Lixo, um vai e vem de problemas

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16/03/2011 - Por William Rodriguez Schepis

Várias nações do mundo aprenderam muito com seus erros do passado, desenvolvendo soluções com o auxílio da ciência e da tecnologia ou apenas criando costumes sustentáveis. Infelizmente muitos países emergentes, como o Brasil, demoram um pouco para observar exemplos e transformá-los em lição.

Ainda na baixa idade média a Peste Negra assolou toda Europa e parte do Oriente, na época a percepção sobre o lixo se resumia sobretudo aos resíduos eliminados pelo organismo, como fezes, urina, pus e restos mortais. Nesse período as populações sofriam com inúmeras doenças e com o terrível mau cheiro, comum pelas ruas das cidades

A epidemia foi tão terrível que não havia mais lugares para enterrar os mortos e seus corpos ficavam a céu aberto

Naquela época para a maioria dos países o que era considerado lixo era queimado ou enterrado, porém grande parte ficava exposto atraindo vermes, insetos, ratos e claro muitas bactérias, que até então “não existiam”. Incomodados com todos os problemas gerados pelo lixo, gregos e romanos começaram a exigir que seus resíduos fossem levados para fora dos limites de suas cidades, tornando-se uns dos primeiros povos comprometidos com a limpeza pública.

Após a revolução industrial o lixo orgânico, quase totalitário anteriormente, começou a ser alcançado em volume pelos resíduos sólidos descartáveis, que são inodoros. Quem sabe por isso permaneçam locais inadequados, pois não fedem, não incomodam a priori. Talvez fosse interessante se tais artefatos plásticos de uso descartável, como embalagens, tivessem algum composto que após um certo período de tempo começassem a exalar um forte odor fétido, talvez assim chamassem mais atenção a posteriori.

Felizmente, muitos pesquisadores, atentos a escalada do lixo, vem alertando governantes e cidadãos sobre as nefastas consequências que vem causando a nossa saúde e a saúde do planeta. Hoje estima-se que 7 milhões de toneladas de resíduos são lançados anualmente em nossos mares e oceanos, causando a morte de cerca de 100 mil tartarugas, 100 mil mamíferos e 1 milhão, sim, 1 milhão de aves. As causas diretas para tantas mortes nos oceanos são: emaranhamento, sufocamento, afogamento, estrangulamento e inanição, pois muitos animais se sentem satisfeitos ao ingerir plástico confundido com alimento e acabam não absorvendo nutrientes vitais, tornando-se vulneráveis a doenças e predadores.

A pouco tempo atrás, pesquisadores em uma expedição pelo Oceano Atlântico encontraram peixes de valor comercial com pedaços de plástico em meio ao conteúdo estomacal, indicando que o plástico e seus compostos nocivos já entraram em nossa cadeia alimentar, o que significa que a nossa saúde está em risco também. Fora das praias e oceanos o lixo descartado na natureza também está afetando a nossa saúde. Aqui na Baixada Santista, onde desenvolvemos ações voluntárias de limpeza, frequentemente somos ameaçados por fortes surtos de dengue.

Em nossa última ação realizada dia 20 de Fevereiro na Ilha Porchat, recolhemos em cerca de 3 horas 325 quilos de resíduos plásticos. Por toda encosta da ilha é fácil observar muitas embalagens acumulando água das chuvas, o que propicia a proliferação do mosquito. As recomendação dos agentes contra a dengue deveria ser limpem calhas, ralos, pratinhos de vasos E TODA MARGEM DO ESTUÁRIO DE SANTOS.

Convenhamos, se um dos maiores cartões postais da Baixada Santista, a Ilha Porchat, encontra-se assim, imaginem outras áreas naturais onde as empresas de limpeza pública não atuam. Eu digo, pois já inspecionamos algumas praias sem acesso viário e matas com trilhas da região. O que vimos? Muito lixo!

Margem do estuário na região insular do município de Santos
© Instituto EcoFaxina

Confira matéria relacionada publicada pelo Ministério do Meio Ambiente:
Cuidados com o meio ambiente ajudam a combater a dengue
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