Levantamento aponta contaminação em 70% dos rios do litoral de SP

25/01/2010 - Eduardo Geraque/Folha

Os rios e riachos do litoral paulista continuam carregando muito esgoto doméstico para o Atlântico. Em 2009, 70% dos mais de 600 cursos d'água analisados pela Cetesb foram reprovados, mostra reportagem de Eduardo Geraque publicada na edição desta segunda-feira da Folha (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

De acordo com o texto, nunca o índice médio de aprovação passou dos 30%. Além do ano passado, isso ocorreu uma única vez, em 2005. A taxa inferior já bateu nos 20%. "Temos muitas fontes de esgotos domésticos não tratados [no litoral]", afirmou à reportagem Nelson Menegon Jr., gerente da Divisão de Qualidade das Águas da Cetesb.

As duas piores cidades do litoral são Praia Grande e Mongaguá. Ambas tiveram 98% de seus córregos contaminados. Fora da classificação isolada do ano passado, a comparação de 2009 com 2008 revela que a situação piorou bastante na cidade de Ilhabela.

A Cetesb não investiga todos os córregos do litoral. Ela faz um recorte técnico das análises. O número de cursos d'água varia nos municípios. Ele sai de 8, no caso de Santos, e vai até 156, no caso da Praia Grande.


.

Pellets recolhidos em praias apontam altos níveis de poluição marinha

25/01/2010 - Por William Rodriguez Schepis

No final do ano passado foram enviadas para o Dr. Hideshige Takada, da Universidade de Tókio, amostras de pellets coletados em várias praias do mundo, inclusive da Ponta da Praia em Santos.

Os pellets são pequenas esferas de polietileno que são a base para a produção de diferentes tipos de plástico e estão espalhados pelos oceanos e depositados nas praias de todo o mundo.


A pesquisa do Dr. Takada teve como objetivo mapear as concentrações de poluentes orgânicos absorvidos globalmente, utilizando os pellets como base para a análise, que apontaram diversos tipos de poluentes.

Confira os resultados:








PCBs - O Bifenil policlorado é um composto químico que pode dar origem a diversos derivados (os PCBs) de elevada toxicidade e persistência ambiental. Os PCBs tendem a acumular-se ao longo da cadeia trófica. Presentes em pequenas quantidades nos organismos microscópicos, em maior quantidades nos peixes de que deles se alimentam até atingirem valores muito elevados nos mamíferos que dos peixes se alimentam, tal como os homens. Elevadas concentrações de PCBs provocam irritações cutâneas nos adultos mas é nas crianças que os efeitos são mais graves. Estudos apontam para valores de QI mais baixos e menor capacidade de memorização.

PCBs são misturas de um produto sintético com uma estrutura química similar. PCBs podem variar entre líquidos, oleosos e waxy (sólidos semelhantes a uma cera). Devido à sua propriedade não inflamável, estabilidade química, elevado ponto de ebulição e isolamento elétrico, PCBs são utilizados em centenas de aplicações industriais e comerciais, incluindo eletricidade, transferência de calor e equipamentos hidráulicos; como plastificantes em tintas, plásticos e produtos de borracha; em pigmentos, papéis e muitas outras aplicações.

Mais de 3 milhões de toneladas de PCBs foram fabricadas nos EUA antes do encerramento da produção em 1977. Em 1981, a Legislação brasileira proibiu a fabricação de equipamentos que utilizassem essa substância, denominada cientificamente de PCB (Bifenilas Policloradas), ainda que, pela mesma lei, seja permitida a utilização dos equipamentos já existentes até o final de sua vida útil – período médio de 40 anos.


PAHs - Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos são lipofílicos, ou seja, misturam-se mais facilmente com o óleo do que com água. Os compostos maiores são menos solúveis em água e menos volátil (isto é, menos propenso a evaporar). Devido a essas propriedades, os PAH são encontrados no ambiente principalmente no solo, sedimentos e substâncias oleosas, em oposição à água ou ar. No entanto, eles são também são encontrados como material particulado em suspensão no ar.

Como um poluente, são motivo de preocupação porque alguns compostos foram identificados como cancerígenos, mutagênicos e teratogênicos (tudo aquilo capaz de produzir dano ao embrião ou feto durante a gravidez). Os PAHs são um dos poluentes orgânicos mais difundidos. Estão presente nos combustíveis fósseis que também e também são provenientes da combustão incompleta de combustíveis contendo carbono, tais como madeira, carvão, óleo diesel, gorduras, etc.


