Antibióticos desenvolvem "super bactérias" em predadores marinhos topo de cadeia

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17/06/2010 - Discovery News

É uma das coisas mais assustadoras sobre a sociedade moderna - desde que declaramos guerra contra as bactérias com o uso generalizado da penicilina na década de 1940, os micróbios foram se adaptando, ganhando resistência aos nossos medicamentos e voltando mais fortes e cruéis do que antes.


E agora estas "super bactérias" estão aparecendo em tubarões e peixes no topo da cadeia alimentar, desde as águas ao largo de Belize e Florida Keys no caribe. Ao passo que os peixes podem naturalmente abrigar essas bactérias, os pesquisadores estão preocupados com a conclusão que faz parte de uma maré crescente de bactérias resistentes aos medicamentos em peixes, que poderiam fazer o seu caminho para nosso prato.


Os predadores topo de cadeia são os que mais sofrem com os efeitos dos farmacos nos oceanos. Tubarões e golfinhos também estão na lista das espécies mais afetadas. Acima, um tubarão martelo do caribe.

Os antibióticos são onipresentes no mundo de hoje, usados para controle de infecções em nossos corpos e frear o crescimento de bactérias na nossa cadeia alimentar. Mas essa química chega aos rios, lagos e oceanos, onde os seus efeitos têm sido quase sempre ignorados.

Uma equipe de pesquisadores liderados por Jason Blackburn, da Universidade da Florida amostrou 134 peixes que vivem nas águas costeiras do Golfo do México, Belize, e Massachusetts. Eles então testaram amostras de bactérias resistentes aos medicamentos, utilizando um conjunto de doze antibióticos comuns.

A resistência foi encontrada em todos os lugares estudados, em graus variados. Uma pronunciada resistência a uma variedade de drogas foi descobertta em tubarões no Dry Tortugas National Park, em Florida Keys, por exemplo. Amostras de peixes vermelho da costa da Louisiana mostraram sinais de desconsiderar as drogas, também.


Mark Mitchell, da Universidade de Illinois disse que o trabalho de sua equipe é preliminar, e os micróbios que vivem em peixes podem ter uma resistência natural a determinados tipos de antibióticos.

Mas os tubarões apresentaram resistência especialmente elevada em áreas como Belize, onde o tráfego turístico na água é intenso, e o local de amostragem é perto de uma estação de tratamento de esgoto. Isso sugere uma influência humana.

Se assim for, levanta uma possibilidade preocupante: os tubarões e outros peixes estão funcionando como placas de petri submersas. Como eles são expostos a antibióticos dissolvidos na água por esgoto e águas residuais, as bactérias em seus corpos desenvolverão a resistência e se transformarão em "super bactérias" como aquelas que causam infecções cada vez mais incontroláveis em hospitais de todo o país.


"Algumas pessoas podem dizer, bem, um tubarão cabeça chata da Louisiana não tem realmente uma influência sobre a minha saúde", disse Mitchell, em um comunicado de imprensa emitido pela Universidade de Illinois. "Mas esses peixes comem o que nós comemos. Estamos compartilhando as mesmas fontes de alimentos. Deve ser uma preocupação para nós também."

De fato, os seres humanos comem redfish (Sciaenops ocellatus) e algumas espécies de tubarão diretamente, portanto é possível nós já estarmos expostos às bactérias super resistentes. Escrevem os pesquisadores em seu estudo, que aparece no Journal of Zoo and Wildlife Medicine:

"O ambiente marinho pode ser considerado um reservatório de resistência a essas drogas, a vigilância sobre os peixes deve continuar. Os peixes marinhos predadores amostrados no presente estudo poderão servir como sentinelas valiosas, porque são de longa vida e de crescimento lento e, portanto, tem uma exposição potencialmente longa para bactérias resistentes no oceano.


Além disso, esses dados apóiam a hipótese do trabalho anterior que a resistência está presente em espécies marinhas de várias cadeias alimentares e habitats. Porque a pesca continuará a ser um componente importante da dieta humana, esta informação pode ser usada para determinar os riscos à saúde zoonótica.

Globalmente, Mitchell estima que 100.000 pessoas morrem a cada ano devido a infecções bacterianas adquiridas tanto no ambiente ou em hospitais. Em muitos casos, os pacientes já estão com outra doença, e seu sistema imunológico simplesmente não está à altura da luta. E há super-drogas que podem reduzir a maioria das infecções desagradáveis.

Mas se estamos liberando antibióticos em grandes quantidades em rios e mares, suficientes para aumentar a resistência dos peixes que comemos, estamos apenas acelerando a chegada de um momento perigoso para os micróbios infecciosos provenientes do mar, pré-condicionados a suportar os esforços para detê-los.
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