Pellets recolhidos em praias apontam altos níveis de poluição marinha

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25/01/2010 - Por William Rodriguez Schepis

No final do ano passado foram enviadas para o Dr. Hideshige Takada, da Universidade de Tókio, amostras de pellets coletados em várias praias do mundo, inclusive da Ponta da Praia em Santos.

Os pellets são pequenas esferas de polietileno que são a base para a produção de diferentes tipos de plástico e estão espalhados pelos oceanos e depositados nas praias de todo o mundo.


A pesquisa do Dr. Takada teve como objetivo mapear as concentrações de poluentes orgânicos absorvidos globalmente, utilizando os pellets como base para a análise, que apontaram diversos tipos de poluentes.

Confira os resultados:








PCBs - O Bifenil policlorado é um composto químico que pode dar origem a diversos derivados (os PCBs) de elevada toxicidade e persistência ambiental. Os PCBs tendem a acumular-se ao longo da cadeia trófica. Presentes em pequenas quantidades nos organismos microscópicos, em maior quantidades nos peixes de que deles se alimentam até atingirem valores muito elevados nos mamíferos que dos peixes se alimentam, tal como os homens. Elevadas concentrações de PCBs provocam irritações cutâneas nos adultos mas é nas crianças que os efeitos são mais graves. Estudos apontam para valores de QI mais baixos e menor capacidade de memorização.

PCBs são misturas de um produto sintético com uma estrutura química similar. PCBs podem variar entre líquidos, oleosos e waxy (sólidos semelhantes a uma cera). Devido à sua propriedade não inflamável, estabilidade química, elevado ponto de ebulição e isolamento elétrico, PCBs são utilizados em centenas de aplicações industriais e comerciais, incluindo eletricidade, transferência de calor e equipamentos hidráulicos; como plastificantes em tintas, plásticos e produtos de borracha; em pigmentos, papéis e muitas outras aplicações.

Mais de 3 milhões de toneladas de PCBs foram fabricadas nos EUA antes do encerramento da produção em 1977. Em 1981, a Legislação brasileira proibiu a fabricação de equipamentos que utilizassem essa substância, denominada cientificamente de PCB (Bifenilas Policloradas), ainda que, pela mesma lei, seja permitida a utilização dos equipamentos já existentes até o final de sua vida útil – período médio de 40 anos.


PAHs - Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos são lipofílicos, ou seja, misturam-se mais facilmente com o óleo do que com água. Os compostos maiores são menos solúveis em água e menos volátil (isto é, menos propenso a evaporar). Devido a essas propriedades, os PAH são encontrados no ambiente principalmente no solo, sedimentos e substâncias oleosas, em oposição à água ou ar. No entanto, eles são também são encontrados como material particulado em suspensão no ar.

Como um poluente, são motivo de preocupação porque alguns compostos foram identificados como cancerígenos, mutagênicos e teratogênicos (tudo aquilo capaz de produzir dano ao embrião ou feto durante a gravidez). Os PAHs são um dos poluentes orgânicos mais difundidos. Estão presente nos combustíveis fósseis que também e também são provenientes da combustão incompleta de combustíveis contendo carbono, tais como madeira, carvão, óleo diesel, gorduras, etc.


HCHs - O Hexaclorociclohexano é um produto químico manufaturado que existe em oito formas chamadas isômeros. Uma dessas formas, gama-HCH (ou γ-HCH, comumente chamado de lindano) é usado como pesticida em frutas, legumes e plantios florestais. É um sólido branco que pode evaporar no ar como um vapor incolor com um leve cheiro de mofo. Também encontrado em medicamentos (loções, cremes ou shampoo) para tratar piolhos e sarna no corpo.

O Lindano não é mais produzido em os E.U.A. desde 1976, mas é importado para uso como um pesticida. No Brasil ele foi proibido somente em 2006.

Pessoas que respiraram ar contaminado no local de trabalho durante a fabricação de pesticidas, incluindo γ-HCH, tiveram alterações no sangue, tonturas, dores de cabeça e alterações no nível de hormônios sexuais. Pessoas que ingeriram grandes quantidades de HCH sofreram convulsões e algumas morreram. A administração de α- e γ-HCH em animais causou convulsões e os animais que receberam ß-HCH entraram em coma. Todos os isômeros podem produzir efeitos no fígado e rins. Nos animais administrados oralmente com γ-HCH, houve redução da capacidade do sistema imunológico, nos animais tratados com γ-HCH e β-HCH foram observadas lesões nos ovários e testículos. A administração oral de α-HCH, β-HCH, γ-HCH para roedores de laboratório causou câncer de fígado. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos (DHHS) determinou que é razoável prever que o HCH (todos os isômeros) causa o cancer nos seres humanos. A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classificou o HCH (todos os isômeros) como cancerígeno para os seres humanos.

DDTs
- Proibído em vários países na década de 70, no Brasil só teve sua proibição em 2009 pela Lei nº. 11.936 de 14 de maio de 2009. Infelizmente, a partir de 31 de dezembro de 2009 com a execução global do Codex Alimentarius pela FAO e OMC, organizações subordinadas a ONU, o DDT está para ser autorizado novamente no comercio mundial de alimentos, onde será liberada margens mínimas de concentração do DDT nos alimentos.

A bióloga norte-americana Rachel Carson denunciou em seu livro Primavera Silenciosa (1962) que o DDT causava câncer. Além disso, pássaros punham ovos com casca muito fina; em regiões de forte aplicação, eles até morriam sob o efeito do pesticida. O DDT se acumula na cadeia trófica.

Hopanos
- Os terpanos pentacíclicos ou hopanos são amplamente encotrados em óleos. Estes compostos são provenientes do bacterio-hopanotetrol, um componente da membrana celular de organismos procariotos que possui uma parte polar e outra apolar. Petróleos de origem salina e hipersalina apresentam concentração de hopanos maior que petróleo de ambientes de água doce. Isso ocorre porque as bactérias se reproduzem mais em ambientes salinos pois estes contém maior quantidades de nutrientes.


Mais informações:


Laboratory of Organic Geochemistry
Dr. Hideshige Takada

Tokyo University of Agriculture and Technology

Fuchu, Tokyo 183-8509, Japan.

http://www.tuat.ac.jp/~gaia/ipw/index.html


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