HCHs - O Hexaclorociclohexano é um produto químico manufaturado que existe em oito formas chamadas isômeros. Uma dessas formas, gama-HCH (ou γ-HCH, comumente chamado de lindano) é usado como pesticida em frutas, legumes e plantios florestais. É um sólido branco que pode evaporar no ar como um vapor incolor com um leve cheiro de mofo. Também encontrado em medicamentos (loções, cremes ou shampoo) para tratar piolhos e sarna no corpo.

O Lindano não é mais produzido em os E.U.A. desde 1976, mas é importado para uso como um pesticida. No Brasil ele foi proibido somente em 2006.

Pessoas que respiraram ar contaminado no local de trabalho durante a fabricação de pesticidas, incluindo γ-HCH, tiveram alterações no sangue, tonturas, dores de cabeça e alterações no nível de hormônios sexuais. Pessoas que ingeriram grandes quantidades de HCH sofreram convulsões e algumas morreram. A administração de α- e γ-HCH em animais causou convulsões e os animais que receberam ß-HCH entraram em coma. Todos os isômeros podem produzir efeitos no fígado e rins. Nos animais administrados oralmente com γ-HCH, houve redução da capacidade do sistema imunológico, nos animais tratados com γ-HCH e β-HCH foram observadas lesões nos ovários e testículos. A administração oral de α-HCH, β-HCH, γ-HCH para roedores de laboratório causou câncer de fígado. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos (DHHS) determinou que é razoável prever que o HCH (todos os isômeros) causa o cancer nos seres humanos. A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classificou o HCH (todos os isômeros) como cancerígeno para os seres humanos.

DDTs
- Proibído em vários países na década de 70, no Brasil só teve sua proibição em 2009 pela Lei nº. 11.936 de 14 de maio de 2009. Infelizmente, a partir de 31 de dezembro de 2009 com a execução global do Codex Alimentarius pela FAO e OMC, organizações subordinadas a ONU, o DDT está para ser autorizado novamente no comercio mundial de alimentos, onde será liberada margens mínimas de concentração do DDT nos alimentos.

A bióloga norte-americana Rachel Carson denunciou em seu livro Primavera Silenciosa (1962) que o DDT causava câncer. Além disso, pássaros punham ovos com casca muito fina; em regiões de forte aplicação, eles até morriam sob o efeito do pesticida. O DDT se acumula na cadeia trófica.

Hopanos
- Os terpanos pentacíclicos ou hopanos são amplamente encotrados em óleos. Estes compostos são provenientes do bacterio-hopanotetrol, um componente da membrana celular de organismos procariotos que possui uma parte polar e outra apolar. Petróleos de origem salina e hipersalina apresentam concentração de hopanos maior que petróleo de ambientes de água doce. Isso ocorre porque as bactérias se reproduzem mais em ambientes salinos pois estes contém maior quantidades de nutrientes.


Mais informações:


Laboratory of Organic Geochemistry
Dr. Hideshige Takada

Tokyo University of Agriculture and Technology

Fuchu, Tokyo 183-8509, Japan.

http://www.tuat.ac.jp/~gaia/ipw/index.html


.

Os 7 lugares mais tóxicos do mundo para viver

24/01/2010 - Care2 / IEF

Enquanto a população do mundo chega a quase 7 bilhões, está se tornando mais e mais difícil encontrar algum lugar na Terra que não esteja afetado pela poluição causada pelo homem, e como sempre, as coisas precisam ficar muito feias antes que as pessoas tomem medidas para manter o planeta limpo. Então aqui está uma lista que pode ajudar a motivar: Os 15 lugares mais poluídos do mundo.

Rio Citarum, Indonésia

O Citarum tem sido chamado de rio mais poluído do mundo. Cerca de cinco milhões de pessoas vivem na bacia do rio, e muitos deles dependem de seu fluxo para o seu abastecimento de água.

São centenas de toneladas de lixo formando um cenário surreal

É impossível ver onde está a água

O lixo toma conta de tudo

O garimpo de resíduos recicláveis substituiu a pesca local


Chernobyl, Ucrânia

Chernobyl é uma cidade do norte da Ucrânia, que em 1986 foi o local do pior acidente em uma uzina nuclear da história. Antes, lar de mais de 14.000 habitantes, hoje a cidade é em sua maior parte desabitada devido à contaminação radioativa.

Placas indicam que o perigo persiste

Usina nuclear em Chernobyl

Crianças sofrem com os efeitos a longo prazo da radiação


Linfen, China

Linfen tem mais poluição atmosférica do que qualquer outra cidade no mundo. Situada no coração do cinturão de carvão da China, a fumaça e a fuligem de poluentes industriais e automóveis enegrecem o ar sem parar. Diz-se que se você pendurar a sua roupa aqui, ela vai ficar preta antes que seque.

