Ursos polares são os animais mais contaminados por toxinas

30/01/2011 - EcoD

Um estudo da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU, na sigla em inglês) revelou que os ursos polares são os animais mais contaminados pelas toxinas produzidas pelos seres humanos e despejadas no meio ambiente.


De acordo com a pesquisa, o problema começa na Europa, Ásia e América do Norte, quando os poluentes industriais e agrícolas são lançados na água e no ar e seguem até o norte graças às correntes marinhas e atmosféricas.

Imagem cortesia de G. Holloway, Institute of Ocean Sciences, Sidney, British Columbia.
Para mais informações acesse: http://www-sci.pac.dfo-mpo.gc.ca/osap/

Essas substâncias acabam estacionando no Ártico e iniciam um processo de magnificação, ou seja, um acúmulo progressivo das substâncias tóxicas ao longo da cadeia alimentar por causa da redução da biomassa.

Assim, cada vez mais fragmentadas, essas substâncias tóxicas são consumidas por pequenos animais, o que justifica os pequenos índices de intoxicação verificados pelos pesquisadores nesses animais.

À medida que eles são capturados por outros maiores, as substâncias vão se acumulando nos organismos até chegar ao topo da cadeia. É assim que o urso polar acaba consumindo a maior quantidade de toxinas como bifenil policlorinado (PCB), retardantes de chamas e mercúrio.

A concentração das substâncias químicas acaba prejudicando a saúde dos animais, danificam os sistemas nervosos, de desenvolvimento e reprodução, além de causar estresse nos animais.

Além dos ursos, três espécies de baleias, além de focas, leões marinhos, morsa, martas e raposas árticas também apresentaram elevados índices de intoxicação.

Outros estudos

Uma pesquisa divulgada em 2002 pelo o Programa de Avaliação e Monitoramento do Ártico (Amap, na sigla em inglês) já revelou que a saúde dos ursos polares e das populações nativas do Ártico corre sério risco devido a toxinas humanas levadas pelo ar e pelo mar até a região.

“Algumas pessoas do Ártico estão entre as mais expostas do globo, porque as substâncias se acumulam em sua comida”, disse na época o grupo norueguês, integrante do Conselho Ártico.

O relatório, apresentado durante conferência sobre poluição do Ártico na cidade de Rovaniemi, na Finlândia, chegou a afirmar que os níveis de mercúrio entre algumas populações indígenas são suficientemente altos para afetar o desenvolvimento das crianças.

Os pesquisadores também alertaram para o aumento dos níveis de mercúrio na natureza. “Em longo prazo, as convenções internacionais e protocolos são as únicas maneiras de reduzir a contaminação. Mas levará muitos anos até que os níveis caiam”, disse à Reuters Helgi Jensson, presidente do Amap.

Ameaças

O derretimento das calotas polares também tem feito com que os ursos nadem percursos cada vez maiores para encontrar alimentos. Um grupo de cientistas norte-americanos acompanhou uma fêmea da espécie durante uma viagem de nove dias nadando pelo mar de Beaufort, no norte do Alasca, e registrou um percurso de 687 quilômetros durante o período.

O estudo ainda mostrou que a ursa chegou a perder 22% de gordura durante dois meses de acompanhamento. Outros estudos também já alertaram para a redução do número de filhotes da espécie.

Os ursos polares já estão listados pela União Internacional para Proteção da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) como espécie ameaçada, tendo em vista o seu habitat como uma “ameaça considerável”.
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Internautas opinam sobre o mau hábito na hora de descartar o lixo

25/01/2011 - A Tribuna On-line


Conhecidas pelos seus belos jardins, que inclusive estão no Livro dos Recordes, as praias de Santos são o ponto preferido para os moradores da região e turistas. Nesta segunda-feira, a Cidade não deu conta de tanto lixo jogado na areia e à beia-mar.

Segundo a TV Tribuna, por volta das 11 horas ainda havia detritos. A Prefeitura foi procurada e informou que as equipes iniciaram a limpeza ainda de madrugada, mas que o feriado prolongado teria contribuído para que a situação ficasse fora de controle.

Além do lixo, a Cidade convive com os entulhos despejados em ruas e avenidas e, que, às vezes, ficam esquecidos por muito tempo. Esse mau hábito de jogar lixo no lugar errado acaba agravando o problema de alagamentos durante os temporais.

Para os internautas, que opinaram durante toda a segunda-feira no portal de A Tribuna On-line, em primeiro lugar, falta conscientização. "O problema do lixo não é tão simples, primeiro nossa cidade recebe muitos turistas, depois nós vivemos em uma sociedade de consumo onde a produção de detritos é bem grande, e depois a falta de educação e de conscientização da população é muito grande e isso não muda do dia para noite, infelizmente", diz Artur.

A internauta Maria Aparecida Neves Friedrichi acrescenta: "Mesmo se não houvesse lixeiras ao longo da orla e nos quiosques, as pessoas deveriam carregar seu lixo e depositá-lo nas lixeiras fixas e, em último caso, que levassem para suas casas. Lugar de lixo é no lixo, não é?".

