Lula sanciona política do lixo na próxima segunda

30/07/2010 - Renata Camargo / Congresso em Foco

O presidente Lula irá sancionar na próxima segunda-feira (2) a nova lei que institui a Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Aprovada pelo Congresso no início deste mês, a proposta prevê o fim dos lixões e estabelece regras para a gestão do lixo no país. Entre as novidades, está a obrigatoriedade de estados e municípios elaborarem um plano de coleta seletiva.

O presidente Lula com Roberto Rocha, presidente do Movimento Nacional de materiais recicláveis
© AFP

A nova lei, que entra em vigor a partir da publicação no Diário Oficial da União, determina que as prefeituras devem construir aterros sanitários adequados ambientalmente, onde só poderão ser depositados os resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento ou reciclagem. De acordo com a proposta, será proibido catar lixo, morar ou criar animais em aterros sanitários e também não será permitida a importação de qualquer tipo de lixo.

A proposta prevê ainda o sistema de logística reversa. Por esse sistema, empresas responsáveis pela fabricação e comercialização de produtos recicláveis e reutilizáveis devem recolher esses materiais do mercado. A nova lei, no entanto, não prevê de que forma se derá essa logística. Isso ainda depende de regulamentação para ser colocado em prática.

O projeto que cria a Política Nacional dos Resíduos Sólidos foi aprovado no Congresso após quase 20 anos tramitando na Casa. A nova lei é considerada um marco na gestão do lixo no Brasil, que até então não tinha nenhuma lei nacional que estabelecesse regras para administrar o lixo produzido pela sociedade.
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Bicicleta faz coleta seletiva no centro de São Vicente

30/07/2010 - Andrea Vialli e Rejane Lima, Com Efe - O Estado de S.Paulo

Com uma caçamba em forma de caravela - símbolo da primeira cidade do País -, São Vicente, no litoral paulista, lançou ontem o ecociclo, uma bicicleta que ajudará na coleta seletiva nas ruas estreitas do centro do município.

Solução.O ecociclo recolhe lixo reciclável em ruas estreitas

"Nosso centro comercial é muito movimentado e, com as ruas estreitas, o caminhão da coleta cria problemas no tráfego", explica Márcio Papa, presidente da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi), órgão responsável pela coleta seletiva no município, que funciona desde 2004. Os caminhões passam uma vez por semana em cada bairro e recolhem 150 toneladas de material reciclável por mês.

O ecociclo vai circular diariamente pelo centro de São Vicente, das 9 às 17 horas, com um funcionário para recolher o material e depositá-lo em dois ecopontos para que, à noite, o lixo seja retirado por um caminhão. Construído pela prefeitura, o ecociclo custou cerca de R$ 3 mil e sua caçamba tem capacidade para carregar até 80 quilos.
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Nova multa de R$ 12 mil para lixo e entulho está valendo em São Paulo

30/07/2010 - Diário do Grande ABC / O Estado de S. Paulo

Começou a valer na terça-feira (27/07) a multa de R$ 12 mil para quem jogar lixo e entulho em local irregular de São Paulo. A sanção do prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi publicada nesta terça-feira no Diário Oficial de São Paulo. A multa pela irregularidade era de apenas R$ 500.

Além da multa, o veículo utilizado para transportar o lixo será apreendido e liberado somente após o pagamento da taxa.

A nova legislação também aumenta o valor da multa para concessionárias de água, energia ou eletricidade que abrem buracos em vias públicas e não concertam o estrago. Neste caso, elas deverão pagar multa de R$ 2 mil por metro quadrado de área danificada. A taxa será aplicada a cada 30 dias, até que o problema seja resolvido, e dobra em caso de reincidência.

A fiscalização será feita em parceria entre as secretarias de Coordenação das Subprefeituras e de Serviços, além das polícias Militar e Civil. A nova legislação faz parte do conjunto de medidas para o combate às enchentes na cidade. Entre o fim de 2009 e o começo de 2010, São Paulo sofreu com alagamentos quase diários por cerca de dois meses.

A Prefeitura de São Paulo, em parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), realiza inspeções semanais aéreas para identificar pontos de descarte de entulho. Atualmente, a Prefeitura tem mapeado 1.500 locais onde ocorre o depósito principalmente de restos de materiais de construção.

Calçada

A nova legislação também amplia a punição para as empresas e concessionárias de serviço público que não repararem os danos causados nas ruas e calçadas. A penalidade será de R$ 10 mil por metro quadrado de obra ou serviço executado sem alvará. Além disso, estabelece multa diária de R$ 2 mil por metro quadrado de área que for danificada e não reparada em vias ou passeios públicos. A punição será aplicada até o problema ser resolvido. Em caso de reincidência, o valor da multa dobra.

Números - Em 2009, foram aplicadas 5.544 multas para quem desrespeitou a lei da limpeza. Já nos primeiros meses deste ano, foram contabilizadas 3.917.
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Conjunto de "plantas marinhas" cai 40% desde 1950

30/07/2010 - Folha Online

A massa de fitoplâncton dos oceanos, organismos microscópicos aquáticos que fazem fotossíntese, desaparece em todo o mundo à taxa de 1% ao ano, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (28) na revista científica "Nature".


Desde 1950, a massa de fitoplâncton despencou em cerca de 40%, provavelmente por causa do impacto acelerado do aquecimento global, ressaltaram cientistas.

Desde 1950, a massa de fitoplâncton despencou em cerca de 40%, o que compromete a geração de oxigênio no mundo

O fitoplâncton tem grande importância para o equilíbrio da natureza porque esses microorganismos produzem cerca de metade da matéria orgânica da Terra e do oxigênio da atmosfera. Ele também consome grande parte de CO2, gás do efeito estufa.

Por isso, seu deficit deve afetar os processos climáticos e ciclos bioquímicos como o do carbono.