Neblina? Não, poluição!


Giro do Pacífico Norte

Uma ilha de lixo do tamanho dos estado de Minas Gerais e Bahia juntos no meio do Oceano Pacífico, formada pelas correntes do Pacífico Norte. O lixo, que é maioritariamente constituído por restos de plástico, encontra-se suspenso até 30 metros abaixo da superfície.

Estudos indicam que o plástico já supera o plancton em 6/1 no oceano


La Oroya, Peru

La Oroya é uma cidade mineiradora nos Andes peruanos coberta de fuligem. Noventa e nove por cento das crianças que vivem lá têm níveis no sangue que excedem os limites aceitáveis para o envenenamento por chumbo, que pode ser diretamente atribuído a uma fundição de propriedade norte-americana que foi poluindo a cidade desde 1922.

Mais um exemplo de exploração e descaso com o 3º mundo


Dzerzhinsk, Rússia

O livro Guinness Book nomeou Dzerzhinsk a cidade mais quimicamente poluída na Terra, em 2003 a sua taxa de mortalidade excedeu a sua taxa de natalidade em 260 por cento. Mais de 300.000 toneladas de resíduos químicos foram indevidamente despejados lá entre 1930 e 1998.

Infelizmente a consciência ecológica é algo novo e ainda pouco difundida


Bacia Matanza-Riachuelo, Argentina

A Bacia Matanza-Riachuelo é um local na Argentina cujo nome é sinônimo de poluição. Mais de 3.500 fábricas operam ao longo das margens do rio, uma paisagem que inclui 13 favelas, inúmeros canos clandestinos que levam esgoto ao rio e 42 lixões.

Los hermanos fazendo sua parte

.

2010 é nomeado Ano Internacional da Biodiversidade pela ONU

15/01/2009 - Por William Rodriguez Schepis

Nós do Instituto EcoFaxina consideramos os manguezais um símbolo da biodiversidade em nosso planeta. Elo entre a terra e o mar.


Mensagem de boas vindas do secretário geral da ONU para o Ano Internacional da Biodiversidade




A chanceler alemã, Angela Merkel, e o Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon lançam oficialmente o Ano Internacional da Biodiversidade.

Montreal, 12 de janeiro de 2010 - Durante o lançamento do Ano Internacional da Biodiversidade, em Berlim, no dia 11/01, a chanceler alemã Angela Merkel pediu ao mundo para tomar as medidas necessárias para proteger a diversidade biológica da Terra.

"A conservação da diversidade biológica tem a mesma dimensão da protecção do clima. Precisamos de uma inversão de tendência - e não em algum momento no futuro, mas imediatamente ", disse Merkel, chanceler federal alemã, falando em nome da atual Presidência da Conferência das Partes da Convenção, para enfrentar mais de 400 participantes da corpo diplomático, governo, sociedade civil, organizações internacionais, cientistas, empresas e meios de comunicação na festa realizada no Museu de História Natural de Berlim, Alemanha.

A Assembléia Geral da ONU proclamou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade, para coincidir com o prazo adotado em 2002 para alcançar uma redução significativa na taxa de perda da diversidade das espécies e dos ecossistemas do planeta. Segundo os cientistas, a taxa de perda devido às atividades humanas tanto quanto 1.000 vezes superior à taxa de fundo.

Durante o ano, as pessoas vão comemorar a diversidade da vida no planeta, e sua contribuição ao bem-estar humano, trabalhando para tomar as medidas necessárias para combater a sua perda. Na cerimônia em Berlim, os líderes políticos insistiram que a proteção da biodiversidade deve ser elevada a um nível de outras questões como as alterações climáticas e o desenvolvimento econômico.

"No mundo, os políticos estão cada vez mais reconhecendo que a proteção da biodiversidade é extremamente importante para o bem-estar, desenvolvimento econômico global e combate a pobresa. O tempo chegou para que essas idéias sejam seguidas por ações ", afirmou o Ministro de Meio Abiente da Alemanha Norbert Röttgen.

Esses sentimentos foram repetidos por Abdul Rahman Fadhl AlIryani, o ministro do Meio Ambiente do Iémen, o atual Presidente do Grupo dos 77 e China, representando 132 países, que disse que, "Preservar a rica biodiversidade do Iêmen e da Península Arábica, em todas a sua beleza é uma prioridade para nós e deve ser uma prioridade para todos ".