Ambulantes

"A questão do lixo tem que passar também pela responsabilização dos carrinhos de ambulantes e dos bares e ambulantes fixos. Grande parte do lixo é resultado de suas atividades e eles devem participar tambem da solução", cita Marcos.


Bituca de cigarro

"Por que a Prefeitura não obriga os turistas e frequentadores de praia a usarem cinzeiros para os fumantes? Da dó ver uma criança brincando na areia em meio a bitucas de cigarros. Deveriam obrigar os donos de barracas a fornecer o cinzeiro, e quem tem seu próprio guarda-sol e cadeiras seria obrigado a levar seu cinzeiro também", sugere Rodrigo.
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Governo muda regras do Licenciamento Ambiental para a Perfuração

21/01/2011 - Rodrigo Cintra / Portal Marítimo

Governo Federal anuncia mudança nas regras de licenciamento ambiental para perfuração de poços de petróleo. Segundo informou o Panorama Político, do jornal O Globo, a alteração legal será feita por decreto da Presidente Dilma Rousseff. A intenção é derrubar a exigência de licenciamento por cada poço perfurado e conceder a autorização por campo de petróleo.

Em agosto, quando o Poder Online denunciou que os poços de Libra e Franco estavam sendo perfurados pela Agência Nacional de Petróleo, por meio da Petrobras, sem licença específica, a ANP sustentou que a operação era legal porque havia um acordo com o Ibama.

No entanto, especialistas ouvidos pelo Poder Online apontaram que a prática feria a Constituição Federal e a Lei de Política Nacional do Meio Ambiente (6938/81) e ainda alertavam para o risco – inclusive para os acionistas da Petrobras – que a ANP e o governo estavam correndo em caso de acidentes, por exemplo.

Agora, com a mudança de legislação, o governo reconhece que, durante todos esses meses, a ANP atuou fora das normas apenas para acelerar a exploração da camada pré-sal e turbinar o processo de capitalização da Petrobras.

- A pergunta é: como fica esse passado fora da lei? E a mudança é para pior. Cada poço tem características técnicas específicas. Basta lembrar que o acidente no México ocorreu em apenas um poço – afirma o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
Imaginem acontecendo algo semelhante a P-36 em Abrolhos:
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Cetesb vai multar Petrobras por vazamento em Cubatão

21/01/2010 - Rejane Lima / Agência Estado

A Petrobras será multada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em cerca de R$ 140 mil por permitir que resíduos oleosos da refinaria Presidente Bernardes cheguem sem tratamento ao Rio Cubatão, na Baixada Santista. Reincidente, a empresa foi advertida pelo mesmo motivo em 2 de outubro do ano passado e multada em 7 de janeiro pela mesma infração - lançamento de hidrocarboneto de petróleo da saída do tanque separador para o Rio Cubatão.

"Eles já tinham sido multados em 4 mil Ufesp (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo, que corresponde a R$ 17,45) e agora essa punição será dobrada", disse a gerente em exercício da agência da Cetesb em Cubatão, Maria Cecília Vall, que deverá lavrar a nova multa nos próximos dias.

Ela explicou que o problema foi detectado pela Cetesb no último dia 11 e desde então técnicos da companhia e da empresa estão trabalhando para conter o óleo. "Está saindo uma pequena lâmina, mas eles estão fazendo tudo para conter e a saída já diminuiu. Não é um vazamento grave nem trouxe danos à flora e à fauna, mas isso não importa, eles não podem deixar passar nada para o rio."

Segundo a Cetesb, a situação foi agravada pelas fortes chuvas das últimas semanas e o vazamento aconteceu por causa da falta de manutenção e limpeza (desassoreamento) da lagoa de decantação de resíduos oleosos que fica na planta da indústria, onde ocorre tratamento biológico do material. "A lagoa está assoreada e não foi percebido isso por causa da chuva. Esse produto da lagoa passa por um sistema até chegar a uma caixa, mas a lama da lagoa acabou entrando na caixa e assim saindo na canaleta de distribuição", explicou a gerente interina, afirmando que a companhia ambiental está acompanhando a situação 24 horas. "Nós estamos diariamente lá dentro porque a nossa arma é exigir e monitorar."

Em nota, a Petrobras negou que haja vazamento na refinaria Presidente Bernardes e divulgou que o que ocorre é o arraste de lodo do fundo das bacias de decantação da estação de tratamento da refinaria porque as fortes chuvas que têm atingido a região estão provocando um aumento na velocidade dos efluentes.