Esses organismos, constituídos principalmente por algas, são a base da cadeia alimentar animal marinha, de camarões a baleias.

© Editoria de Arte/Folhapress

Combustível


"O fitoplâncton é o combustível que move os ecossistemas marinhos", disse o principal autor do estudo, Daniel Boyce, professor da Universidade Dalhousie, na província canadense da Nova Escócia.

"Um declínio afeta toda a cadeia alimentar, inclusive os humanos", afirmou.

O ritmo deste declínio, maior nas regiões polares e tropicais coincidiu com o ritmo com que se aquecem as temperaturas da superfície dos oceanos, como resultado das mudanças climáticas, acrescentou o estudo.

Como todas as plantas, o fitoplâncton precisa de luz do sol e nutrientes para crescer.

Zona Morta

Mas oceanos mais quentes ficam mais estratificados, criando uma "zona morta" na superfície, onde menos nutrientes chegam das camadas mais profundas.

Segundo os cientistas, as descobertas são preocupantes.

"O fitoplâncton é uma parte crítica do nosso sistema de suporte planetário --ele produz metade do oxigênio que respiramos, reduz o dióxido de carbono na superfície e, por fim, sustenta toda a indústria pesqueira", explicou Boris Worm, coautor do estudo.

Boyce e seus colegas combinaram dados históricos e de alta tecnologia para medir a redução progressiva das minúsculas algas.

Em um estudo separado, também publicado na "Nature", uma equipe de cientistas chefiada por Derek Tittensor, também de Dalhousie, descobriu um vínculo estreito entre as temperaturas marinhas e a concentração de biodiversidade dos oceanos.

Em mais de 11.000 espécies, de zooplâncton a baleias, o único fator ambiental vinculado a todas elas é a temperatura.

"Este vínculo sugere que o aquecimento dos mares, como o provocado pela mudança climática, pode rearranjar a distribuição de vida marinha", disse Tittensor em um comunicado.
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Em 30 anos um quinto dos manguezais do mundo foram devastados

Um novo relatório das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma) e da The Nature Conservancy constatou que as florestas de mangue estão sendo perdidas no mundo a uma taxa impressionante: desde 1980, um quinto dos manguezais do mundo foram destruídos.

Manguezais na Indonésia devastados para a aquicultura e a agricultura
© Rhett A. Butler

Mangues, que crescem em solução salina de habitats costeiros, estão desaparecendo quatro vezes mais rápido do que outras florestas. Estão sendo destruídos em grande parte pela a aquicultura, agricultura e desenvolvimento costeiro no mundo inteiro. Segundo o relatório, mesmo os manguezais remanecentes são frequentemente degradados.

Como as florestas de mangue em todo o mundo desaparecem (com uma taxa de 0,7 por cento ao ano), os pesquisadores estão começando a compreender sua importância integral. As florestas servem como viveiros para uma grande variedade de peixes marinhos, que sustentam a pesca mundial e garantem a segurança dos alimentos complementares em alguns países em desenvolvimento. Além disso, eles armazenam grandes quantidades de carbono e fornecem proteção contra a erosão.

Os manguezais são também o habitat de um número ímpar de espécies terrestres, como a ave beija-mangue (Amazilia boucardi) endêmica da Costa Rica ou o grande morcego Sheathtail (Emballonura furax) endêmico da Nova Guiné.

"Dado o seu valor, não pode haver nenhuma justificação para mais perdas de manguezais", disse Emmanuel Ze Meka, chefe da Organização Internacional das Madeiras Tropicais, que ajudou a financiar o relatório, à Reuters.

Estudos recentes têm mostrado que os manguezais também são essenciais para a proteção de bens e vidas diante de ferozes tempestades tropicais. Durante o devastador tsunami de 2004 no sudeste da Ásia, regiões com manguezais sofreram menos danos do que aquelas sem.

Em todo estima-se que os manguezais fornecem pelo menos US $ 1,6 bilhões em serviços do ecossistema, anualmente, no entanto, apesar da sua importância no novo relatório do PNUMA demonstra que as sociedades não estão freando sua perda.
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Por que centenas de pinguins mortos estão aparecendo nas praias brasileiras? As 3 principais teorias.

27/07/2010 - Kathryn Yao / Aol News

A chefe regional do IBMA Ingrid Maria Furlan Oberg disse que a população de pingüins mortos ainda está dentro da normalidade para esta época do ano, como relatou ao
The Epoch Times. "Acreditamos que isso aconteceu por causa da frente fria, que os trouxeram de uma só vez", disse Oberg.

Isla Magdalena, Chile. Lar de aproximadamente 150 mil Pinguins de Magalhães

A partir de meados do dia 10 de julho, os pinguins foram aparecendo mortos ou quase mortos, nas praias do litoral sul do Estado de São Paulo, como relata a Associated Press.

Até agora, cerca de 500 aves tiveram esse destino. A maioria são pinguins de Magalhães que migram para o norte em direlção ao Brasil, vindos da Argentina, Chile e Ilhas Falkland. Em um ano típico, a cerca de 100-150 pingüins chegam às praias vivos após a longa caminhada em direção norte, com apenas 10 ou pouco mais aparecendo mortos, disse Thiago do Nascimento, biólogo do aquário de Peruíbe, à AP.

O que fez este ano diferente? Ninguém sabe ainda. Abaixo, as três principais hipóteses avançadas para o que está causando as estranhos e inquietantes mortes.

1. As mudanças climáticas

Alguns cientistas acreditam que as temperaturas mais frias e as ondas do oceano estão provocando maior gasto de energia para os pinguins que nadam para atingir os seus destinos, tendo um efeito fatal. Outros cientistas acreditam que o derretimento do gelo na Antártida, aumentou o fluxo da corrente das Malvinas tornando vulneráveis os pingüins jovens e inexperientes.