Ahmed Djoghlaf, secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), organismo responsável pela organização das Nações Unidas para o Ano Internacional, sublinhou a importância da biodiversidade como um problema global, afirmando que: "As mudanças climáticas são realmente um problema, e a diversidade biológica é parte da solução, portanto, um componente integral da ecologia política multilateral. Isto é sobre o que o Ano Internacional da Biodiversidade trata; é por isso que estamos aqui hoje, em Berlim. "

Em uma mensagem em vídeo aos participantes, o Secretário-Geral Ban Ki-moon sublinhou que "negócios como de costume não é uma opção", e que novas metas e uma nova visão é necessária.

A urgência da tarefa em mãos foi repetida por Achim Steiner, Diretor Executivo da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente. "A urgência da situação exige que como uma comunidade global não só revertamos a taxa de perda, mas temos que parar a perda e começar a restaurar a infra-estrutura ecológica que tenha sido danificada e degradada ao longo do século anterior."

Durante o ano, os cientistas farão um relatório sobre a situação e as tendências de perda de biodiversidade. O terceiro relatório de avaliação da CDB, o Global Biodiversity Outlook, será publicado em maio, fornecendo os dados mais recentes sobre o estado e tendências, bem como recomendações sobre as melhores formas de governos para avançar com o pós-metas de 2010 para a biodiversidade.

Estas recomendações deverão contribuir para o debate global de um novo plano estratégico para combater a perda de biodiversidade, e um novo conjunto de metas a serem adotados pela comunidade mundial na Cúpula da Biodiversidade em Nagoya no Japão, em outubro.

"O Ano Internacional da Biodiversidade é um ano crítico, porque todos nós podemos compartilhar de uma idéia comum do que precisamos para reverter a perda de biodiversidade e recuperação da biodiversidade. Isso nos levará a ações concretas ", disse Issei Tajima, Vice-Ministro do Meio Ambiente para o Japão, e futuro Presidente da décima reunião da Conferência das Partes da Convenção a ser realizada em Aichi-Nagoya, Japão, de 18-29 outubro 2010. "Em um ano tão notável, o Japão sediará a décima reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica. Eu manifesto a nossa determinação em fazer desta reunião um sucesso. "

O lançamento do ano, sob o slogan "Biodiversidade é vida, a biodiversidade é nossa vida," é apenas o primeiro de uma série de eventos globais e celebrações, que incluem a observância do Dia Internacional para a Diversidade Biológica, em 22 de Maio, sob o tema Biodiversidade para o Desenvolvimento e Alívio da Pobreza, uma reunião especial de alto nível da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre a biodiversidade em setembro, e outros.

"Torna-se claro que os problemas do nosso planeta são altamente interligados -, sem combater as alterações climáticas falharemos para em impedir a perda de biodiversidade, sem a proteção dos ecossistemas com a sua capacidade de armazenamento de carbono, será extremamente difícil cumprir os objetivos das alterações climáticas. E sem os dois vamos falhar nos nossos esforços para combater a fome no mundo ", disse Jochen Flasbarth, presidente da Agência Federal do Meio Ambiente alemão.

Brasil, Tailândia, Índia e outros países também realizam o lançamento de eventos na primeira semana de janeiro. As Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) está organizando um evento de alto nível para o ano em 21-22 de janeiro em Paris, com a participação de chefes de Estado e de Governo e de uma conferência científica.

A página do Facebook para comemorar o ano, recentemente criado, reuniu milhares de fãs que estão expressando suas esperanças para o ano.

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB)

Aberta para assinatura na Eco'92 no Rio de Janeiro, em 1992, a Convenção sobre Diversidade Biológica é um tratado internacional para a conservação e uso sustentável da biodiversidade e a repartição justa dos benefícios da utilização dos recursos genéticos. Com 193 partes, a CBD tem quase plena participação dos países comprometidos com a preservação da vida na Terra. A CBD procura abordar todas as ameaças à biodiversidade e dos ecossistemas, incluindo as ameaças da mudança climática, através de avaliações científicas, o desenvolvimento de ferramentas, incentivos e processos, a transferência de tecnologias, boas práticas e a participação plena e ativa das partes interessadas, incluindo indígenas e as comunidades locais, os jovens, as ONG, as mulheres e da comunidade empresarial. A sede do secretariado da Convenção estão localizados em Montreal. Para obter informações adicionais, favor contatar: David Ainsworth em +1 514 833 0196 ou no david.ainsworth@cbd.int; Johan Hedlund on + 1 514 287 6670 ou no johan.hedlund@cbd.int.

IYB site: www.cbd.int/2010
Facebook fan site: www.facebook.com/iyb2010

.

