O Instituto EcoFaxina oferece vagas de estágio para licenciatura em Ciências Biológicas e Matemática na Zona Noroeste

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29/03/2012 - William Rodriguez Schepis / IEF

Desde 2009 o Instituto EcoFaxina desenvolve o Programa Turma Ecológica - Rumo Certo para crianças de 6 a 14 anos que habitam palafitas no estuário de Santos e São Vicente em parceria com Associações de Bairro.

Logotipo do programa
Na Baixada Santista as comunidades de palafitas ocupam grandes áreas de manguezal e descartam a maioria dos seus resíduos no estuário. Somente na Zona Noroeste de Santos, aproximadamente 6 mil famílias residem em palafitas, sem coleta de esgoto e fornecimento legal de água e luz. Falta dinheiro para tudo, desde comida e roupas até remédios.

Sofre o povo, sofre a natureza

As condições sociais das comunidades que ocupam áreas de manguezal é chocante. As pessoas convivem com ratos, baratas, moscas e mosquitos. É hábito das famílias criarem gatos para espantar tais pragas. Além de gatos, existem também muitos cachorros, que vagam pelas ruas, becos e até mesmo pelo manguezal. 

Seu João "o Baixinho", mostra sua antiga armadilha para caranguejos, que hoje utiliza para capturar ratos, que são afogados e jogados na "maré".

Outra prática muito comum é a criação de porcos no manguezal, sem nenhum cuidado veterinário, em meio a muito lixo, para o consumo da carne. Armadilhas para captura de aves também são comuns pelos manguezais no entorno das comunidades.

Precárias estruturas de madeira servem como criadouros de porcos nas margens do estuário de Santos e São Vicente

O manguezal recebe fezes e urina dos animais

Os porcos são criados sem nenhum acompanhamento veterinário
Resíduos sólidos

Estre os principais problemas ambientais da Baixada Santista, o descarte inadequado de resíduos causa severos danos ao ecossistema estuarino e marinho. Muitos animais como peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos confundem lixo com alimento. Hoje, o plástico que se acumula pelo estuário em enormes proporções e transportado gradativamente para o mar aberto, mata aproximadamente 1 milhão de aves marinhas e costeiras, 100 mil tartarugas e 100 mil mamíferos marinhos, de acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza.

Além de matar por sufocamento, estrangulamento, afogamento e inanição, o plástico nunca se decompõem totalmente. O plástico sofre um processo chamado fotodegradação. É quando a luz do sol degrada lentamente o material, até o momento em que se transforma em pó. Esse pó tem a capacidade de absorver e concentrar poluentes, principalmente POPs, poluentes orgânicos persistentes. Esses poluentes são bioacumulativos e dependendo da concentração podem causar câncer, disfunções no sistema nervoso, hormonal e reprodutivo. Esse pó que resulta do processo de fotodegradação é facilmente ingerido por peixes que se alimentam de plancton e organismos filtrantes como ostras e mariscos, que servem de alimento para peixes maiores. Desta forma os poluentes permeiam a cadeia trófica e chegam até os organismos topo de cadeia, em que muitas espécies-chave determinam a abundância de outras espécies. E estes poluentes já estão chegando aos nossos pratos. Um recente estudo analisou a carne de tubarões vendidos em supermercados da capital paulista e constatou que todos os organismos possuíam índices de arsênio e mercúrio muito acima do permitido para o consumo humano. Isso demonstra a eficácia daquele velho ditado popular... "Nós colhemos aquilo que plantamos".

As crianças

O Programa Turma Ecológica vai oferecer gratuitamente para as crianças do Caminho da União no bairro Jardim São Manoel, um curso especial de reforço escolar, com aulas ministradas por alunos do 2º e 3º ano dos cursos de Ciências Biológicas e Matemática.

O objetivo principal do curso é reforçar o aprendizado dos alunos, despertando a consciência ambiental e a cidadania. Utilizando o conceito da transdisciplinaridade, as aulas trarão à tona fundamentos da ecologia, relacionados a conduta cidadã, o desenvolvimento sustentável e o bem estar social. Provocar nas crianças ações diretas no seio da família, propiciando um diálogo através do caráter transformador da Educação Ambiental para a construção de uma sociedade sustentável.



As crianças convivem com a sujeira e nadam em águas extremamente poluídas
Licenciatura

Através do Programa Turma Ecológica - Rumo Certo, os estagiários poderão adquirir horas de estágio, obrigatórias para a obtenção do diploma de licenciatura.

Além das vagas para estágio obrigatório, dois estagiários (Matemática e Ciências Biológicas) receberão bolsas de 40% de desconto na mensalidade.

Requisitos:
Gostar de crianças
Interesse em Ecologia e Educação Ambiental
Estar cursando o 2º ou 3º ano

Local:
Associação dos Moradores e Amigos do Caminho da União
Caminho da União, nº 35 - Jardim São Manoel, Santos.

Períodos:
Manhã e tarde

Contato e informações:
Os interessados devem enviar e-mail com nome e telefone celular para programaturmaecologica@gmail.com

Confira imagens do Programa Turma Ecológica:

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