2. Perturbação humana

Necropsias têm mostrado que as aves morrem com os estômagos vazios, o que levou os especialistas a acreditarem ser a fome a primeira causa de morte, e por culpa da sobrepesca. Nesta teoria, o aumento da concorrência para a sua alimentação torna difícil para os pingüins capturarem o suficiente para sobreviver. "Os pinguins estão lidando com redes de pesca ... e todos os tipos de problemas",
disse Lauro Barcellos, diretor de um museu de oceanografia no sul do Brasil, ao Seattle Times.

3. Derramamento de óleo no Uruguai
Um vazamentos em 2008, perto do porto de Montevidéu, pode ter esgotado as populações de peixes até o ponto onde os pingüins não tem outra escolha senão a nadar ainda mais ao norte que o normal para uma fonte de alimento mais abundante na água morna. Mas ao percorrerem longas distâncias, aumentam os riscos de serem lançados fora do ciclo migratório.
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Abertura da 1ª Mostra de Arte e Meio Ambiente acontece nesta sexta-feira

21/07/2010

O Instituto EcoFaxina estará presente expondo fotos e informações sobre o trabalho que vem desenvolvendo na Baixada Santista.


O litoral de São Paulo recebe no mês de julho a I Mostra Surf Art Brazil – Cultura e Meio Ambiente. São mais de 15 artistas retratando o surf e a vida marinha em telas originais e esculturas.

A exposição idealizada por Fernando Bari e Erick Wilson, reúne além da mostra de arte, exibição de curtas metragens, espetáculo de dança havaiana, réplicas de pranchas de surf de 1910 à 2010, palestras e workshops com Ong´s e projetos ambientais, e ainda pinturas de murais com crianças regidas pelos artistas Erick Wilson, Serapião e Alexandre Huber.


A mostra será exibida no Palácio das Artes, um complexo cultural completo, com teatro, museu, sala de cinema , e salão de exposições e galerias com excelente infra-estrutura para receber exposições de arte na Praia Grande e de fácil acesso.


A iniciativa de Fernando Bari e Erick Wilson em levar a cultura surf para dentro da prefeitura de Praia Grande teve o apoio da curadoria do Palácio das Artes – Prefeitura de Praia Grande, um importante passo para o acesso da Surf Art em órgãos públicos, levando arte e cultura ao conhecimento de todos.


A exposição será aberta em 23 de julho com coquetel no saguão principal do palácio e abertura oficial por membros da prefeitura de Praia Grande, com cerimônia e dança havaiana recebendo os convidados.

- Período da exposição: 24 de Julho a 14 de agosto de 2010
- Horários: terça a sábado das 10:00 às 18:00 h

- Local: Palácio das Artes – Praia Grande

- Endereço: Av. Costa e Silva, 1.600 – Praia Grande – SP
Ao lado do Litoral Plaza Shopping

- Estacionamento no local
- Entrada Gratuita


Para mais informações acesse: www.surfartbrazil.com
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Lixo cresce mais do que a economia e a reciclagem

15/07/2010 - Tierramérica

A produção de lixo no Brasil cresceu 8%, 70 gramas diárias por pessoa, em 2009, apesar de ter sido um ano de crise econômica.


Por outro lado, a coleta seletiva de lixo aumentou apenas 0,7%, limitando-se a 7% dos municípios.

Esses dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais revelam falta de políticas públicas para a reciclagem.

Entre os municípios mais avançados, destaca-se Londrina, no Estado do Paraná, onde a coleta seletiva chega a 85% dos domicílios e é executada por meio de projetos sociais.

“Os catadores respondem pela coleta, obtêm renda com esse trabalho e são treinados para educar a população”, explicou ao Terramérica a gestora da atividade no município, Marilys Garani. “As estatísticas comprovam que os gastos da prefeitura com o lixo baixaram desde a implantação do projeto”, acrescentou.
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Resíduos sólidos nos manguezais: um problema ignorado

15/07/2010 - Bianca Pinto Vieira / UFSC

Estudos sobre o impacto de resíduos sólidos em regiões costeiras são, em geral, realizados com foco apenas nas praias. Pouca atenção tem sido dispensada aos ecossistemas de manguezal neste aspecto.

Diversos resíduos sólidos urbanos encalhados no manguezal. Os resíduos se enroscam nos pneumatóforos e galhos dos mangues.
© Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

Há um costume humano de ocupar áreas litorâneas devido à maior disponibilidade de recursos oferecidos pelo ambiente. Nos últimos dois séculos, o adensamento urbano e a explosão populacional nas localidades próximas à costa vêm pressionando os sistemas biológicos naturais. Um dos grandes problemas observados com crescimento urbano nos ambientes costeiros é o acúmulo de resíduos, que contribui para a degradação da fauna e flora locais.


Estudos sobre o impacto de resíduos sólidos em regiões costeiras são, em geral, realizados com foco apenas nas praias. Pouca atenção tem sido dispensada aos ecossistemas de manguezal neste aspecto.


Os ecossistemas dos manguezais são considerados essenciais na reprodução, proteção e alimentação de diversas espécies. Animais como aves, peixes, camarões, caranguejos e moluscos passam parte de seus ciclos de vida nos manguezais. Desta forma, tais ecossistemas possuem vital importância na manutenção e conservação da biodiversidade brasileira, incluindo espécies ameaçadas e de considerável valor econômico, como o guará (Eudocimus ruber) e a tainha (Mugil platanus).


Apesar de todo o conhecimento sobre os manguezais, sua importância parece ser apreciada apenas nos livros e artigos científicos. Pois as políticas públicas e ações civis continuam a negligenciar sua existência. Aterros clandestinos, deposição de esgoto, queimadas e pesca indiscriminada são problemas constantes nos manguezais. E mesmo com uma legislação ambiental os interesses político-econômicos abrem brechas nestas para a realização de atividades danosas ao ambiente.

