No Dia Mundial dos Oceanos, uma boa notícia: Manguezais ganham importância dentros das novas regras de crédito de carbono

Compartilhe:

08/06/2011 - IEF

No Dia Mundial dos Oceanos, poderíamos enumerar aqui dezenas de fatos apavorantes em relação a recuperação e conservação de manguezais no Brasil. Entretanto, um novo método tem sido adotado para o cálculo do papel que a recuperação de manguezais desempenham na desaceleração das mudanças climáticas, através da captura e armazenamento de dióxido de carbono da atmosfera. Este novo método valoriza ainda mais esse ecossistema crucial para a saúde dos oceanos e consequentemente do planeta Terra.


Além de "berçário" para diversas espécies de organismos marinhos, novas pesquisas apontam que os manguezais exercem um papel fundamental na regulação do clima no planeta.

A metodologia é adotada sob a Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, como parte do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo que apóia projetos de redução de emissões nos países em desenvolvimento.

Isso dará um impulso significativo aos esforços para restauração de florestas de manguezais, que crescem em regiões costeiras tropicais e sub-tropicais, fornecem uma ampla gama de serviços biológicos, tais como "berçário" para juvenis e mecanismo de captura e armazenamento de carbono.

"O fato é que esta nova metodologia agora é parte do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e nos permitirá alcançar resultados semelhantes a de outros tipos de ecossistemas costeiros e marinhos", disse Carl Gustaf Lundin, diretor do Programa Marinho e Polar Global da IUCN. "A adoção de novas políticas e mecanismos de financiamento para a proteção e gestão dos nossos oceanos deve focar soluções para a mudança climática baseadas na própria natureza."

Só recentemente o importante papel dos manguezais na captura de carbono da atmosfera e armazenamento no sedimento começou a ser reconhecido. Muitos cientistas acreditam que os manguezais são muito mais eficientes na captura de carbono que as florestas tropicais e temperadas, cujo papel como reguladores do clima tem sido reconhecido e estabelecido por mais tempo.

A metodologia foi desenvolvida pelo IUCN, Ramsar e Sylvestrum para o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e foi baseado em experiências de campo em uma parceria de 3 anos com a Danone. O projeto foi iniciado pela empresa de água e alimentos Danone e sua marca Evian, em parceria com a IUCN e a Ramsar, que implementou iniciativas de restauração de manguezais, juntamente com grandes comunidades locais na África e na Ásia.

"A nova metodologia vai abrir oportunidades para a restauração de manguezais em uma escala muito maior", diz entusiasmado Bernard Giraud, Vice-Presidente de Sustentabilidade da Danone. "Isso terá um impacto muito significativo nas comunidades locais e estimulará as empresas a fazer investimentos a nível corporativo e aproveitar novas oportunidades de captar carbono em zonas costeiras".

Os manguezais formam um dos vários ecossistemas costeiros que desempenham um papel importante na regulação do clima e são comumente referidos como soluções "Carbono Azul". Outros ecossistemas incluem estuários, marismas, restingas, lagoas costeiras, praias lodosas, bancos grama marinha, costões e fundos rochosos, recifes de coral.

Muitos manguezais são degradados através da construção de barragens, estradas e canais de irrigação a montante. A metodologia também reconhece a importância da regeneração automática dos manguezais, que pode ser alcançado através de alterações na hidrologia a montante ou "reumedecimento".

"A destruição de habitats costeiros libera enormes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera e destrói os meios de subsistência", diz o professor Nicholas Davidson, Secretário-Geral Adjunto da Convenção de Ramsar sobre Zonas Húmidas.

"A recuperação e proteção desses ecossistemas proporciona benefícios muito tangíveis para as populações locais em países tropicais e subtropicais, e aumenta a capacidade dos ecossistemas em armazenar carbono".

.