Pesquisadores estimam haver 250 bilhões de microplásticos no Mar Mediterrâneo

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20/01/2011 - Mongabay 

Uma expedição científica realizada em 2010 por um programa europeu chamado Mediterranean En-Dangered (MED), revela que 250 bilhões de microplásticos flutuam no Mar Mediterrâneo. O objetivo principal do programa, que terminará em 2013, é quantificar a poluição por plástico e melhor compreender sua dinâmica no Mar Mediterrâneo.


Microplásticos são geralmente definidos como partículas de plástico menor que 5 milímetros, portanto, grande parte dessa poluição é invisíveis aos olhos humanos.

As coletas foram realizadas dentro de 20 centímetros de profundidade em 40 pontos localizados em baías a noroeste do Mar Mediterrâneo, próximos a França e Itália. Noventa por cento das amostras continham microplásticos, algumas com até seis vezes mais partículas de plástico em relação ao plâncton, o que significa que a biomassa marinha foi amplamente dominada por plásticos. Em geral, esses  pequenos resíduos flutuantes no Mar Mediterrâneo atingiram 115 mil partículas por quilômetro quadrado, com um máximo de 892 mil partículas.

A concentração de plástico encontrado no mar é semelhante ao medido no Atlântico Norte ou "Giro do Pacífico Norte", como é conhecido, que possui uma enorme densidade de detritos plásticos. No entanto, estes primeiros resultados devem ser aplicados com precauções para todo o Mar Mediterrâneo, já que os locais de amostragem foram limitados geograficamente.

A quantidade de plástico que será fabricada nos próximos dez anos será quase igual ao total produzido no século 20. O plástico é um dos principais contribuintes para a poluição marinha. Os efeitos finais causados pelos microplásticos em organismos e no ambiente marinho são ainda desconhecidos.

Foi constatado que mais de 180 espécies absorvem resíduos plásticos, incluindo espécies planctófagas (que se alimentam do plâncton). Por exemplo, estudos de laboratório mostraram que a espécie de krill Euphasia pacifica ingeriu fragmentos de polietileno com 20μm (micrometros).

Nenhuma pesquisa analisou micro-plásticos nos sedimentos do oceano profundo, até agora o foco foi somente a superfície do oceano. Portanto, a magnitude da poluição por plástico nos mares e oceanos é mal compreendida, mas descobertas científicas como a do programa MED são muito preocupantes.

A falta de conhecimento sobre os efeitos e destino dos micro-plásticos do ambiente marinho não devem nos impedir de fazer o que for possível para parar a entrada de plásticos no Mar Mediterrâneo, que já enfrenta uma enxurrada de problemas ambientais. Uma expressiva redução no micro-plástico deve ser uma prioridade nesta década.
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