Rede de pesca e tijolo incrustado por mexilhões (Mytilus edulis) e cracas (Balanus glandula) encalhados no capim praturá (Spartina alterniflora). Muitos resíduos trazem espécies exóticas. Outros acabam se tornando locais de fixação e moradia para espécies nativas, porém isto pode ser um problema grave dependendo da natureza do material, que pode ser cortante ou de formato difícil para a saída o animal.
© Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

Pouco ainda se sabe sobre a dinâmica de encalhes de resíduos sólidos urbanos nos manguezais, contudo é de conhecimento comum que este ecossistema sofre impactos diferenciados em cada região. Estudos recentes apontam que a morfologia vegetal é um fator importante no encalhe de resíduos. Vegetações mais densas nas bordas funcionam como uma malha que impede a entrada de muitos resíduos na floresta do manguezal. Também o praturá (Spartina alterniflora) tem esse efeito. Quando a maré sobe trazendo os resíduos, o capim impede sua chegada ao interior da mata. Por um lado este processo é positivo, pois impede que os resíduos adentrem e afetem mais intensamente o interior do manguezal. No entanto, são essas vegetações densas de borda que abrigam ovos e juvenis de diversos animais marinhos, do berbigão (Anomalocardia brasiliana) ao robalo (Centropomus spp.). Ocasionando maior impacto dos resíduos justamente no início do ciclo de vida de muitas espécies.


Outro aspecto no encalhe de resíduos sólidos é a proximidade de áreas urbanas e turísticas. A quantidade de resíduos praticamente duplica quando são analisadas áreas de manguezal mais próximas de residências, centros urbanos, portos e praias, por exemplo. Estima-se que os resíduos destas fontes cheguem aos manguezais por via direta, com descarte desde água de lastro e embalagens até móveis e escombros, ou indireta, por ação dos ventos e maré.

Rede de pesca enrolada nos galhos de mangue-preto (Avicennia schaueriana). Muitas redes que se prendem aos galhos e raízes dos mangues acabam sendo perigosas armadilhas. Aves acabam se enroscando nestas redes quando pousam nos galhos, andam pelos pneumatóforos ou em seu vôo por entre os galhos, podendo vir a óbito. Quando a maré sobe, muitos peixes também se enroscam nestas redes e acabam morrendo.
© Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

O descarte direto de resíduos e da água de lastro por navios é uma grave fonte de resíduos e animais exóticos invasores. Os locais próximos a portos são os que mais sofrem desequilíbrios ambientais pelo descarte da água do lastro de navios de carga.

Os bueiros de escoamento de água pluvial das áreas urbanas são uma das vias de chegada dos resíduos, pois são indevidamente utilizados como lixeira e saída de esgoto. O problema deste uso irregular dos bueiros está não só na inutilização desta ferramenta em tempos de chuvas, já que o entupimento impede o escoamento de água, como também no fato de que, na maioria das cidades costeiras, o destino final destas redes é o mar. E do mar, com auxílio dos ventos, os resíduos (boa parte flutuante) seguem para os manguezais.

Já as praias, influenciam na presença da maioria do material plástico encontrado. Trata-se de produtos característicos de frequentadores de praias, os quais podem ter side descartados indevidamente e, levados ao mar, chegam aos manguezais também por ventos e correntes.

Chinelo com algas encalhado entre os pneumatóforos de mangue-preto (Avicennia schaueriana).
© Bianca Pinto Vieira / Projeto Manguezal

O modo como o crescimento populacional sem infraestrutura avança em áreas costeiras é insustentável. Uma das melhores alternativas é a compatibilização de atividades sócio-econômicas e conservação dos recursos costeiros através da efetivação da fiscalização e de ferramentas políticas como os planos de gerenciamento costeiro e balneabilidade.

A preocupação global, principalmente da rede turística, com a qualidade de vida e conservação do ambiente é de grande auxílio no processo de manejo ambiental. Os municípios costeiros, principalmente os que possuem atividades turísticas vinculadas às belezas naturais, devem se preocupar com a melhoria constante de balneabilidade, presença de resíduos sólidos urbanos, infraestrutura e segurança.

Para tentar amenizar as pressões antrópicas no ambiente, é preciso utilizar as diversas ferramentas a nosso dispor, desde investimentos científicos, iniciativas político-econômicas até atividades sociais, educação ambiental e mudanças individuais de hábitos. É necessário partirmos da teoria para a prática e agirmos sem discriminações neste processo de ensinamento, ação e aprendizado.

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Política Nacional de Resíduos Sólidos deve ser regulamentada neste ano

15/05/2010 - Cristina Ávila / MMA

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) deverá ser sancionada, por meio de um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento que está previsto para ser realizado em 2 de agosto. Mas, antes disso, todos os ministérios que têm relação com o tema devem se manifestar, e, se houver propostas de veto, devem ser encaminhadas para a Casa Civil. O Ministério do Meio Ambiente está empenhado para que o Executivo regulamente a lei até o final deste ano. A PNRS foi aprovada pelo Senado no último dia 7, depois de duas décadas em tramitação no Legislativo.

Regulamentar a legislação que trata dos resíduos sólidos significa definir detalhes que não estão na PNRS. "Por exemplo, uma de suas determinações é o cronograma da logística reversa de eletro-eletrônicos e lâmpadas de vapores mercuriais", diz o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Silvano Silvério. Ele coordenou o processo de debate entre Executivo e Congresso para aprovação da matéria. Silvério explica que a política nacional nomina várias cadeias de produção que passarão a ser responsáveis pela reutilização de materiais que fabricam, para evitar que sejam jogados no lixo, como embalagens, pneus, lubrificantes.