Cientistas iniciam travessia para o primeiro estudo global da “Sopa de Plástico” no oceano

15/01/2005 - Colaboração de Fabiano Barretto, Global Garbage

A Poluição Marinha por Plásticos é um Problema Global Crescente

ST. THOMAS, ILHAS VIRGENS, EUA — Os oceanos do mundo estão repletos de poluição por plásticos? Cientistas marinhos iniciaram em 08 de janeiro de 2010 o lançamento transatlântico do primeiro estudo de poluição marinha por plásticos que é largamente conhecido como prevalecente somente no Oceano Pacífico Norte, a “Grande Trecho de Lixo no Pacífico.”

A viagem inaugural do estudo, de St. Thomas, Ilhas Virgens, EUA, até o Mar de Sargaço, é parte do Projeto 5 Gyres (5 Giros, relativo aos 5 vórtices de lixo presentes no oceano terrestre), o qual realizará uma segunda travessia no Atlântico Sul em agosto próximo. Participando diretamente do projeto estão os pesquisadores Dr. Marcus Eriksen e Anna Cummins, que têm trabalhado com o Capitão Charles Moore, fundador da Fundação de Pesquisa Marinha Algalita (AMRF), documentando a acumulação crescente de poluição por plástico no Giro do Pacífico Norte.

“Este é um problema global, temos visto evidências de poluição por plásticos por todos os lugares do mundo e isto está piorando,” diz Moore, que em janeiro foi enfocado em “O Relatório Colbert” (The Colbert Report*) para discutir o problema que ele mesmo colocou no mapa pela primeira vez.

Eriksen e Cummins, casados em junho de 2009, trabalharão com a AMRF para aprofundar o foco da sua pesquisa anterior, a qual tem sido quantificar os plásticos flutuantes, incluindo fragmentos de micro-plásticos consumidos pelos peixes. Agora eles buscam entender como esses detritos afetam os peixes, para entender melhor o efeito humano do que o Los Angeles Times chama de “um dos segmentos da esteira de lixo tóxico da civilização que mais cresce.”

Fragmentos de plástico encontrados dentro de um olhete de 5 semanas. Capturado na latitude 23º05.35N, longitude 147º12.86O em 13 de Agosto de 2008

“As partículas de plástico no mar agem como magnéticos para químicos tais como DDT, PCB, retardadores de chama e outros poluentes,” diz Cummins. “O Projeto 5 Gyres está trabalhando agora para avançar nossas pesquisas anteriores com os testes buscando determinar se esses químicos se acumulam nos peixes, navegam ao longo da cadeia alimentar e terminam em nossos pratos.”

“Há cinco giros no mundo,” informa Cummins, “mas a poluição por plásticos não está confinada em um somente. Planejamos agrupar dados de todos os cinco.”

O Projeto 5 Gyres é uma colaboração entre a AMRF, onde Eriksen é diretor do programa de desenvolvimento, a Livable Legacy e a Pangaea Explorations. Um dos patrocinadores do projeto é a Blue Turtle. A Pangaea Explorations está fornecendo o veleiro de 72 pés Sea Dragon, no qual o casal velejará para coletar amostras da superfície do oceano, do fundo do mar e do conteúdo do estômago e dos tecidos de peixes para análise. Outros velejadores são voluntários para contribuir com suas pesquisas com equipamentos emprestados pelo Projeto 5 Gyres.

Acompanhe o progresso do Sea Dragon através da tecnologia GPS fornecida pela Blue Turtle.

Na última primavera, Eriksen e Cummins completaram um tour de 2.000 milhas de bicicleta para gerar conscientização do problema no Giro do Pacífico Norte, onde o próprio Eriksen velejou a bordo do JUNKraft da AMRF construído com 15.000 garrafas de plástico. O problema do plástico no oceano tem sido referido como Trecho de Lixo, mas que é muito mais difuso do que um "simples trecho", a qual Eriksen e Cummins chamam de sopa de plástico.

Durante a sua viagem transatlântica de seis semanas — a primeira desse tipo — o casal fará uma parada nas Bermudas para palestras e para encontrar-se com o Cônsul Geral dos Estados Unidos Grace Shelton. Em 28 de janeiro eles velejarão aos Açores através do Mar de Sargaço, uma região alongada no meio do Atlântico Norte circundada por correntes oceânicas as quais formam outro giro oceânico. Eles esperam retornar para Santa Mônica em meados de fevereiro.

Veleiro de 72 pés Sea Dragon

Em agosto, eles cruzarão o Giro do Atlântico Sul, indo do Rio de Janeiro à Cidade do Cabo, na África do Sul. Esta será a primeira travessia desse tipo nos últimos 30 anos no hemisfério sul.