A estatal informou ainda que adotou todas as medidas solicitadas pela Cetesb para contornar o problema e que os efluentes da refinaria permanecem enquadrados na legislação ambiental em vigor, inclusive quanto aos parâmetros de óleo e graxa. A Petrobras divulgou também que "iniciará imediatamente a remoção do lodo do fundo das bacias, antecipando em quatro meses o cronograma proposto ao órgão ambiental em novembro último". 
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Pesquisadores estimam haver 250 bilhões de microplásticos no Mar Mediterrâneo

20/01/2011 - Mongabay 

Uma expedição científica realizada em 2010 por um programa europeu chamado Mediterranean En-Dangered (MED), revela que 250 bilhões de microplásticos flutuam no Mar Mediterrâneo. O objetivo principal do programa, que terminará em 2013, é quantificar a poluição por plástico e melhor compreender sua dinâmica no Mar Mediterrâneo.


Microplásticos são geralmente definidos como partículas de plástico menor que 5 milímetros, portanto, grande parte dessa poluição é invisíveis aos olhos humanos.

As coletas foram realizadas dentro de 20 centímetros de profundidade em 40 pontos localizados em baías a noroeste do Mar Mediterrâneo, próximos a França e Itália. Noventa por cento das amostras continham microplásticos, algumas com até seis vezes mais partículas de plástico em relação ao plâncton, o que significa que a biomassa marinha foi amplamente dominada por plásticos. Em geral, esses  pequenos resíduos flutuantes no Mar Mediterrâneo atingiram 115 mil partículas por quilômetro quadrado, com um máximo de 892 mil partículas.

A concentração de plástico encontrado no mar é semelhante ao medido no Atlântico Norte ou "Giro do Pacífico Norte", como é conhecido, que possui uma enorme densidade de detritos plásticos. No entanto, estes primeiros resultados devem ser aplicados com precauções para todo o Mar Mediterrâneo, já que os locais de amostragem foram limitados geograficamente.

A quantidade de plástico que será fabricada nos próximos dez anos será quase igual ao total produzido no século 20. O plástico é um dos principais contribuintes para a poluição marinha. Os efeitos finais causados pelos microplásticos em organismos e no ambiente marinho são ainda desconhecidos.

Foi constatado que mais de 180 espécies absorvem resíduos plásticos, incluindo espécies planctófagas (que se alimentam do plâncton). Por exemplo, estudos de laboratório mostraram que a espécie de krill Euphasia pacifica ingeriu fragmentos de polietileno com 20μm (micrometros).

Nenhuma pesquisa analisou micro-plásticos nos sedimentos do oceano profundo, até agora o foco foi somente a superfície do oceano. Portanto, a magnitude da poluição por plástico nos mares e oceanos é mal compreendida, mas descobertas científicas como a do programa MED são muito preocupantes.

A falta de conhecimento sobre os efeitos e destino dos micro-plásticos do ambiente marinho não devem nos impedir de fazer o que for possível para parar a entrada de plásticos no Mar Mediterrâneo, que já enfrenta uma enxurrada de problemas ambientais. Uma expressiva redução no micro-plástico deve ser uma prioridade nesta década.
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Para ministra, lixo e esgoto também são desafios ambientais

12/01/2010 - IHU

A bióloga Izabella Teixeira, 49 anos, fala rápido e lança questões dentro das próprias afirmações. Especialista em avaliação ambiental estratégica, a ministra do Meio Ambiente repete várias vezes a expressão "ampliar o debate" ou "construir a agenda", traindo a base técnica de quem tem doutorado em planejamento ambiental. Talvez por isso, e por lembrar que 80% da população brasileira vive em zona urbana, Izabella mire as cidades em sua gestão. "Lixo e esgoto são dois dos principais problemas ambientais deste país", diz, ao lembrar também que é preciso dar novo desenho à dinâmica de mobilidade das cidades brasileiras. Fala, emocionada, da invisibilidade dos catadores de lixo em um País campeão de reciclagem, mas que não os enxerga nem reconhece nas políticas públicas. "Eles, os catadores, são verdadeiros ecologistas de plantão."

A nova ministra ao lado da presidente Dilma Rousseff

A reportagem e a entrevista é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 12-01-2011.

Nascida em Brasília e funcionária de carreira do Ibama há 26 anos, Izabella fala em consenso e convergência. É assim que enxerga as políticas de clima e de biodiversidade, de recuperação de áreas degradadas a partir de estudos de viabilidade econômica, das políticas ambientais em harmonia com as de desenvolvimento. "Caso contrário", vaticina, "cada um vai para um lado."

Braço-direito do então ministro Carlos Minc, assumiu a pasta em abril de 2010, quando ele deixou o MMA para lançar a campanha a deputado estadual no Rio de Janeiro, e foi confirmada no cargo pela presidente Dilma Rousseff. Sem o espírito midiático do antecessor e muito diferente da personalidade inspiradora de Marina Silva, a nova ministra fala em diálogo: "O Ministério do Meio Ambiente tem que ser um ministério facilitador, que formule políticas com outros parceiros. Nós não fazemos nada sozinhos", explica em frase-síntese da marca que quer imprimir à sua gestão.