Já está definido na lei que a logística reversa será resultado de acordos setoriais da indústria com a participação do poder público. "A regulamentação poderá prever prazos em que devem acontecer esses acordos e suas metas, e as cadeias produtivas devem se organizar para prepará-los. A legislação fala também dos planos regionais e microrregionais, cujos prazos também poderão ser previstos no decreto presidencial", diz Silvério. Somente os planos municipais têm a determinação legal de estarem prontos em dois anos. Depois da regulamentação, as legislações estaduais devem se adaptar à PNRS, mas não há prazos previstos para cumprirem essa tarefa.

Embora a PNRS tenha sido amplamente debatida com a sociedade antes de sua aprovação pela Câmara Federal e pelo Senado, a lei voltará a debate público na fase da regulamentação. Para isso, no dia seguinte à aprovação pelo Legislativo, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, recomendou à Comissão Técnica Tripartite Nacional que traga dos estados e municípios sugestões a serem incluídas no decreto presidencial. Essa comissão é uma instância de articulação institucional criada pelo MMA para ação compartilhada dos órgãos ambientais dos três níveis de governo para eficiência das políticas públicas. Silvano Silvério explica que a avaliação das demandas que deverão constar da nova lei deverá ser feita de forma conjunta por vários órgãos do governo federal.

Contribuição lusitana - A subdiretora geral da Agência do Ambiente de Portugal, Luisa Pinheiro, e o diretor e o administrador da Empresa Geral de Fomento (EGF) do país, Artur Cabeças e Carlos Martins, estiveram no dia 12 em reunião com Silvano Silvério. O governo português tem um acordo de cooperação com a Secretaria de Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, que por sua vez tem convênio com o MMA, e assim foi feito o convite para o grupo vir a Brasília. Eles apresentaram a estrutura criada em seu país para o tratamento de resíduos sólidos, pois têm um Plano Nacional desde 1996. Dessa estrutura consta um instituto para o monitoramento do cumprimento da lei. Os representantes lusitanos recentemente já haviam participado de uma reunião do MMA com 18 estados, em Salvador (BA), para avaliação dos planos estaduais.

Embora as proporções sejam muito diferentes, pois Portugal tem apenas 10 milhões de habitantes, o país tem contribuições a oferecer. Em 1996, tinha lixões em 70% dos municípios; hoje não tem em nenhum. Eles criaram consórcios intermunicipais e interfederativos, como o Brasil começa a desenvolver, e assim conseguiram solucionar o problema. E até 2016 devem ter reciclados 20% de seus resíduos e 35% do lixo orgânico. "Isso significa 55% de reciclagem e reutilização. Eles ainda vão gerar energia com 25% dos resíduos", comenta Silvano Silvério.
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No Brasil, lista de peixes ameaçados pode ser 6 vezes maior

10/07/2010 - Reinaldo José Lopes / Folha de São Paulo

A lista oficial de espécies ameaçadas no Brasil elenca 133 peixes sob risco de sumir no país, mas o número verdadeiro pode ser entre quatro e seis vezes maior, revela um novo levantamento.

O estudo, publicado recentemente na revista científica de acesso livre "PLoS One", mostra como a biodiversidade dos rios do país anda mal das pernas. Embora o Brasil abrigue a maior variedade de peixes de água doce do planeta, com quase 2.600 espécies registradas em 2007, 819 delas são classificadas, na pesquisa, como potencialmente ameaçadas.

A lista de espécies levantada pela pesquisa abrange, em geral, bichos de pequeno porte, não muito conhecidos do público, mas nem por isso menos importantes.

Segundo Buckup, no ecossistema dos rios, essas espécies ocupam uma posição intermediária entre os insetos e as grandes espécies de peixes migratórios.

São animais como piabas, cascudos e coridoras, esses últimos importantes economicamente por serem apreciados pelos aquaristas.

"É importante lembrar que esse número se refere apenas às espécies com distribuição geográfica restrita", disse à Folha o ictiólogo (especialista em peixes) Paulo Buckup, do Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

"Há também as espécies migratórias, de grande porte, as quais, em muitos casos, também sofrem ameaças sérias."

Buckup e seus colegas da ONG Conservação Internacional, do Museu de Zoologia da USP e de outras instituições tomaram como base, na análise feita, 540 microbacias hidrográficas, pertencentes às grandes redes de rios do país.

Nessas pequenas bacias, eles mapearam as espécies que só ocorrem em tais regiões delimitadas, cujos registros feitos por cientistas são relativamente escassos.

Segundo critérios internacionais, esse fato já é suficiente para considerá-las vulneráveis ao sumiço permanente. Com esse método, os cientistas chegaram ao número de 819 espécies.

Imagem: Editoria de Arte/Folha de São Paulo
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Mudanças no Código Florestal prejudicam o meio ambiente

08/07/2010 - Maria de Lourdes Nunes - Fundação O Boticário

As propostas de alteração do Código Florestal, que prevêem a redução das Áreas de Preservação Permanente (APP) e reservas legais, são um exemplo de que ainda prevalece no Brasil uma política voltada a interesses particulares em detrimento dos interesses coletivos. Infelizmente, ainda não conseguimos ultrapassá-la.

Os defensores dessas propostas de mudanças não medem as conseqüências delas para a manutenção dos ciclos ecológicos, que garantem não só a vida no planeta, mas também, a curto e médio prazos, as atividades econômicas que são as justificativas para essas mesmas alterações. A falta de cobertura vegetal natural diminui os nutrientes do solo e o deixa vulnerável a processos erosivos, o que o empobrece e inviabiliza a atividade agrícola em pouco tempo.

