então, a sua forma mais tóxica (metil-mercúrio), posteriormente, esse metal é incorporado por organismos marinhos - peixes e crustáceos. Há na região um grande número de caiçaras, pescadores ribeirinhos que abastecem a feira livre da cidade. A ingestão desse pescado contaminado pode causar doenças ao organismo humano, entre as quais, sensação de depressão periférica e disfunção dos membros e do modo de andar.

Na margem continental norte não há registro de problemas semelhantes. "De maneira geral, na região amazônica, o maior problema ambiental ainda é a falta de saneamento básico", afirma o pesquisador.

Indústrias utilizam processos antiquados

As análises realizadas por Wanzeller no Laboratório de Nutrientes, Macronutrientes e Traços no Oceano, do Instituto Oceanográfico da USP, e as que enviou para a Universidade de Sorbonne, em Paris, indicaram que os problemas antrópicos observados no estuário de Santos são causados pelos processos obsoletos de produção das indústrias locais. "Uma medida que pode mitigar o problema é a troca do processo industrial", afirma. Mas essa é uma medida de alto custo, reconhece.

A indústria Carbocloro, por exemplo, em pleno século XXI, para fabricar soda e cloro, utiliza células de mercúrio, muito embora tal tecnologia já esteja superada, há décadas, por agredir violentamente o meio ambiente. Se trocasse por um processo mais atual, o uso de células de membrana, o nível de poluição ambiental no estuário seria reduzido drasticamente, afirma Wanzeller. No entanto, além de caro, a troca provocaria uma pausa no processo de produção, algo impensável, mesmo que temporária, para qualquer indústria.

Fonte: UFPA


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Moradores da Vila Gilda participaram da 1ª Caminhada pela Sustentabilidade


Era por volta das 9:20 quando o ônibus da Terracom Engenharia, empresa parceira do Instituto Ecofaxina, chegou com adultos e crianças da Vila Gilda para mais um passeio ecológico, desta vez para uma caminhada na praia de Santos em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente.

Para muitos era o momento de poder mostrar toda insatisfação com o problema do lixo nos manguezais e irregularidades a cerca da coleta de esgoto e fiscalização em regiões como a Vila Gilda.

As crianças puderam contemplar um domingo de Sol e ar puro, com muita brincadeira e diversão, principalmente no Parque Roberto Santini, onde houve distribuição de pipoca e algodão doce.

Durante o trajeto até o emissário, as crianças puderam ouvir explicações sobre a dinâmica do estuário e de como o lixo gerado nas comunidades que vivem próximas dos manguezais afetam todo o ecossistema estuarino, inclusive praias e mares. No emissário as crianças brincaram nos briquedos do parque e conheceram a bela vista para o mar que se tem de cima do emissário.

Confira algumas fotos da caminhada:














Imagens crédito: Instituto EcoFaxina
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Cooperativa de costureiras da Vila Gilda produz as bolsas ecológicas para a 1ª Caminhada pela Sustentabilidade


O Instituto EcoFaxina junto com a Sociedade Pró-Melhoramentos da Vila Gilda, produziram as bolsas ecológicas que serão distribuidas gratuitamente durante a caminhada, que acontece neste sábado com saída às 9:30 da Fonte do Sapo em Santos.


A cooperativa de costureiras da Vila Gilda confeccionou 1000 bolsas de lonita que receberam o logotipo criado pela Secretaria do Meio Ambiente para uma campanha pela sustentabilidade que será lançada durante a caminhada.

Para o evento, o Instituto levará cerca de 40 pessoas da comunidade da Vila Gilda, em sua maioria mulheres e crianças, que participarão da caminhada ressaltando o trabalho de recuperação e educação ambiental que vem sendo desenvolvido pelo Instituto nos manguezais da região.

Confira algumas fotos da produção das bolsas ecológicas:









Imagens crédito: Instituto EcoFaxina
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1ª Caminhada pela Sustentabilidade Ambiental


A 1ª Caminhada pela Sustentabilidade Ambiental, é uma iniciativa da Administração Municipal de Santos - Secretaria do Meio Ambiente de Santos, alusiva às atividades e comemorações da Semana do Meio Ambiente.

O evento é no dia 06 de junho, sábado, saindo às 9:30 da Fonte do Sapo (em frente a Rua Alexandre Martins), calçada interna à praia.

Serão distribuidas camisetas e bonés aos participantes, e ao longo da Caminhada, distribuiremos folders e sacolas ecológicas em algodão, para a população em geral. Alguns ciclistas também estarão na Caminhada, mas pela Ciclovia.

Teremos uma parada estratégica no Laboratório da SEMAM para o pessoal tomar água e degustar frutas, e seguiremos até a Plataforma do Emissário Submarino - Parque Roberto Santini, onde teremos a Rua de Lazer da SEMES, barracas de pipoca e algodão doce.

O evento terá a presença do secretário de meio ambiente de Santos, Flávio Rodrigues Correa e do prefeito de Santos João Paulo Tavares Papa.

A 1ª Caminhada pela Sustentabilidade Ambiental conta com o apoio da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, Instituto EcoFaxina, Libra Terminais, SABESP, SEDUC, SEMAM, SESC, Sociedade Melhoramentos da Pompéia, Sociedade Pró Melhoramentos da Vila Gilda e Terracom Engenharia.

PEGUE ESSA ONDA!

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