Os pesquisadores enfatizam que, como a poluição do mar por plásticos não pode ser limpa por qualquer meio conhecido, a sociedade deve parar o problema na sua fonte. Eles defendem legislações que demandem das empresas tomarem para si a responsabilidade de recuperar e reutilizar os seus produtos, incluindo incentivos econômicos para promover a recuperação e a extinção dos produtos descartáveis. Legislações responsáveis irão criar, também, uma tremenda oportunidade para produtos inteligentes e inovadores.

“Não podemos sair desta sujeira pela reciclagem, nem podemos limpar o que já está lá fora,” diz Eriksen. “Não estamos olhando para uma grande acumulação de pedaços visíveis de plásticos, mas para uma sopa difusa de micro-partículas.”

Enquanto os efeitos potenciais à saúde humana permanecem desconhecidos, cientistas já estimam que perto da metade de todas as espécies de pássaros marinhos, todas as espécies de tartarugas marinhas e 22 espécies de mamíferos marinhos ferem-se ou morrem por causa do lixo plástico, seja pela ingestão, emaranhamento ou estrangulamento, antes que os detritos sejam quebrados (pela fotodegradação) em minúsculos fragmentos.

Eriksen e Cummins mantêm um blog sobre suas travessias no endereço 5gyres.org. Eles continuarão sua segunda viagem no Atlântico com um projeto de conscientização de duração de um ano chamado “O Último Canudo.” Este projeto inclui um tour de 2.000 milhas para ciclo de palestras na Costa Leste e a construção, em Paris, de um barco com 250.000 canudos de plástico. Neste barco, chamado de “STRA,” em homenagem à expedição RA feita por Thor Heyerdahl no final dos anos 1960, eles velejarão o Rio Sena e cruzarão o Canal Inglês.

O principal patrocinador, Blue Turtle, baseado em San Francisco, é uma organização social que visa soluções completas e longevas para a poluição dos oceanos mundiais através da educação, de fontes de eliminação e limpeza. A Pangaea Explorations, outro patrocinador importante, é dedicada à descoberta de bases verdadeiras sobre o meio ambiente, envolvendo pessoas e as questões ambientais, e ensinando a próxima geração a respeitar e proteger o seu meio ambiente.

Patrocínios chave adicionais são fornecidos por Ecousable, Quiksilver Foundation, Surfrider Foundation, Keen Footwear, Patagonia e Aquapac.

Download de fotografias de Eriksen e Cummins a bordo do Sea Dragon, partículas de plásticos retiradas do estômago de peixes e da viagem de 2008 no JUNKraft. Contato com a imprensa: Zan Dubin Scott, (310) 383-0956; zan@zdscommunications.com

* considerado pelo New York Times como o melhor show de TV do ano.

.

Lixo, cartão de visita para 2016

11/01/2010 - Bruno Lousada/Estadão

Torben e Scheidt protestam contra poluição na Baía de Guanabara, palco da competição que começa amanhã

INDIGNAÇÃO - Para Torben Grael (de boné), será preciso melhorar as condições da água na Baía para realizar a competição de vela na Olimpíada de 2016 : "Do jeito que está..."

De longe, não há dúvida: o visual é bonito. De perto, a certeza é a de que as aparências enganam. A Baía de Guanabara agoniza, vítima da poluição dos esgotos domiciliares e industriais, além dos derrames de óleo e outros dejetos. E é justamente ali que vão ser realizadas, a partir de amanhã, pelo menos uma das seis regatas do Campeonato Mundial da Classe Star, competição que envolve 81 barcos de 20 países.

Uma situação que deixa indignado o velejador Torben Grael, o brasileiro com o maior número de medalhas olímpicas (cinco, no total). "Tem tanto lixo na Baía que é até sacanagem fazer a competição lá. Fora dali (em mar aberto) tem muito lixo também, porém menos. É um fator muito negativo e um péssimo cartão de visita para quem vai organizar a Olimpíada de 2016", criticou o atleta, uma das principais atrações do Mundial. "Se quiser realizar a competição de vela no Rio (nos Jogos de 2016), tem de melhorar bastante. Do jeito que está..."

Robert Scheidt, outro iatista de ponta do País na disputa do Mundial, não fugiu da polêmica e disse que o alerta tem de ser ligado desde já para 2016. "Se o estrangeiro velejar aqui e enganchar no lixo, não vai gostar. É um sinal de que a Baía de Guanabara precisa melhorar as suas condições para ser sede dos Jogos Olímpicos."

Scheidt ressalta que o Mundial é o primeiro grande evento de vela no Rio após a cidade ganhar o direito de realizar a Olimpíada e diz que providências têm de ser tomadas. "É um grande alerta. Infelizmente, não tem o que fazer agora. Faltam poucos dias para a primeira regata", disse. "Um saco plástico pode fazer a velocidade do barco diminuir. É bem frustrante. É como se puxasse o freio de mão do carro", explicou, convicto de que essa é a maior preocupação dos competidores.