Ela parece também querer dar ares internacionais ao ministério, acompanhando a estatura que o país começa a assumir. Diz que o Brasil tem que liderar a pauta de florestas no mundo e que, aqui dentro, há que se pensar no aumento das áreas protegidas no mar. Enxerga os outros países amazônicos como parceiros e pretende trabalhar projetos em comum. Passou o último dia do ano reunida com uma delegação chinesa, falando sobre planejamento estratégico dos recursos hídricos. Tem na mesa um projeto que lhe é particularmente caro e está discutindo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário - dar destino nobre ao enorme volume de madeira ilegal apreendida na fiscalização do desmatamento. Ela pretende articular um programa de construção de casas aos povos da floresta, que não vivem em habitações de alvenaria. "A partir do crime ambiental a gente traz cidadania ambiental", imagina.

Eis a entrevista.

Quais são as suas prioridades neste início de gestão?

Na agenda ambiental é meio complicado dizer onde priorizar. Melhor pensar o que é estratégico.

Qual será a sua marca no ministério?

Quero mencionar quatro ou cinco coisas que serão importantes na gestão. O Brasil tem uma importância estratégica no cenário internacional nas questões ambientais. É um líder e tem que assumir essa liderança não só no setor público como no privado. Temos que atuar entendendo quais as implicações dos grandes debates econômicos e sociais do planeta nas questões ambientais. E não ficar restritos aos fóruns tipo conferências, mas participar de reuniões que sejam importantes.

Por exemplo...?

Se há uma discussão relevante em fóruns econômicos, ou em relações bilaterais, com a Alemanha, Portugal, China, é fundamental que o ministério participe com uma agenda sólida de debate e interlocução.

No dia 31 de dezembro, a senhora se reuniu com uma delegação chinesa. Qual a pauta?

O chefe da delegação era o ministro dos Recursos Hídricos da China e nós fechamos um entendimento de cooperação em recursos hídricos. Aliás, temos muito interesse na cooperação ambiental com a China.

O que isto significa?

Cooperar na experiência de gestão estratégica e de riscos no planejamento de recursos hídricos, e no uso desses recursos, em particular para a geração de energia. Nós fizemos o plano estratégico do Araguaia-Tocantins, por exemplo, em que se prevê a conciliação do uso múltiplo das águas com a agenda do desenvolvimento. Os chineses têm interesse nisto.

Eles têm interesse no jeito em que a gente faz esses estudos?

Na maneira em que a gente faz, na formação e qualificação de quadros, na troca de experiências e de tecnologias.

E como é que vocês fazem? Olham a bacia hidrográfica e estudam seu uso?

A Agência Nacional de Águas faz os planos estratégicos das bacias hidrográficas do país. Estamos discutindo agora, por exemplo, a margem direita do Amazonas. Planejamos, em função dos vários usos, sugerimos os limites e damos diretrizes de como aquilo pode ser usado. Já estão ali as usinas hidrelétricas desenhadas e as futuras. No caso do Araguaia-Tocantins, a reflexão que fizemos em relação à importância da biodiversidade local, do turismo, do abastecimento, do uso para irrigação e para a pecuária levou o presidente Lula a decidir excluir o Médio Araguaia de qualquer aproveitamento hídrico com relação à geração de energia.

E é nesse tipo de coisas que os chineses estão interessados?

Estão interessados no uso de instrumentos como esse para tomada de decisão. Também estão interessados no nosso monitoramento de vulnerabilidade a enchentes.

A senhora tem dito que tem uma agenda imensa de trabalho. Por onde começar?

Na pauta da biodiversidade, temos um desafio monumental de trabalho para os próximos dois anos, no pós-Nagoya, com vistas à CoP-11, na Índia, onde vamos discutir os recursos financeiros necessários. Até lá pretendemos ter consolidado nossas áreas protegidas, mas também pensado na sua expansão, especialmente nos ecossistemas marinhos e costeiros, onde está nossa maior deficiência. As metas de Nagoya recomendam que se tenha 17% de áreas protegidas nos ecossistemas terrestres e 10% nos marinhos. No mar nós só temos 1,5%.

Temos que discutir onde fazer estes parques?

Onde, como, se são só parques, se podemos conciliar usos, como potencializar recursos. Vamos ter que discutir com toda a sociedade. Aí tem a convergência de biodiversidade com a agenda de clima. Temos que pensar onde podemos estar mais vulneráveis, onde está o risco. Sem falar nas florestas, que é um tema absolutamente estratégico para o Brasil. Somos o país com a maior extensão de florestas do planeta e temos que ter liderança nessa agenda. Precisamos pensar não só na conservação, mas na recuperação de áreas degradadas com uso econômico de maneira sustentável. Temos que pensar quais as áreas degradadas deste país e qual a economia que podemos associar a elas.

Qual é esta área, quanto temos de áreas degradadas?

Esse número é um mistério. Já ouvi desde 20 milhões a 60 milhões de hectares. Cada um diz uma coisa porque cada um tem um conceito sobre o que é área degradada. Aqui temos que ter a visão da expansão da infraestrutura no Brasil para pensar em custos e competitividade. Podemos ter área degradada onde não se consegue implantar nada porque não se consegue transportar.

