Como as capturas acidentais de tartarugas podem ser reduzidas?

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01/03/2010 - ScienceDaily - Tradução: William Rodriguez Schepis

Cientistas espanhóis têm estudado as interações entre a tartaruga cabeçuda (Caretta caretta), apetrechos de pesca como espinhéis de superfície, encalhamentos em massa nas praias e os efeitos das mudanças climáticas sobre estes animais. A fim de reduzir a captura desta espécie marinha, sem causar prejuízos econômicos para os pescadores, os cientistas estão propondo que a pesca no verão só deve ser realizada durante a noite e em áreas a mais de 35 milhas náuticas da terra.

Populações de tartarugas cabeçuda (Caretta caretta) estão em declínio em todo o mundo, em particular no Mediterrâneo, onde mais de 20.000 animais são capturados acidentalmente a cada ano. Encontrar soluções para uma pesca responsável e sustentável foi um dos objetivos principais desta pesquisa, publicada na última edição do Journal of Applied Ichthyology.


Pesquisadores do Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO) em Málaga, da Universidade de Málaga (UMA) e do Sea Classroom, também de Málaga, testaram se a utilização de diferentes tipos de isca animal reduziria a captura de tartarugas cabeçuda, e como essas mudanças podem ter impacto sobre os rendimentos da pesca.

Os cientistas usaram dados reais de pesca comercial tomados pelos observadores científicos a bordo de barcos de pesca. Os resultados foram claros. "Usar iscas de peixe poderiam reduzir significativamente as capturas acidentais de tartarugas cabeçudas, mas também pode afetar gravemente as capturas de peixe-espada," José Carlos Báez, autor e pesquisador do IEO, disse.

A equipe de pesquisa também mostrou que a suspensão do uso de pequenos moluscos, como iscas de lulas, não pode garantir que as capturas acidentais de tartarugas cabeçuda seriam impedidas, pois "como um predador oportunista, elas também ficam presas em anzóis com isca de peixe, porém isso ocorre mais facilmente quando os moluscos são usados ", explica o especialista.

O estudo propõe outras medidas que, dizem os pesquisadores, não envolve a modificação dos equipamentos usados, o que "poderia resultar em baixo rendimento econômico por causa de um declínio na captura de peixes", disse Báez. Estas técnicas reduziriam o número de tartarugas capturadas, mantendo os lucros dos pescadores.

"A maioria das capturas acidentais acontecem durante o dia, a mais de 35 milhas náuticas da costa, e no verão, significando que isso seria o suficiente para limitar a pesca com espinhel nestes momentos e lugares, a fim de reduzir drasticamente a captura acidental desta espécie", diz Báez, que acrescenta que estas medidas devem ser testadas antes de serem aprovadas.

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Crédito: Salvador García-Barcelona

A pesca com espinhel é praticada por 356 navios em águas espanholas, e dá emprego a muitas cidades costeiras. No entanto, a captura acidental de espécies como a tartaruga cabeçuda também são prejudiciais para os interesses dos pescadores, devido aos prejuízos econômicos causados e o tempo gasto para libertar as tartarugas.

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