As reduções propostas trazem outros graves prejuízos. Ao diminuir as áreas naturais em relação ao que determina a atual legislação, a vegetação e os animais ficam mais vulneráveis à ação de fatores externos como ventos, queimadas e à alteração do micro clima por efeito dos raios solares que entram na área com mais intensidade, colocando em risco as espécies que vivem ali.

A qualidade da água também é afetada. Com o solo mais exposto, ela fica mais suja, pois recebe maior quantidade de sedimentos, restos de culturas agrícolas e agrotóxicos, provocando, inclusive, o aumento dos custos de tratamento.

Além disso, há as tragédias provocadas pelas chuvas em diferentes partes do país. A floresta conservada ajudaria a segurar a força das águas das chuvas, mas quase não há mais remanescentes de florestas nos topos de morros (que são APPs, segundo o Código Florestal), sendo esse um dos motivos das tragédias recentes no Rio de Janeiro. À beira dos rios a situação é semelhante. Sem a cobertura vegetal original e construções muito próximas às margens, quando há excesso de chuvas, não há espaço para a expansão das águas, o que provoca enchentes.

O Código Florestal brasileiro é um dos mais modernos e avançados do mundo e, ao contrário do que se tem dito, tem fundamento. As suas indicações de tamanhos de área de reserva legal e APPs que precisam ser mantidas para conservar a biodiversidade local eram válidas em 1965, quando entrou em vigor, e continuam sendo pertinentes até hoje.

Estudos recentes validam a legislação e indicam, inclusive, que se fosse para alterá-la, a mudança deveria ser feita ampliando as áreas mínimas de preservação, jamais as diminuindo. As APPs ao longo de rios deveriam ser ainda maiores, com pelo menos 200 m de área florestada de cada lado, para que haja uma plena conservação da biodiversidade. Na Amazônia, a manutenção de corredores de 60 m (30 m de cada lado do rio), limite mínimo atual, conserva apenas 60% das espécies locais.

Outra proposta de alteração é a sobreposição das reservas legais às APPs, o que também seria um equívoco, pois elas são complementares em termos de conservação. A primeira propicia importantes serviços ecossistêmicos, como o controle de pragas, e aumento da polinização e da produtividade de algumas culturas. Já as APPs têm como função ambiental preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas, conforme especificado no artigo primeiro do Código Florestal.

Incorporar essas propostas de redução das áreas naturais ao Código Florestal seria um retrocesso e uma demonstração clara de que ainda nos falta a consciência de que dependemos da natureza para garantir o fornecimento de água doce, a regulação do clima, a qualidade do ar e a produção de alimentos. Precisamos ter limites e respeitá-los para vivermos em equilíbrio e preservarmos a vida na Terra.


Maria de Lourdes Nunes – engenheira florestal, mestre em Conservação da Natureza e diretora executiva da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza.
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Senado aprova Política Nacional de Resíduos Sólidos

08/07/2010 - Rafael Moraes Moura e Andrea Vialli - O Estado de S. Paulo

Proposta que compartilha responsabilidade entre união, estados, municípios e empresas segue para sanção presidencial

O projeto de lei que cria uma política nacional de resíduos sólidos foi aprovado ontem no plenário do Senado. A proposta – que tramitou no Congresso por 19 anos – determina que União, Estados e municípios elaborem planos para tratar de resíduos sólidos, estabelecendo metas e programas de reciclagem. Também proíbe lixões e afirma que cabe às indústrias o descarte de produtos eletrônicos, entre outros.


O sistema, chamado de logística reversa, deverá ser implantado por fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Com isso, depois de usados, itens como pilhas,baterias e pneus, além dos produtos eletroeletrônicos e seus componentes, deverão retornar para as empresas, que darão a destinação ambiental adequada.

O texto também destaca a importância de cooperativas ou associações de catadores de materiais reutilizáveis, que poder ser beneficiados com linhas de financiamento público. Pela proposta, e mbalagens deverão ser fabricadas com materiais que propiciem sua reutilização ou reciclagem. Também ficará proibida a importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos.

Ontem, o projeto foi aprovado por quatro comissões do Senado e, horas depois, em votação simbólica no plenário da Casa. Em março, havia passado na Câmara dos Deputados, graças a um acordo de líderes. Agora, para virar lei, precisa ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O texto final é resultado de um longo debate entre Congresso, governo, empresários e ambientalistas, que começou a tomar forma em 1989.

“Vai mudar da noite pro dia? Não, porque é um trabalho de conscientização, em que todos vão estar comprometidos a obedecer a uma legislação”, comentou o senador César Borges (PR-BA), relator do projeto em três comissões.

Avanço

Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que compareceu ao Senado para acompanhar a votação, os resíduos sólidos são o maior problema ambiental do País. Em sua avaliação, o projeto institucionaliza a reciclagem dentro da cadeia produtiva nacional. “É possível reciclar, lucrar, ter estratégias de gestão moderna, ganhar dinheiro com impostos e com tecnologia de equipamentos."

A aprovação da lei nacional também foi comemorada por empresários ligados ao setor de coleta e destinação do lixo. De acordo com Carlos Roberto Vieira Filho, diretor da Abrelpe, entidade que reúne as empresas de tratamento de resíduos, a aprovação da lei vai combater a informalidade no setor. “Hoje, 43% dos resíduos coletados no País têm destino inadequado. A lei trará a modernização do tratamento do lixo no País”, afirma.

Segundo ele, um dos principais avanços que a lei trará é a implementação da logística reversa, especialmente para itens como eletroeletrônicos ao fim de sua vida útil. “A lei coloca o Brasil em uma posição avançada. A logística reversa segue o mesmo princípio das diretivas europeias para lixo eletrônico.”

