Ursos polares são os animais mais contaminados por toxinas

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30/01/2011 - EcoD

Um estudo da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU, na sigla em inglês) revelou que os ursos polares são os animais mais contaminados pelas toxinas produzidas pelos seres humanos e despejadas no meio ambiente.


De acordo com a pesquisa, o problema começa na Europa, Ásia e América do Norte, quando os poluentes industriais e agrícolas são lançados na água e no ar e seguem até o norte graças às correntes marinhas e atmosféricas.

Imagem cortesia de G. Holloway, Institute of Ocean Sciences, Sidney, British Columbia.
Para mais informações acesse: http://www-sci.pac.dfo-mpo.gc.ca/osap/

Essas substâncias acabam estacionando no Ártico e iniciam um processo de magnificação, ou seja, um acúmulo progressivo das substâncias tóxicas ao longo da cadeia alimentar por causa da redução da biomassa.

Assim, cada vez mais fragmentadas, essas substâncias tóxicas são consumidas por pequenos animais, o que justifica os pequenos índices de intoxicação verificados pelos pesquisadores nesses animais.

À medida que eles são capturados por outros maiores, as substâncias vão se acumulando nos organismos até chegar ao topo da cadeia. É assim que o urso polar acaba consumindo a maior quantidade de toxinas como bifenil policlorinado (PCB), retardantes de chamas e mercúrio.

A concentração das substâncias químicas acaba prejudicando a saúde dos animais, danificam os sistemas nervosos, de desenvolvimento e reprodução, além de causar estresse nos animais.

Além dos ursos, três espécies de baleias, além de focas, leões marinhos, morsa, martas e raposas árticas também apresentaram elevados índices de intoxicação.

Outros estudos

Uma pesquisa divulgada em 2002 pelo o Programa de Avaliação e Monitoramento do Ártico (Amap, na sigla em inglês) já revelou que a saúde dos ursos polares e das populações nativas do Ártico corre sério risco devido a toxinas humanas levadas pelo ar e pelo mar até a região.

“Algumas pessoas do Ártico estão entre as mais expostas do globo, porque as substâncias se acumulam em sua comida”, disse na época o grupo norueguês, integrante do Conselho Ártico.

O relatório, apresentado durante conferência sobre poluição do Ártico na cidade de Rovaniemi, na Finlândia, chegou a afirmar que os níveis de mercúrio entre algumas populações indígenas são suficientemente altos para afetar o desenvolvimento das crianças.

Os pesquisadores também alertaram para o aumento dos níveis de mercúrio na natureza. “Em longo prazo, as convenções internacionais e protocolos são as únicas maneiras de reduzir a contaminação. Mas levará muitos anos até que os níveis caiam”, disse à Reuters Helgi Jensson, presidente do Amap.

Ameaças

O derretimento das calotas polares também tem feito com que os ursos nadem percursos cada vez maiores para encontrar alimentos. Um grupo de cientistas norte-americanos acompanhou uma fêmea da espécie durante uma viagem de nove dias nadando pelo mar de Beaufort, no norte do Alasca, e registrou um percurso de 687 quilômetros durante o período.

O estudo ainda mostrou que a ursa chegou a perder 22% de gordura durante dois meses de acompanhamento. Outros estudos também já alertaram para a redução do número de filhotes da espécie.

Os ursos polares já estão listados pela União Internacional para Proteção da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) como espécie ameaçada, tendo em vista o seu habitat como uma “ameaça considerável”.
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