Um duro golpe para o atum azul

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19/03/2010 - Debbie Salamone
Tradução e edição: William Rodriguez Schepis

A proposta de proibição global sobre o comércio do peixe falhou ontem, deixando o seu futuro em risco

O futuro parece sombrio para o atum azul.

A votação internacional de hoje matou uma proibição do comércio global proposto para o peixe extremamente explorado, deixando a espécies vulnerável à sobrepesca desenfreada que prossegue.

A produção global da pesca de atum é de 9,5 milhões de toneladas (FAO)

A votação na comissão da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Selvagens (CITES), foi um golpe terrível para a espécie ícone: 20 países votaram a favor de proteção (incluindo os Estados Unidos), 68 contra e 30 abstiveram-se.

Uma forte pressão do Japão, o maior importador de atum azul, e a indústria de pesca comercial prevaleceu. O mercado para o peixe - que pode pesar até 725 quilos e milhares de dólares - é lucrativo demais para os países renunciarem.

O mercado asiático consome a maior parte do atum. Acima um mercado joponês

No entanto, não fazer nada põe em grande perigo o futuro da espécie. No Oceano Atlântico Ocidental a população caiu 82% desde 1970 de cerca de 222.600 peixes adultos para cerca de 41.000, segundo a Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico, ICCAT, uma organização regional de gestão da pesca.

A decisão de hoje coloca o destino do atum azul de volta nas mãos da ICCAT, a própria organização que tem impulsionado a espécie para o estado desastroso. A ICCAT define níveis de pesca acima do que a espécie pode suportar.

Precisamos de níveis de pesca mais sustentáveis. ICCAT deve entender que a viabilidade a longo prazo das indústrias de pesca que regulam, depende da sobrevivência a longo prazo do peixe.

Nós também podemos fazer mais em nossa casa deixando de consumir atum. Agora, mais do que nunca, os Estados Unidos precisa intensificar e reforçar as proteções para a espécie. O Golfo do México é o único lugar conhecido de desova do atum azul no oeste do Oceano Atlântico.

Embora os pescadores comerciais serem proibidos de atacar diretamente o atum azul no Golfo desde 1982, as práticas destrutivas de pesca ameaçam a espécie. Atuns azuis são capturados frequentemente em linhas de espinhel comercial destinadas a pesca do espadarte e da albacora. Estas linhas de pesca, com iscas em centenas de anzóis, se estendem em média 25 milhas ao longo da superfície da água. Precisamos de métodos de pesca mais seguros para proteger melhor os peixes.

O atum azul pode nadar mais rápido do que 40 mph em arrancada, vive até 40 anos, cresce até 4 metros de comprimento e mergulha 3.000 metros de profundidade. Migram milhares de quilômetros a cada ano através do Atlântico.

Nós não temos tempo a perder para salvar estes peixes verdadeiramente notáveis. Eles não podem ser extintos de maneira alguma, principalmente pela ignorante ganância econômica.


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