Está longe de tudo?

Porque ali as estradas deixaram de existir ou transportar por estradas não é a melhor via. Qual é o modelo? São vários, não há um único. Mas é claro que em um país com esta extensão e que, no cenário mais conservador, tem 20 milhões de hectares de áreas degradadas, não tem sentido desmatar e perder biodiversidade. Se tivermos uma reflexão de natureza estratégica e econômica, poderíamos construir ali, a médio prazo, situações que chamamos de win-win. Temos que ver qual é a lógica de mercado, que mercado queremos induzir nessas áreas e cruzarmos com as questões sociais. Um exemplo disso é o exitoso projeto de óleo de palma, em escala menor, que o presidente Lula lançou em 2 milhões de hectares no Pará, em 2010. Queremos mostrar que é possível incrementar a produção agrícola, da agroecologia, da agricultura familiar, ter floresta plantada, ter incremento tecnológico e não provocar desmatamentos.

Isso na Amazônia...

No Cerrado ou até na expansão urbana. Um exemplo que acho fascinante foi o que aconteceu no Rio, com a Ingá Mercantil, que faliu na baía de Sepetiba. Cada dia que chovia no Rio de Janeiro a gente achava que aquilo podia romper e contaminar de metais pesados a baía, era um enorme passivo ambiental. Fizemos um arranjo econômico, houve um leilão, aquilo está sendo modernizado. Não tive de abrir novas áreas e recuperei a baía. Quando a gente fala de área degradada não é só rural. Isto é importante, 80% da população do Brasil é urbana. Temos que discutir a qualidade ambiental urbana. Vamos resgatar, com o Ministério das Cidades, a pauta das cidades sustentáveis. Tem muito o que debater, as áreas protegidas nas áreas urbanas, que pouco se fala no Brasil, por exemplo. Não discutimos qual é o processo de expansão das cidades nos diversos biomas. A dinâmica de expansão das cidades na Amazônia não é a mesma da dinâmica de expansão de cidades no Centro-Oeste ou no Sudeste.

Cidades sustentáveis? O que tem em mente?

Temos que trabalhar a mobilidade nas cidades e a poluição do ar associada a isso, e ainda, relacionar com um tema maior, que é o clima. Precisamos dar coerência às políticas ambientais. É importante que tenham coerência e convergência com as políticas de desenvolvimento. Caso contrário, cada um vai para um lado. Há uma pauta riquíssima em saneamento, em resíduos sólidos. O cidadão brasileiro tem que se apropriar da temática ambiental além da fronteira da fiscalização e do licenciamento. Isso tem a ver com a qualidade de vida dele, principalmente de quem vive nas grandes cidades

O que quer dizer?

Tem que compreender que é parte da construção dessas soluções. Fizemos uma pesquisa em 2009 sobre produção e consumo sustentáveis, que mostra o que as pessoas pensam sobre meio ambiente. A reciclagem, todo mundo acha ótimo, é surpreendente. Em 11 capitais, em todos os perfis de renda, todos concordam que a reciclagem é um passo estratégico para o ambiente. E quando se pergunta quais são os atores responsáveis pela reciclagem, 63 % apontam os catadores. Mas não se fala qual é o papel do catador nas grandes cidades brasileiras. Se os tirarmos das ruas, e eles são 800 mil, quanto temos que adicionar de serviço público? Essa é uma pergunta que nunca ninguém faz. Há um grande preconceito social em relação ao catador, as políticas públicas não o enxergam, não se inclui o catador na economia formal, as prefeituras não os remuneram. E isso é um desafio, reconhecer esses ecologistas de plantão. Sem falar que temos pela frente uma grande provocação.

Uma provocação? Qual?

Os grandes eventos que o Brasil vai sediar nesta década. Temos a Rio +20, a Copa, as Olimpíadas. São grandes intervenções que vão falar de temas ambientais. Vamos falar de sustentabilidade olhando para o futuro. Somos um país urbano.

Mas algum dia vamos enxergar que as estradas da Amazônia são os rios?

Temos que enxergar. As culturas locais têm que ser respeitadas. Vamos trabalhar com as populações tradicionais, com os assentados, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Temos um projeto de habitação rural que leva em conta que eu tenho 1 milhão de metros cúbicos de madeira apreendidos. Quero transformar isso em casas de madeira para populações tradicionais e assentados. Vamos ver se é viável e fazer. Temos responsabilidades com esse pessoal, eles cuidam da floresta para a gente e o Ministério do Meio Ambiente não cuida só da fauna e da flora. Assim, a partir do crime ambiental a gente traz cidadania ambiental, na forma de casas dignas para as populações extrativistas. E respeita a sua cultura. Eles não vivem em casas de alvenaria.
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Uma em cada cinco praias do Estado está imprópria para banho

07/01/2011 - Bruno Ribeiro/O Estado de S.Paulo

Segundo a Cetesb, 100% das opções da orla de Santos e mais da metade das de Caraguatatuba estão com problemas

Água muito suja próximo ao costão da Ilha Porchat
© Instituto EcoFaxina

As condições para banho nas 155 praias do Estado melhoraram nesta primeira semana do ano, em comparação com o mesmo período de 2010. Mas uma em cada cinco praias permanece imprópria, segundo o relatório da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Além disso, a situação deve piorar com as fortes chuvas no Estado.

