O lixo nos oceanos ameaça animais, a economia e a saúde humana, adverte a ONU

Compartilhe:

29/03/2011 - ONU

O lixo marinho tem efeitos de longo alcance sobre os habitats, biodiversidade, saúde humana e à economia global

Com uma vasta quantidade de lixo marinho responsável por múltiplas ameaças, desde prejudicar a vida selvagem, o turismo e abastecer a cadeia alimentar humana com toxinas causadoras de câncer, na sexta-feira passada a conferência das Nações Unidas lançou um apelo para uma ação orquestrada contra um mal presente em todos os mares do mundo.

Na Baixada Santista enormes quantidades de lixo são diariamente descartadas no mar indiscriminadamente. Acima, o lixo acumulado entre as palafitas em Santos.
© Instituto EcoFaxina

Em uma declaração de compromisso emitida no final da reunião de uma semana, em Honolulu, Havaí, especialistas de governos, organismos de pesquisa, empresas e associações comerciais ressaltaram a necessidade urgente de melhorar a gestão global dos resíduos, expressando preocupação com a crescente presença de restos de plástico, entre outros resíduos descartado nos oceanos, nas regiões costeiras, ou que indiretamente alcançam o mar através de rios, esgotos, água da chuva ou ventos.

"O lixo marinho - lixo nos oceanos - é um sintoma de nossa sociedade descartável e nossa abordagem à forma como usamos nossos recursos naturais", disse o Diretor Executivo do Programa Ambiental da ONU (UNEP), Achim Steiner, cuja agência organizou a reunião em cooperação com a NOAA. "Isso afeta todos os países e todos os oceanos, e nos mostra em termos altamente visíveis a urgência de mudarmos para uma economia de baixo teor de carbono, uma economia verde sustentável", acrescentou em uma mensagem aos delegados da conferência, que incluia peritos de cerca de 35 países, governos, instituições científicas, empresas como a Coca-Cola Company e associações comerciais, tais como Plastics Europe.

"Uma comunidade ou um país agindo isoladamente não será a resposta. Temos que abordar a poluição marinha coletivamente, além das fronteiras nacionais e com o setor privado, que tem um papel fundamental a desempenhar, tanto na redução dos tipos de resíduos que podem acabar nos oceanos do mundo, quanto através de pesquisas sobre novos materiais. Reunindo todos todos os "jogadores" podemos realmente fazer a diferença."

O Compromisso de Honolulu emitido no final da 5ª Conferência Internacional sobre Lixo Marinho, convoca "organizações internacionais, governos, indústrias, organizações não-governamentais (ONGs), os cidadãos e outras partes interessadas" para frear e inverter a ocorrência do lixo marinho, minimizando os resíduos e os transformando novamente em recurso de forma ambientalmente sustentável.

Citando o impacto negativo do lixo marinho, a UNEP cita cerca de 270 espécies em todo o mundo que são afetadas por entrelaçamento ou ingestão do lixo marinho, incluindo 86% das espécies de tartarugas marinhas, 44% de todas as espécies de aves marinhas e 43% dos mamíferos marinhos.

"Há uma crescente preocupação sobre o impacto na saúde humana de substâncias tóxicas liberadas pelos resíduos do plástico no oceano", acrescentou, notando que os cientistas estão estudando contaminantes associados ao câncer, problemas reprodutivos e outros riscos à saúde, que podem entrar na cadeia alimentar quando animais marinhos ingerem plástico. Além disso, o lixo acumulado nas praias e nas costas pode ter um sério impacto econômico sobre as comunidades que dependem do turismo e da pesca, pois os resíduos podem abrigar espécies invasoras, perturbando os habitats e ecossistemas marinhos. Os materiais pesados ​​contidos entre o lixo marinho também pode danificar habitats como os recifes de corais e afetar os hábitos de forrageamento e alimentação de animais marinhos.

A gestão de resíduos é um dos 10 setores econômicos em destaque no Relatório Economia Verde lançado mês passado pelo PNUMA, que destaca as oportunidades para transformar os resíduos no continente, o maior contribuidor para o lixo marinho, em um recurso economicamente importante. O valor dos resíduos para o mercado de energia, por exemplo, foi estimado em US$ 20 bilhões em 2008 e está projetado para crescer 30% até 2014.

Em um importante relatório emitido há dois anos - Lixo Marinho: Um Desafio Global - o PNUMA detalha as ações humanas, acidentais ou intencionais, fontes de lixo marinho. Os geradores nos oceanos incluem os navios da marinha mercante, os navios de cruzeiro, embarcações de pesca e militares, bem como plataformas de petróleo e gás, equipamentos de perfuração, e a aquicultura. Em terra, os culpados são as praias, piers, marinas, portos e aterros urbanos localizados no litoral, bem como rios, estuários e lagos que são utilizadas como locais de despejo ilegal, as descargas de esgoto urbano não tratado adequadamente e de águas pluviais, instalações industriais e resíduos hospitalares.
.