Tubarão-baleia é destroçado por sonda de perfuração operada pela Petrobras

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26/04/2011 - IEF

Espécie é considerada em risco vulnerável de extinção

A sonda de perfuração semi subersível West Taurus pertence à Seadrill e no momento encontra-se em contrato de perfuração para a Petrobras. É uma sonda de sexta geração, o que há de mais moderno em termos de perfurção off shore.

O animal foi sugado por um dos enormes bow thrusters da sonda, equipamento propulsor que fornece maior manobrabilidade.

Foi uma fatalidade, infelizmente, mas que nos leva a uma profunda reflexão a respeito dos impactos de nossas atividades na Natureza. Até onde podemos interferir no Meio Ambiente? Deixo a pergunta para que todos possam refletir.

Confira as imagens feitas pelo ROV Hércules 13, da Subsea 7, embarcado no RSV CBO Rio.







É ou não é para se refletir?

Agora digam, quem cruzou o caminho de quem?

Não estamos dando a devida importância a certas coisas e podemos pagar muito caro por isso.

Poluição sonora

O IFAW, Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal, afirma que as barulhentas sondas de perfuração deveriam ser totalmente proibidas. O grande problema é que as atividades que facilitam essa situação - navegação comercial e extração mineral - fazem parte de uma economia interligada.

O diretor do IFAW, Robbie Marsland, afirmou que ninguém mede as conseqüências para os animais, e, a não ser que a comunidade internacional se conscientize, os danos serão descobertos "tarde demais".

A poluição sonora dos oceanos causa mudanças físicas e comportamentais na vida marinha, especialmente em golfinhos e baleias, que são guiados por sons em suas atividades diárias. Em 2001 e em 2003 lulas gigantes foram encontradas mortas na costa das Astúrias, na Espanha, após o uso de armas de pressão usadas para prospecção e batimetria por embarcações offshore. Todas as causas de lesões nestas espécies foram descartadas, sugerindo que as mortes poderiam estar relacionadas à exposição ao ruído excessivo.

O pesquisador Michel André, da Universidade Técnica da Catalunha, em Barcelona, examinou os efeitos da exposição sonora - similar à que a lula gigante deve ter experimentado nas Astúrias - em cefalópodes (polvo, lula e choco,molusco semelhante à lula que tem dez tentáculos) e todos sofreram grandes traumas na forma de lesões severas nas estruturas auditivas.

Os pesquisadores colocaram 87 cefalópodes expostos a uma intensidade relativamente baixa de som de baixa freqüência (entre 50 e 400 Hertz) e examinaram seus estatocistos, estruturas em forma de balão, cheias de líquido, que ajudam esses invertebrados a manter o equilíbrio e a posição. Depois da exposição, os cefalópodes apresentaram danos nas células ciliadas dos estatocistos. Com o tempo, as fibras nervosas incharam e eventualmente grandes buracos apareceram - as lesões ficaram gradualmente mais pronunciadas nos examinados muitas horas depois da exposição.

Se a exposição curta de baixa intensidade do nosso estudo pode causar danos, o impacto da poluição sonora contínua e de baixa intensidade nos oceanos deve ser considerável - disse André. - Por exemplo, podemos dizer que como os estatocistos são responsáveis pelo equilíbrio e pela orientação espacial, o dano à sua estrutura pode afetar a habilidade de caça, de fugir dos predadores e até de se reproduzir.

O efeito da poluição sonora na vida marinha varia de acordo com a proximidade do animal das atividades e também com a frequência do som. Com o aumento da exploração, transporte, escavação e outras atividades em larga escala, é provável que essas atividades se sobreponham às rotas migratórias e áreas frequentadas pela vida marinha.

Cifras astronômicas

Com um programa quinquenal de investimentos de US$ 224 bilhões, a Petrobrás é a empresa que lidera as contratações de sonda em todo o mundo.

Há um problema sério de tempo, pois a empresa tem projetos de exploração cujo prazo termina em 2014, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, e a produção desses equipamentos está atrasada. E ainda não estão definidas as regras para a contratação das sondas de que a estatal necessitará para explorar o pré-sal.

Os números assustam. Como vem mostrando o jornalista Norman Gall na série da qual o Estado vem publicando um capítulo por mês, as demandas de equipamentos são imensas. Para explorar e desenvolver os poços em águas profundas, a Petrobrás precisará encomendar 330 geradores de turbina, 612 mil válvulas, 10 mil quilômetros de cabos elétricos submarinos, 17 mil quilômetros de tubos flexíveis, 4,8 milhões de toneladas de aço, milhares de peças de equipamentos submarinos, 68 milhões de homens-hora de engenharia e 1 bilhão de horas de trabalho para a construção e montagem dos poços.

A indústria brasileira não tem escala para atender a essa demanda, carece de tecnologia e de mão de obra treinada, não dispõe de capital para investir no montante exigido e reclama - justamente - do peso excessivo dos tributos que a onera mais do que seus concorrentes externos. Não são problemas que possam ser resolvidos a tempo de assegurar o fornecimento no ritmo, na qualidade, no preço e nas especificações técnicas exigidas pela indústria de petróleo.

A licitação das quatro sondas, que seriam fornecidas apenas por empresas brasileiras, foi suspensa porque a Petrobrás estava disposta a pagar até US$ 2 milhões por dia pelo afretamento das quatro, mas as ofertas que recebeu, como mostrou reportagem do Estado na terça-feira, variaram de US$ 639 mil a US$ 740 mil por dia cada uma. A intenção da empresa era estimular a produção no Brasil desses equipamentos e utilizá-los ao longo de 20 ou 30 anos, por meio de afretamento.

A saída para o País é comprar de fornecedor mais confiável, ainda que estrangeiro, como parece ser agora a disposição da estatal com as quatro sondas.

Fontes: Portal Marítimo/O Globo/O Estado de S. Paulo
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