Em entrevista ao Estado em 2008, o velejador Ricardo Winick, o Bimba, disse já ter encontrado "cadáver, bicho morto, porta de geladeira, sofá e televisão" na Baía de Guanabara.

Diretor de vela do Iate Clube do Rio, na Urca, e um dos organizadores do Mundial, Ricardo Ermel admitiu que a poluição da Baía pode atrapalhar o campeonato. "Correr em Búzios, em Angra dos Reis e em Ilhabela é muito melhor tecnicamente, mas os clubes dessas regiões não comportam um campeonato desse porte. Aqui temos estrutura para isso."

E a sujeira da Baía de Guanabara? "Na minha visão, já foi pior. Mas, realmente, tem muito lixo flutuando. Apesar disso, soube que a qualidade da água melhorou. Tem risco de pegar micose? Tem. A água está suja", admitiu.

Ermel afirmou, no entanto, que o problema não é exclusivo da capital fluminense. "Em Miami, as algas se soltam e grudam no barco. E, na China, o mar está sujo também. Não adianta só culpar o governo. A população também tem culpa. Ela joga lixo nas calçadas, na areia das praias e tudo vai para o mar."

Por meio de sua assessoria, o Comitê Organizador dos Jogos de 2016 informou que o projeto para as competições de vela da Olimpíada do Rio foi aprovado pela Federação Internacional de Vela (Isaf) e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

O comitê acrescentou ter "plena confiança" na qualidade do projeto de despoluição da Baía de Guanabara que vem sendo desenvolvido pelo governo estadual em parceria com a iniciativa privada e terá investimentos até 2016. E destacou que, nos Jogos Pan-americanos do Rio, em 2007, as competições de vela foram realizadas na Baía de Guanabara "sem qualquer problema".

.

O meio ambiente está diretamente associado ao bem estar social

07/01/2010 - Saudade FM

O Programa Café da Manhã desta quinta – feira, dia 7 de janeiro, recebeu os integrantes do Instituto Ecofaxina: o presidente William Rodriguez Schepis e o diretor de Educação Ambiental, Tierry Val de Medeiros.

Confira a entrevista:



O Instituto Ecofaxina teve início com ações de estudantes de Biologia Marinha na Vila Gilda. William afirmou que os integrantes desse projeto ficaram assustados com o cenário no local e começaram a fazer atividades voluntárias para conscientizar a população. Tierry comentou que “não é da noite para o dia que mudaremos essa realidade”.

Para os estudantes, existem organizações sérias que se preocupam com o meio ambiente, porém, falta integração e apoio do poder público.

Tierry explicou que o Ecofaxina não é uma instituição que presta assistencialismo, mas que tem como foco o meio ambiente, que está diretamente associado ao bem estar social. Os interessados em colaborar e conhecer mais sobre o projeto podem entrar em contato pelo telefone (13) 3301-2391 ou através do blog ecofaxina.blogspot.com.

Os pedidos musicais de nossos convidados foram “All of my love”, de Led Zeppelin e “Love of my life”, do Queen.

Tierry, Douglas Gonçalves e William

.

Degradação ambiental e problemas de saúde

04/01/2009 - Lumi Zúnica/Folha Universal

Os manguezais são ecossistemas costeiros formados no encontro de águas doces e salgadas onde se concentra grande quantidade de matéria orgânica em decomposição, que serve de alimento a crustáceos, peixes, aves e mamíferos. Também é importante destacar a enorme importância dos manguezais como berçário para reprodução dessas espécies. Eles são considerados bens da União pela Constituição Federal e, como tais, são inalienáveis, públicos, de uso comum e tratados como reservas ecológicas pelo Código Florestal. A ocupação ilegal, somada à contaminação química provocada por grandes indústrias na região, criam um cenário de degradação.

As poucas ações que buscam diminuir o impacto ambiental e os riscos à saúde se originam em projetos de voluntários com pouco ou nenhum apoio governamental, como é o caso do Instituto EcoFaxina, criado por William Rodriguez Schepis, estudante do último ano de Biologia Marinha da Universidade Santa Cecília, de Santos. Com ações de educação ambiental, mutirões de limpeza e criação de projetos para geração de renda através de reciclagem do lixo, ele combate o problema cuja gravidade não se restringe a questões ambientais, mas de saúde pública.