A Cetesb classifica 34 praias como impróprias (duas delas com dois pontos de medição apontando mar inadequado: José Menino, em Santos, e Itaguá, em Ubatuba). Na primeira semana de 2010, eram 52 praias - o que representa uma redução de 34%.

Mas a própria companhia estadual afirma que essa melhora tem explicação meteorológica. A gerente do Setor de Águas Superficiais da Cetesb, Claudia Conde Lamparelli, diz que a chuva piora a balneabilidade das praias e, na primeira semana de 2010, choveu mais.

A explicação está na metodologia da Cetesb. Os pontos de medição detectam a quantidade de coliformes fecais vivos, que indicam se a água teve contato com esgoto. Quando chove, acontecem duas coisas que pioram a balneabilidade: em primeiro lugar, os coliformes fecais são transportados para o oceano com mais velocidade e, por isso, mais deles chegam ao mar vivos; em segundo lugar, os temporais também carregam detritos de animais e sujeira das calçadas que são lavadas - e não varridas, como orienta a companhia.

Agora, as chuvas da última semana - que chegaram a alagar o centro de Santos - devem piorar os índices do litoral paulista. "O próximo relatório deverá trazer um resultado pior para o litoral", alerta Claudia. Os dados devem ser compilados hoje.

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de mais temporais para a região. Hoje, por exemplo, é esperada chuva forte no Guarujá, que tem apenas uma das 11 praias (Perequê) classificada como imprópria. Em janeiro de 2010, a Praia de Astúrias também estava na lista dos locais inadequados.

Investimento. A própria Cetesb afirma que as ações para a melhoria do índice tiveram papel secundário na diminuição do número de praias impróprias. "O que ocorreu mesmo foi que, na primeira semana do ano passado, choveu mais", diz Claudia. Mas ela lembra que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) fez investimentos de R$ 1,2 bilhão na área.

A empresa desenvolveu um programa para dobrar a quantidade de esgoto coletado no litoral e a meta é, até o fim deste ano, tratar 95% do esgoto produzido na Baixada Santista. Todas as sete praias de Santos registraram balneabilidade imprópria.

Segundo a Cetesb, o mar sujo pode causar doenças como a gastroenterite, que provoca enjoo, vômitos e dores. Mas a água poluída pode levar ainda a disenteria, hepatite A e cólera.

Abaixo do esperado

CLAUDIA CONDE LAMPARELLI - GERENTE DE ÁGUAS SUPERFICIAIS DA COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (CETESB):

"Tínhamos a expectativa de que, com todos os investimentos feitos na Baixada (Santista), teríamos resultados mais significativos".

Conforme a gerente, o excesso de chuvas aumenta ainda a geração de esgoto e de toda a poluição que escoa da superfície do solo para o mar. “Este ano foi além do que a gente esperava. Chuva e muita gente aumentam a quantidade de bactérias fecais nas praias, e nossas amostras microbiológicas confirmaram isso”.

A orientação para o banhista é que, enquanto perdurar o alerta de balneabilidade imprópria –sinalizado, nas praias, com bandeiras vermelhas–, ele evite o contato com a água. A gerente de águas superficiais da Cetesb lembra que, entre as doenças mais comuns transmissíveis na água contaminada, está a gastroenterite. A doença pode provocar diarreia, vômito, febre e dor de estômago.

Diarreia no Guarujá

Indagada se o surto de diarreia que pegou turistas e moradores do Guarujá (Baixada Santista), desde domingo, pode estar relacionada à contaminação da água, a gerente da Cetesb afirmou que “a água imprópria do mar também pode ser causadora, sim –mas alimentos e água de beber em condições de higiene inadequadas também [prejudica a população]. A Secretaria de Saúde do Estado está fazendo um estudo para descobrir as causas desse surto”.

Desde domingo, 850 pacientes passaram por médicos: 500 na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e 350 no Hospital Santo Amaro, em Pitangueiras. A prefeitura local, no entanto, descarta possibilidade de surto e atribui a situação ao número de turistas nessa época, que fez também triplicar a população no município.


