Degradação ambiental e problemas de saúde

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04/01/2009 - Lumi Zúnica/Folha Universal

Os manguezais são ecossistemas costeiros formados no encontro de águas doces e salgadas onde se concentra grande quantidade de matéria orgânica em decomposição, que serve de alimento a crustáceos, peixes, aves e mamíferos. Também é importante destacar a enorme importância dos manguezais como berçário para reprodução dessas espécies. Eles são considerados bens da União pela Constituição Federal e, como tais, são inalienáveis, públicos, de uso comum e tratados como reservas ecológicas pelo Código Florestal. A ocupação ilegal, somada à contaminação química provocada por grandes indústrias na região, criam um cenário de degradação.

As poucas ações que buscam diminuir o impacto ambiental e os riscos à saúde se originam em projetos de voluntários com pouco ou nenhum apoio governamental, como é o caso do Instituto EcoFaxina, criado por William Rodriguez Schepis, estudante do último ano de Biologia Marinha da Universidade Santa Cecília, de Santos. Com ações de educação ambiental, mutirões de limpeza e criação de projetos para geração de renda através de reciclagem do lixo, ele combate o problema cuja gravidade não se restringe a questões ambientais, mas de saúde pública.

Estudos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) relatam a presença de metais pesados e outros compostos altamente tóxicos no sedimento do manguezal – entre eles arsênico, chumbo, cobre, cromo, manganês, mercúrio, níquel, zinco, solventes e pesticidas – em quantidades “acima dos critérios para consumo humano”. O mesmo relatório acrescenta que, por comerem e venderem peixes, siris e caranguejos encontrados na área, “os pescadores e coletores, juntamente com suas famílias, provavelmente são o grupo mais exposto aos poluentes”. Mas os riscos, segue o relatório, não se restringem aos moradores do manguezal, já que os produtos pescados são vendidos em feiras, barracas de praia e na orla marítima aos turistas que lotam as praias no verão.

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