De 1990 a 2008, 8,5 MILHÕES de Tartarugas Marinhas foram capturadas e mortas pela pesca

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09/04/2010 - Discovery News

Seis das sete espécies do mundo de tartarugas marinhas estão em risco de extinção.


Milhões de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção foram acidentalmente capturadas e mortas nas últimas duas décadas, por espinhéis, redes de espera e de arrasto em todo mundo, de acordo com um novo relatório.

O relatório, publicado na revista Conservation Letters, é a primeira avaliação global de capturas acidentais de tartarugas marinhas por esses três tipos principais de pesca. A captura acidental ocorre quando o equipamento de pesca, como redes ou espinhéis gigantes com milhares de anzóis, encontra animais que não sejam os que eles estão destinados a capturar.

Geralmente com até 10 quilômetros, os espinhéis representam uma grande ameaça para várias espécies marinhas

Tartarugas, répteis pulmonados, muitas vezes, morrem por afogamento ou por ingestão de anzóis afiados que se alojam nos tecidos moles da garganta e estômago.

"Para as tartarugas marinhas, s captura acidental é a mais grave ameaça à persistência de suas populações", disse o autor Bryan Wallace ao Discovery News, acrescentando que a pesca de arrasto de camarão é uma das práticas mais prejudiciais.

"Para cada quilo de camarão são capturados acidentalmente de 5 a 20 quilos de tartarugas, peixes, mamíferos, invertebrados e corais", disse Wallace, conselheiro de ciência da ONG Conservação Internacional. "No processo, a destruição de habitats oceânicos pelo uso de uma rede de arrasto é muito parecida com o desmatamento em uma floresta tropical. O habitat é alterado drasticamente, e sua recuperação, se possível, vai demorar um tempo muito longo".

Wallace e sua equipe compilou um banco de dados completo de informações relatadas sobre as taxas de captura acidental (delicadamente chamada pelos biólogos de "fauna acompanhante") para os três principais tipos de pesca a nível mundial no período entre 1990-2008. O total relatado de captura acidental de tartaruga marinha no mundo foi de cerca de 85.000. Como os dados apenas abrangiam menos de 1% da frota total, e nem mesmo incluiam informações sobre capturas acidentais em pescarias de pequena escala, os pesquisadores estimam que o número real de capturas acidentais de tartarugas seja de 8,5 milhões ou mais, para o período de tempo analisado.

As maiores taxas de captura acidental relatadas foram em Baja, na Califórnia, no México (espinhel), Uruguai (redes de arrasto) e na região norte adriática do Mediterrâneo (redes de espera). Globalmente, porém, quatro regiões emergiram como sendo as prioridades de conservação mais urgente: Mediterrâneo, Pacífico Oriental, Sudoeste do Atlântico e Noroeste do Atlântico.

No Mediterrâneo, por exemplo, "21 países pescam em uma área que é inferior a 2% da superfície total do Oceano Pacífico e menos de 30% da área total dos Estados Unidos", disse Wallace. "A Agência Ambiental Européia estima que 65% dos estoques populacionais de peixes do Mediterrâneo estão super explorados.

A população de tartarugas marinhas sofreu tremendamente com o resultado das perdas pela captura acidental, com seis das sete espécies de tartarugas marinhas atualmente classificadas globalmente como "Vulnerável", "Em Perigo" ou "Criticamente Ameaçada" pela Lista Vermelha da IUCN.

Para combater o problema, Wallace e sua equipe recomendam medidas regionais, como a criação de áreas marinhas protegidas. Eles também propõem a reforma da pesca sustentável, incluindo períodos de defeso e restrições de horários e áreas de pesca, bem como a modificação de apetrechos seletivos, tais como a utilização de anzóis circulares e dispositivos de exclusão de tartarugas. O consumo responsável de pescados também é fundamental, dando preferência para pescados como o dourado e o wahoo espécies que não são capturadas com espinhel. "Em geral, disse ele, o dourado é uma escolha melhor do que o atum ou peixes de bico, porque cresce com mais rapidez, atingindo a idade adulta em menos de um ano."

Um outro estudo, conduzido por cientistas da Duke University, descobriu que mais de 250.000 tartarugas cabeçudas (Caretta caretta) e 60.000 tartarugas de couro (Dermochelys coriacea) são inadvertidamente mortas anualmente pela pesca com espinhel comercial, sendo as capturas acidentais particularmente comuns no Oceano Pacífico. Na verdade, Duke's Larry Crowder, que trabalhou no estudo, disse que "mais tartarugas são mortas do que fazem ninhos no Pacífico."

Tanto ele quanto Wallace mantém esperanças de que propostas de medidas de conservação sejam aprovadas em breve.

Wallace concluiu: "Uma abordagem holística baseada nos ecossistemas, que incorpore os interesses econômicos do setor da pesca trará maior chance de sucesso."

Clique aqui para assistir o vídeo da Discovery News.

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