Praias impróprias:

Santos - Ponta da Praia, Aparecida, Embaré, Boqueirão, Gonzaga, José Menino (em dois pontos: Rua Olavo Bilac e Rua Frederico Ozanan)

São Vicente
- Milionários, Gonzaguinha e Prainha

Guarujá - Perequê

Praia Grande
- Vila Mirim, Real, Maracanã, Flórida, Ocian e Jardim Solemar


São Sebastião
- Prainha, Cigarras e Pontal da Cruz


Ilhabela - Armação, Portinho e Ilha das Cabras


Caraguatatuba - Tabatinga-Rio, Prainha, Centro, Palmeiras, Mocóca, Martim de Sá, Indaiá e Porto Novo


Ubatuba - Itagua em dois pontos (Av. Leovegildo, 1724 e Av. Leovegildo, 240), Rio Itamabuca, Perequê-Mirim e Enseada
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Lobo-marinho morre de colapso cardiorrespiratório no Aquário

05/01/2011 - Nirley Sena / A Tribuna On-line

O lobo-marinho fêmea Alegra, que há dois anos dividia com Macaezinho um tanque do Aquário Municipal de Santos, morreu no final da noite desta terça-feira de um colapso cardiorrespiratório. Os profissionais do parque perceberam mudança no comportamento do animal no último domingo, quando ele passou a nadar de forma desordenada.


Alegra foi transferida para uma área reservada e mantida em observação. Durante este período, o animal alimentou-se sem dificuldade e não apresentou qualquer anormalidade. Na noite de terça, os veterinários pretendiam coletar sangue para exames laboratoriais, mas Alegra morreu durante o procedimento.

Na manhã desta quarta-feira foi colhido sangue para realização de sete tipos de exames sorológicos, cujos resultados deverão estar prontos em 10 dias.

Da espécie Arctocephalus tropicalis, Alegra, com idade estimada em três anos, chegou ao Aquário em agosto de 2008, recolhida pela Polícia Ambiental de Itanhaém, onde foi encontrada com ferimentos superficiais nas nadadeiras traseiras e pesando apenas 42 quilos.

O lobo-marinho foi, então, instalado em recinto reservado e submetido a avaliação clínica e processo de reabilitação que durou dois meses, prazo em que atingiu 55 quilos, considerado o peso ideal.

O nome Alegra, sugerido pela estudante Camila Bragion de Moura, foi escolhido mediante concurso promovido no início de 2009 pela Secretaria de Turismo, que contou com 922 participantes.
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Na esperança de encontrar um novo lar, moradores da Vila Gilda encontram problemas

05/01/2011 - Paulo Freitas / A Tribuna On-line

Reportagem constatou problemas de vazamento nesta manhã

Depois de cerca de sete meses de espera, famílias do Dique da Vila Gilda começaram a mudar na manhã desta quarta-feira para unidades habitacionais do Conjunto Habitacional Vila Pelé 2, no Rádio Clube, em Santos. No total, 360 famílias serão beneficiadas até o final de fevereiro.

Faltarão apenas as 40 famílias, que vão morar no bloco C, atingido pelas torres. O prazo para reconstrução da torre e reforma do prédio é de 120 dias, a partir do último dia 3.

Em abril do ano passado, o bloco C foi avariado após a queda de uma caixa d’água vertical de 30 metros de altura e 120 toneladas, em abril do ano passado. O local ainda não estava habitado e, por isso, ninguém ficou ferido. Mas, por conta do incidente, a mudança das famílias que ocorreria, provavelmente em junho, teve que ser adiada.

De acordo ainda com a Cohab, cada mutuário definirá a data da mudança. Cerca de 80 já confirmaram a transferência até 31 de janeiro. "Os futuros moradores é que decidem, pois alguns querem fazer melhorias, como colocar azulejos nas paredes. Nós damos uma carência de três meses em que não são cobradas as mensalidades", explica o presidente da companhia, Hélio Hamilton Vieira Jr.

No entanto, a reportagem constatou nesta manhã que os apartamentos precisarão de muitas melhorias. Foram constados problemas de vazamento e infiltrações, além de falta de energia e baixa pressão no gás. Segundo Hélio, os engenheiros verificarão os problemas. Já sobre a falta de luz, ele informou que os moradores devem providenciar junto à CPFL Piratininga a ativação do fornecimento nas residências.

Cronograma

O cronograma, organizado pela Prefeitura de Santos, por meio da equipe social da Cohab-Santista, tem como base a ordem do cadastro. O processo para a entrada dos moradores nos apartamentos teve início em dezembro, com a vistoria dos blocos e entrega de documentação por parte dos beneficiados. Nesta segunda-feira, começou a assinatura dos contratos de ocupação e a retirada das chaves, que segue até sexta-feira.

Os apartamentos contam com dois quartos, sala, cozinha, banheiro, área de serviço e medição individualizada de água e gás. A obra é uma parceria da Prefeitura com o Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
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Campanha do MMA evita consumo de 5 bilhões de sacolas plásticas

05/01/2011 - Melissa Silva / MMA

A meta da campanha era atingir 10% de redução de sacolas plásticas até o final de 2010, tendo como base o ano de 2009, quando foram produzidas 15 bilhões de sacolas no Brasil. A meta foi ultrapassada, chegando a 33% de redução


Cerca de cinco bilhões de sacolas plásticas deixaram de ser consumidas em um ano e meio de campanha Saco é um Saco. A meta da campanha era atingir 10% de redução de sacolas plásticas até o final de 2010, tendo como base o ano de 2009, quando foram produzidas 15 bilhões de sacolas no Brasil. A meta foi ultrapassada, chegando a 33% de redução. De acordo com a coordenadora técnica da campanha no Ministério do Meio Ambiente, Fernanda Daltro, trata-se de um "resultado coletivo motivado pelo debate nacional sobre o consumo de sacolas plásticas".

