Degradação de ambientes costeiros aumenta emissões de CO2

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04/04/2011 - Marina Estarque* / ONU

Cientistas alertam que a área mundial de mangues devastada entre 1980 e 2005 continua a colocar na atmosfera 175 milhões de toneladas de carbono por ano, o equivalente às emissões anuais da Venezuela ou da Holanda.

O Grupo de Trabalho em Carbono "Azul" Costeiro se reuniu em Paris para avaliar os impactos da destruição desses habitats.

A equipe é formada por 32 cientistas marinhos, de diferentes países, e apoiada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

Território da Bélgica

Segundo eles, dados globais mostram que os pântanos, mangues e ervas marinhas estão sendo degradados rapidamente. Entre 1980 e 2005, 35 mil km2 de mangue foram destruídos, o equivalente ao território da Bélgica.

A remoção destas plantas significou a liberação na atmosfera de 175 milhões de toneladas de carbono por ano, montante equiparado às emissões anuais da Venezuela ou da Holanda.

Esponja de CO2

Isso ocorre porque o carbono, além de estar localizado nas plantas, está retido há milhares de anos nas camadas de solo abaixo delas. Umas vez retirada a vegetação, o gás continua a ser expelido por muito tempo.

O entulho que é despejado incessantemente nas margens do estuário de Santos impede o crescimento da vegetação de mangue. Acima, plântulas da espécie Avicennia schaueriana perdem a luta para o entulho na Zona Noroeste de Santos. Os propágulos de outra espécie (Rhizofora mangle)por serem maiores e precisarem de mais espaço, não conseguem ao menos se fixar ao substrato.
© Instituto EcoFaxina


De acordo com os pesquisadores, os pântanos, mangues e ervas marinhas funcionam como esponjas de CO2 e, quando são devastados, se tornam grandes emissores do gás. Apesar desses ecossistemas constituírem apenas 1% do total da biomassa em solos e florestas no mundo, eles fazem circular a mesma quantidade de carbono que os 99% restantes.

No estuário de Santos a ocupação das margens começa pelo desmatamento e aterramento, para a construção de submoradias. Não bastasse a derrubada das árvores, a poluição finaliza a destruição do ecossistema. Acima, submoradia na margem estuarina da cidade de São Vicente.
© Instituto EcoFaxina

Os pântanos, mangues e ervas marinhas podem ter armazenados cinco vezes mais CO2 que as florestas tropicais, uma vez que eles sequestram o gás a um ritmo 50 vezes maior que qualquer outro tipo de mata.
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* Editado por Instituto EcoFaxina
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