Censo da Vida Marinha: Grandes animais em perigo de extinção

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08/10/2010 - Louise Gray / Telegraph Media Group

A humanidade tem gerado muito mais impactos prejudiciais sobre os oceanos do que se pensava, segundo um novo estudo.

O Censo da Vida Marinha olhou pela primeira vez para a história da exploração dos oceanos.

Ele descobriu que grandes peixes e mamíferos marinhos caíram 90% desde que os registros começaram.



As espécies ameaçadas incluem a baleia-azul (acima), tartarugas e aves como o albatroz.

O estudo também constatou uma diminuição do fitoplâncton, os seres microscópicos que vivem no oceano e sustentam grande parte dos frutos do mar consumidos pelos humanos.

O censo foi encomendado em 2000 para descobrir o estado de vida marinha, em meio a crescente preocupação com a sobrepesca e exploração mineral. Ele envolveu mais de 2.700 cientistas de 80 países em todo o mundo.

Um estudo realizado por Boris Worm e Heike Lotze na universidade de Dalhousie analisou registros históricos para ver como a vida no oceano mudou ao longo do tempo.

Eles estudaram as capturas, os avistamentos e até cardápios de restaurantes e fotos de viagens de pesca de famílias para ver como a população de diferentes espécies de peixes e mamíferos mudaram. Assim como achados arqueológicos e registros históricos que mostram o que as pessoas caçam e comem.

O estudo com cerca de 100 espécies, incluindo tubarões, focas e bacalhau, mostrou que, as médias caíram cerca de 90% desde que os registros começaram.

Peixes como o espadarte capturados agora são muito menores do que no passado. E as criaturas da base da cadeia alimentar conhecidas como fitoplâncton diminuiram globalmente, de acordo com as observações de navios transoceânicos desde 1899.

Ron O'Dor, um cientista sênior do Censo, disse que a ganância da humanidade teve um efeito catastrófico sobre o oceano.

Ele disse que todos os mamíferos, moluscos ou peixes grandes que são usado pelos seres humanos estão em perigo de extinção.

"O oceano primitivo é uma memória muito distante", disse ele. "Existem apenas algumas áreas do mundo onde os oceanos não são afetados por seres humanos."

O censo revelou que no total há cerca de um milhão de espécies no oceano. Quase 250 mil já foram encontrados pelos cientistas, enquanto 750.000 ainda estão por ser descobertos.


Cerca de 6.000 espécies novas foram descobertas no censo, incluindo um caranguejo "peludo"(acima), uma lula de 20 pés de comprimento e um camarão que se pensava ter morrido há 50 milhões de anos atrás.

No entanto o Dr. O'Dor disse que essas novas espécies também podem ser perdidas a menos que mudemos nossas atitudes.

"Muitas vezes o problema da vida marinha é ser deliciosa para comermos e bonita demais para usarmos", disse ele. "Mas estas espécies estão se esgotando e precisamos de uma reversão de atitudes no século 21.

"90% dos peixes grandes se foram - mas se não incomodássemos mais eles poderiam voltar sozinhos."

O Censo tem gerado um site, www.iobis.org, no qual qualquer um pode ver a distribuição de uma espécie no oceano a partir de um banco de dados gigantesco de nomes e "endereço" de criaturas marinhas.
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