Na avaliação de Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da fabricante de embalagens Tetra Pak, outro ponto positivo da lei é a criminalização dos lixões, que incentivará investimentos em novas tecnologias para tratar o lixo. “Não teremos mais só aterros, mas também mais coleta seletiva, reciclagem e incineração dos resíduos”, diz.
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Entendendo o vazamento de petróleo nos EUA

07/07/2010 - IHU On-line

Diante da dimensão do desastre, as embarcações empregadas na limpeza realizam um trabalho quase irrelevante

As informações que chegam à população são de que pelo menos cinco mil litros de óleo vazam diariamente do “buraco” do poço de petróleo que sofreu acidente no Golfo do México. Este volume é cinco vezes maior do que o estimado quando a plataforma que extraia óleo deste poço afundou. A IHU On-Line conversou com o professor de Geologia da Unisinos, Gerson Fauth, sobre as implicações técnicas para conter o vazamento e se há chances de ocorrer algo semelhante no Brasil, que, com o pré-sal, começa a investir pesado na extração de petróleo. A entrevista foi realizada por telefone. “Nesse final de semana, uma tormenta forte deve chegar à região e empurrará o óleo em direção ao litoral. Esse vazamento deve levar até dois meses para ser estancado, e isso causará uma série de consequências no litoral sul dos Estados Unidos, principalmente para a população da Louisiana. Como essa região é pantanosa, o problema é mais grave ainda. Isso porque, se o óleo entrar nessa região de pântano, será impossível retirá-lo”, disse.

Gerson Fauth é mestre em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor em Geologia pela Universitat Heidelberg (Alemanha). Atualmente, é professor do PPG em Geologia da Unisinos, onde ministra as disciplinas de Bioestratigrafia e Ostracodes.

IHU On-LinePara entendermos a questão do vazamento do petróleo no Golfo do México. Porque o processo de contenção do óleo é tão demorado?

Gerson Fauth – As condições de onde está sendo retirado esse óleo são de mar profundo. Existe uma série de dificuldades técnicas para se chegar a esse lugar e ter condições para pegar todo esse petróleo que está jorrando do poço. Este óleo, quando sai do “buraco” que se abriu, tende a migrar para a parte mais superficial, mais leve e, na medida em que sai do poço, se espalha bastante, impactando uma área gigantesca. A imprensa tem dito que eram cinco mil barris por dia, mas a conta pode ser muito maior do que essa.

IHU On-LineQue implicações técnicas são necessárias para a contenção desse vazamento?

Gerson Fauth – A implicação técnica exata ninguém sabe ao certo. Esses tipos de problemas que ocorreram agora não são muito comuns. Ainda assim, há uma série de precauções que devem ser tomadas quando se vai perfurar para extrair o óleo, é preciso ter muitas válvulas e portas que são trancadas caso exista um erro. Comenta-se que uma determinada válvula que precisava ser colocada, não foi. A British Petroleum não tomou certas precauções para evitar problemas que decorreram nessa catástrofe ecológica. Ou seja, houve uma economia que causou esse problema. Quando é uma empresa séria, esse tipo de situação não ocorre.

IHU On-LinePor quanto tempo se sofrerá com as consequências desse vazamento?

Gerson Fauth – Não se sabe ainda ao certo. Nesse final de semana, uma tormenta forte deve chegar à região, e ela deve empurrar o óleo em direção ao litoral. Esse vazamento levará até dois meses para ser estancado, e isso vai causar uma série de consequências no litoral sul dos Estados Unidos, principalmente para a população da Louisiana. Como essa região é pantanosa, o problema é mais grave ainda. Isso porque, se o óleo entrar nessa região de pântano, será impossível retirá-lo. Provavelmente, muitas gerações vão sofrer com as consequências desse desastre.

IHU On-LineQue danos ambientais, especificamente, esse vazamento pode causar?

Gerson Fauth – Os mais prejudicados são os ambientes pantanosos no sul dos EUA. Dessa forma, o desastre atinge as aves que vivem sobre a água e a própria população ribeirinha que vive da pesca. Imagine um lugar pantanoso, muita água, pouca energia, poucas ondas, que é invadido por um óleo que bate nos troncos e nas folhas. Dificilmente ele vai ser retirado. A mesma coisa aconteceu no Alasca, só que num lugar pedregoso. Lá, as pedras foram “lavadas” e o problema praticamente solucionado. Como lavar um lugar pantanoso? Quando chega na areia é fácil de tirar, mas nos pântanos não.

IHU On-LineAlgo parecido pode acontecer no Brasil?

Gerson Fauth – É pouco provável. Bom, pode acontecer com qualquer sonda, qualquer plataforma no mundo em que não sejam tomadas as devidas precauções. As chances de isso acontecer no Brasil são pequenas, porque as empresas que trabalham aqui são mais sérias. No caso dos EUA, houve uma espécie de “quarteirização”, pois uma empresa cedeu à outra empresa, que cedeu para uma terceira. No final, ninguém se responsabilizou e assumiu a culpa. Mas a BP, que é uma das maiores petroleiras do mundo, está sendo culpada por ser a principal responsável por aquele poço, embora ela não estivesse naquele lugar, naquele momento.

IHU On-LineO Brasil teria condições de amparar um problema assim?

Gerson Fauth – Nenhum país tem condições. Os EUA são o país mais rico do mundo, com melhor tecnologia, com os profissionais mais capacitados, e não conseguem resolver o problema. O presidente Obama está sendo humilhado por não conseguir contornar a situação. Ninguém está preparado para isso.

IHU On-LineEsse vazamento no Golfo do México pode mudar de alguma forma a economia do petróleo?

Gerson Fauth – Eu entendo que não, não muda nada. Agora, o que muda é que haverá maiores estudos a respeito de aperfeiçoamento de técnicas para evitar esse tipo de problema no futuro. Na história da extração do petróleo no mundo, existiram vários vazamentos, mas nenhum tão intenso, tenso e catastrófico para o meio ambiente como esse. E também este vazamento no Golfo do México só está na mídia porque é nos EUA. A Nigéria está vivendo o mesmo problema e não está na mídia. O que é lamentável, pois sempre que uma catástrofe como essa acontecesse, a população e o mundo deveriam ser alertados.