Estudos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) relatam a presença de metais pesados e outros compostos altamente tóxicos no sedimento do manguezal – entre eles arsênico, chumbo, cobre, cromo, manganês, mercúrio, níquel, zinco, solventes e pesticidas – em quantidades “acima dos critérios para consumo humano”. O mesmo relatório acrescenta que, por comerem e venderem peixes, siris e caranguejos encontrados na área, “os pescadores e coletores, juntamente com suas famílias, provavelmente são o grupo mais exposto aos poluentes”. Mas os riscos, segue o relatório, não se restringem aos moradores do manguezal, já que os produtos pescados são vendidos em feiras, barracas de praia e na orla marítima aos turistas que lotam as praias no verão.

.

Golfinho morto e muito lixo antes da virada do ano em Niterói

01/01/2010 - Marcos Serra Lima/Dois Cliques

A praia do Dois Cliques é fotografia. Começo o ano lembrando isso para que um leitor desavisado não pense que gasto linhas falando de um golfinho, quando hoje, quase 40 pessoas morreram no estado do Rio.



No último dia do ano, na praia de Boa Viagem, em Niterói, entre tantas pessoas jogando flores para Iemanjá, havia um golfinho morto na areia.

Como já nos acostumamos a ver lixo na praia depois de dias de chuvas, nem sequer nos espantamos. Se você concordou com a afirmação acima, não vai achar estranho saber que ao lado do golfinho morto, havia um monitor de computador de 15 polegadas. Poucos metros adiante, um ventilador, um capacete, duas tampas de privada e uma ratazana. Isso tudo no meio de centenas de sacos plásticos e garrafas de vidro.

Não sei se você sabia que há golfinhos nadando pela Baía de Guanabara. O que sei é que as imagens do post não combinam muito com as que vejo na televisão. Não posso partir de uma foto para analisar políticas ambientais. Não posso, não vou, nem é correto e nem me compete. A minha parte no latifúndio, como fotógrafo, é registrar o que vejo.

Cheguei à praia com um casal de amigos. Emiliano e Ana, por coincidência, são biólogos e tomaram as providências necessárias. Eu, além das fotos que você vê aqui, fiz alguns registros. Espero que sirvam para alguma coisa, já que as fotos do post, no primeiro dia do ano, e no meio de tanta desgraça, não valem nada.





.

Confira como foi a 2ª edição do "Natal da Vila"


No dia 20/12 o Instituto EcoFaxina esteve mais uma vez presente na Vila Gilda, Zona Noroeste de Santos, prestigiando a visita do Papai Noel, evento organizado pela Sociedade Pró-Melhoramentos da Vila Gilda, que recolhe doações de pessoas e instituições que queiram presentear crianças carentes com a distribuição de sacolinhas de Natal.

O Instituto EcoFaxina batizou a sua primeira participação em 2008 de "Natal da Vila", facilitando a divulgação e a obtenção de doações. Naquele ano recebemos doações de pessoas e de funcionários da Imobiliária Coelho da Fonseca em São Paulo, totalizando a meta de 30 crianças contempladas.

Nesta segunda edição recebemos uma doação de mil reais em dinheiro da Universidade Santa Cecília, através de uma conversa com a nossa reitora, Dra. Sílvia Ângela Teixeira Penteado, o que possibilitou a compra de roupas e calçados para as 30 crianças cadastradas pela diretoria de educação ambiental do Instituto EcoFaxina.

Recebem sacolinhas as crianças cadastradas na sociedade de bairro cujo os pais se envolvem em atividades promovidas pela Sociedade Pró-Melhoramentos da Vila Gilda. Como relata a presidente Lunéya Marques de Lima Sousa, "o assistencialismo tem que ser uma via de mão dupla, onde as pessoas que recebem ajuda participam de atividades que gerem conhecimento e qualificação. As pessoas precisam querer melhorar".

No dia do evento o Papai Noel e seu assistente, o Chefe dos Duendes, chegaram por volta das 17 horas na porta da sociedade de bairro, realizaram a distribuição das sacolinhas e conversaram com muitas criaças que os esperavam desde o começo do dia. Naquela tarde quente e ensolarada o espírito de Natal esteve presente na Vila Gilda, materializado em muitos sorrisos, abraços e fotografias.

Confira algumas imagens:


Alguns dos presentes entregues pelo Instituto EcoFaxina

A chegada do bom velhinho

Muitos abraços após a longa viagem

As crianças estavam encantadas com a presença do Papai Noel

Todas queriam uma foto de recordação

Tierry e William já combinam o Natal da Vila 2010 com o Chefe dos Duendes

Este é Victor, uma das 30 crianças que receberam
as sacolinhas do Instituto EcoFaxina


Clique aqui para ver mais imagens.

.