Esse número reúne as estimativas levantadas pelas três maiores redes de supermercado no País (Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour), pelas cidades que baniram as sacolas voluntariamente, como Xanxerê (SC) e Jundiaí (SP) e pelo Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, da indústria do plástico.

Durante a campanha foram produzidos 19 spots de rádio, três filmes para TV e cinema - exibidos no canal Futura e nas salas de cinema da rede Rain -, e dois concursos culturais. Além disso, o uso de ecobags foi estimulado por vendas e distribuição gratuita. A rede Pão de Açúcar, por exemplo, vendeu 200 mil sacolas retornáveis em 2010. O Ministério do Meio Ambiente, por sua vez, distribuiu outras 200 mil ecobags.

Com criatividade os supermercadistas buscaram voluntariamente alternativas para favorecer a mudança de comportamento do consumidor. O WalMart criou o programa "Cliente Consciente Merece Desconto", oferecendo desconto de R$ 0,03 a cada cinco itens adquiridos. O desconto é calculado diretamente nos caixas das lojas. Para ganhar o desconto, pode-se utilizar qualquer embalagem alternativa às sacolas plásticas, como sacolas retornáveis, caixas de papelão ou carrinhos de feira.

Já o Pão de Açúcar passou a oferecer pontos no cartão fidelidade aos clientes que recusarem sacolas plásticas e a empresa de produtos de higiene Kimberly-Clark incluiu alças às embalagens de papel higiênico, para que o consumidor não precise de uma sacola plástica para carregar seu pacote

Além dessas empresas, a campanha contou com outros parceiros que agregaram esforços, como Carrefour, CPFL, Livraria Saraiva, CNT, Rádio Câmara, Vivo, Gol Linhas Aéreas e instituições de referência no tema consumo consciente como Instituto Akatu e WWF.

Vários artistas se engajaram na campanha. Entre eles, a apresentadora Xuxa, as atrizes Maitê Proença, Christiane Torloni e Carla Camurati, e personalidades como José Júnior do Afroreggae e o surfista Teco Padaratz, que gravaram spots veiculados em mais de duas mil rádios comunitárias e comerciais.

Consciência ecológica coletiva - Durante os 18 meses de campanha, reduzir o consumo de sacolas plásticas passou a ser consequência do debate promovido com a sociedade brasileira sobre a tragédia socioambiental causada pelo consumo excessivo de sacolas plásticas, bem como do engajamento dos consumidores e do setor varejista na causa.

Para a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo, ao mobilizar a sociedade brasileira em torno do tema 'consumo consciente de sacolas plásticas', "a campanha estimulou o pensamento crítico acerca de como consumimos e que impacto este consumo tem no meio ambiente e em nossa qualidade de vida. Provocou varejistas, industriais, o poder público em vários estados e municípios, e também consumidores, a encontrar soluções".

Com a mobilização, foi possível estimular ações de governo e do setor produtivo para o consumo consciente de embalagens e ainda atuar de forma convergente aos objetivos e compromissos do Brasil no Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis, ligado ao Processo de Marrakech, coordenado pelas Nações Unidas, do qual o País participa desde 2007 para apoiar e fortalecer iniciativas que promovam mudanças nos padrões de consumo e produção.

A campanha foi citada pela Consumers International em seu site como um bom exemplo de prática voltada para o consumo sustentável e no cenário internacional colocou o Brasil no grupo de países que já estão fazendo algo para minimizar o impacto ambiental das sacolas plásticas. O uso de ecobags promove a diminuição do consumo de petróleo e sua conseqüente emissão de CO2, bem como a produção de lixo que viaja pelas correntes marinhas por todo o Planeta.

"O ciclo de mudança dos padrões de produção e consumo no Brasil começou", comemora Samyra. "Colocando o País em sintonia com os esforços internacionais e proporcionando aos brasileiros compartilhar a consciência ecológica coletiva."

O que vem por aí - Com o pontapé inicial dado pela campanha, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) se animou e estipulou metas de redução para o setor varejista, atingindo aproximadamente 76 mil estabelecimentos espalhados por todo País. Trata-se de pacto setorial firmado com o MMA que prevê a redução em 30% das sacolas plásticas nas lojas de todo o País até 2013 e 40% até 2014, tendo como base os números de produção de 2010, estimados em aproximadamente 14 bilhões.

Algumas redes de supermercados estabeleceram suas próprias metas, como o Walmart que pretende reduzir em 50% até 2013 e o Carrefour que deseja banir as sacolas plásticas em suas lojas até 2014.

E a conscientização continua, pois como alerta o slogan da campanha: "Saco é um Saco: pro Planeta, pra Cidade, pro Futuro e pra Você".
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