O vídeo abaixo mostra uma sequência de fotos do vazamento no Golfo do México tiradas pelos satélites Terra e Aqua da Nasa.



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Aquário de Santos completou 65 anos com muita educação ambiental

06/07/2010 - IE
As atividades comemorativas aconteceram na área externa à saída do Aquário, constituídas por Gincana, exposição em tendas dos trabalhos ambientais desenvolvidos pelo Núcleo de Educação Ambiental do Aquário de Santos, Instituto Ecofaxina, Projeto Tia Egle, Patrulha da Alegria, Instituto de Pesca, Surf Recycle e SABESP.

Nas três tendas do Aquário teve a Pescaria, Bola no Baiacu, Oficina de Origami e exposição de Material da Taxidermia.

A gincana educativa contou com a participação do Grupo de Escoteiros do Mar Almirante Barroso e do Instituto EcoFaxina / Projeto Tia Egle (15 estudantes de cada instituição).

Às 9 horas deu-se início a palestra "Ecologia e Fauna de Praias Arenosas Oceânicas" com a bióloga do aquário Maricene Santos dos Passos. Às 10 horas começaram as oficinas de Pintura facial e escultura de bolas com distribuição de pipoca e algodão doce. Com base no tema da palestra as equipes da gincana observaram alguns animais e responderam questões sobre ecologia de praias arenosas. Por volta das 10:30h foram expostos os animais confeccionados com materiais recicláveis para julgamento da equipe do aquário. Os animais confeccionados pelas crianças ficarão expostos no aquário. Às 11 horas começou a Palestra com Marina Klink e suas filhas Marina, de dez anos, e as gêmeas Laura e Tamara, de 13, que narraram suas aventuras pela Antártica.

Durante o evento houve ainda Caça ao Tesouro, onde 15 enigmas foram apresentados aos dois grupo da gincana, que tiveram que encontrar as peças e falar sobre a ecologia do animal encontrado, montando um painel com a zonação dos animais no ecossistema de praia arenosa e o Jogo da Despoluição (quebra-cabeça com perguntas e resposta sobre ecologia).

No encerramento foi cantado parabéns pelos 65 anos com a presença do coral infantil da LBV, houve a distribuição de pedaços de bolo e a premiação da gincana, que terminou empatada, com kits de livros e doces.



Clique aqui e confira as fotos do evento.
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Estudo mostra que mercúrio é ainda mais perigoso no mar

01/07/2010 - Agência FAPESP

As concentrações de mercúrio em água doce são muito maiores do que as encontradas em água salgada. Entretanto, ao serem ingeridos, são os peixes de mar que oferecem mais riscos à saúde humana.

A afirmação é de um estudo feito por pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e publicado neste domingo (27/6) no site da revista Nature Geoscience.

O motivo é a própria água do mar. A versão potencialmente perigosa do mercúrio é o metilmercúrio (C2H6Hg), que se une à matéria orgânica dissolvida em água doce e, no mar, liga-se ao cloreto, ou seja, ao próprio sal.

“O modo mais comum por meio do qual a natureza transforma o metilmercúrio em uma forma menos tóxica é por meio da ação da luz solar. Quando o metilmercúrio é ligado à matéria orgânica dissolvida, como plantas ou animais decompostos, a luz do sol quebra a molécula”, disse Heileen Hsu-Kim, professora assistente de engenharia civil da Universidade Duke e um dos autores do estudo.

“Entretanto, na água do mar, o metilmercúrio permanece fortemente ligado ao cloreto, não sendo degradado com facilidade pela luz solar. Nessa forma, ele será ingerido por animais marinhos”, explicou.

O metilmercúrio é uma neurotoxina potente que, uma vez ingerida, pode provocar problemas nos rins, no sistema nervoso e até mesmo morte. A ingestão da substância é particularmente perigosa nos casos de gravidez, podendo causar problemas neurológicos na criança.

Como peixes e frutos do mar têm tendência natural de armazenar metilmercúrio em seus órgãos, eles são a principal fonte de ingestão do metal em humanos.

Quando introduzido na cadeia alimentar, o mercúrio se torna bioacumulativo e acaba se concentrando em maiores quantidades nos organismos topo de cadeia.

“A exposição ao mercúrio é consideravelmente elevada nos Estados Unidos. Um levantamento epidemiológico recente verificou que 8% das mulheres tinham níveis de mercúrio mais altos do que o limite considerado ideal. Uma vez que os humanos estão no topo da cadeia alimentar, qualquer quantidade de mercúrio nos alimentos se acumula em nosso corpo”, disse Heileen.

Segundo a cientista, o estudo reforça a importância de direcionar pesquisas e políticas de controle do mercúrio para a água salgada. Até hoje, a maior parte dos esforços tem sido direcionada à presença do metal em água doce.

Atualmente, destaca Heileen, cientistas contam com tecnologia capaz de medir com eficácia as concentrações de mercúrio na água do mar, que são menores - e, portanto, mais difíceis de identificar - do que na água doce.

“Como o metilmercúrio não é quebrado pela luz solar na água do mar, sua vida é muito maior ali do que na água doce”, disse. O mercúrio chega à água por muitas rotas. As fontes mais importantes são a combustão de carvão, o refino de ouro e de outros metais não ferrosos e erupções vulcânicas.

O artigo Photolytic degradation of methylmercury enhanced by binding to natural organic ligands (doi: 10.1038/ngeo892), de Tong Zhang e Heileen Hsu-Kim, pode ser lido por assinantes da Nature Geoscience em www.nature.com/ngeo.
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