Plástico causa proliferação de insetos no Oceano Pacífico

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11/05/2012 - Ian Johnston / msnbc.com

A quantidade de plástico na Grande Porção de Lixo do Pacífico aumentou 100 vezes durante os últimos 40 anos, causando "profundas" alterações no ambiente marinho, de acordo com um novo estudo.

A Grande Porção de Lixo do Pacífico se encontra no Giro do Pacífico Norte, localizado entre o equador e o Paralelo 50 N e ocupa uma área de aproximadamente 20 milhões de quilômetros quadrados. O giro tem um padrão circular no sentido horário e compreende 4 correntes oceânicas: a Corrente do Pacífico Norte ao norte, a Corrente da Califórnia a leste, a Corrente Equatorial Norte ao sul, e a Corrente Kuroshio a oeste. O local concentra uma enorme quantidade de detritos marinhos, conhecido como Grande Porção de Lixo do Pacífico, conhecido mundialmente como "Great Pacific Garbage Patch".

Insetos marinhos

Cientistas do Scripps Institution of Oceanography, em San Diego descobriram que insetos que vivem na superfície do mar, denominados "gerrídeos", do gênero Alobates, estavam usando o lixo como um lugar para colocar seus ovos em maior número do que antes.

Pesquisadores da SEAPLEX encontram uma grande rede fantasma com lixo  plástico e vários organismos marinhos durante uma expedição em 2009 no Giro do Pacífico Norte.
Mario Aguilera / Scripps Institution of Oceanography
O estudo diz que o lixo fornece um novo habitat para esses insetos oceânicos, que se alimentam de plâncton e ovos de peixes e, por sua vez, viram comida de crustáceos, aves marinhas, tartarugas e peixes.

Os insetos, que passam toda a vida no mar, precisam de uma superfície dura onde depositar seus ovos, antes limitada a itens relativamente raros, como matéria vegetal, penas de aves e pedras-pome.

Os Gerrídeos usam suas pernas longas e hidrofóbicas e a tensão superficial da água para "esquiarem" na superfície. Eles são parte da família Gerridae de insetos, dos quais 90 por cento só são adaptados à água doce e apenas cinco espécies (pertencentes ao grupo Halobates) deslizam sobre a superfície do mar.
Se a densidade do microplástico continuar a crescer, o número de insetos aumentará também, alertaram os cientistas, "potencialmente às custas de presas como o zooplâncton e os ovos de peixes".

Em um artigo publicado pela revista Biology Letters as, pesquisadores disseram que isso teria implicações para os outros animais, predadores dos gerrídeos - que incluem caranguejos - e sua comida, que é principalmente plâncton e ovos de peixes.

Efeito bioacumulativo

Os cientistas também apontam para um estudo anterior do Scripps Institution of Oceanography, que indica que nove por cento dos peixes apresentam resíduos de plástico em seus estômagos.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), 13 mil partículas de lixo plástico são encontradas em cada quilômetro quadrado do mar, mas o problema é maior no Norte do Pacífico.

As partículas plásticas, que contém, absorvem e concentram poluentes tóxicos, estão sendo ingeridas por invertebrados, peixes, répteis, mamíferos e aves marinhas. Essas substâncias entram entram na cadeia trófica e os mais afetados são os organismos topo de cadeia, como tubarões e golfinhos.

A cada dia maior

A Grande Porção de Lixo do Pacífico com aproximadamente o tamanho do Texas, foi criada por resíduos plásticos que chegam ao mar e são transportados por correntes oceânicas para a Zona de Convergência Subtropical do Pacífico Norte.

Este mapa mostra a Zona de Convergência Subtropical do Pacífico Norte, no Giro do Pacífico Norte.
A Expedição Scripps de Acumulação Ambiental de Plástico, conhecida como SEAPLEX, viajou cerca de 1.000 quilômetros a oeste da Califórnia em agosto de 2009.

Um comunicado no site do Instituto de Oceanografia Scripps afirma que os cientistas registraram uma quantidade alarmante de lixo plástico, a maioria fragmentos do tamanho de uma unha, espalhados por milhares de quilômetros em mar aberto. "

A estudante graduada Miriam Goldstein do Instituto de Oceanografia Scripps, cientista-chefe SEAPLEX, disse que o plástico chegou em grande quantidade nos oceanos em um período "relativamente curto".

29 de dezembro de 2007: A repórter Kerry Sanders da NBC informa sobre uma enorme porção de lixo que flutua no Oceano Pacífico, que está matando a vida marinha e crescendo a cada dia.

"O plástico só começou a ser amplamente utilizado no final dos anos 40 e início da década de 50, mas agora todo mundo usa e em um período de 40 anos vimos um aumento dramático de plástico nos oceanos", disse ela. "Historicamente, não temos sido bons em impedir o despejo de plástico no mar, espero que no futuro possamos fazer melhor."

Os investigadores descobriram larvas de peixes crescendo sobre pedaços de plástico, como mostrado acima.
Jim Leichter / Scripps Institution of Oceanography
Alteração na superfície

A enorme quantidade de plástico elevou a densidade de ovos de gerrídeos na área do giro, segundo o estudo.

"Estamos observando mudanças neste inseto marinho que podem ser diretamente atribuídas ao plástico", disse Goldstein em um comunicado.

Ela disse à BBC que a adição de "centenas de milhões de superfícies duras" para o Pacífico causou "uma profunda mudança."

Amostras colhidas pelos cientistas mostraram como a vida marinha - na foto acima o pequeno cnidário Velella velella - convive com pedaços de plástico.
Jim Leichter / Scripps Institution of Oceanography
"No Pacífico Norte, por exemplo, não há algas flutuantes, como há no Mar dos Sargaços, no Atlântico Norte. E nós sabemos que os animais, as plantas e os micróbios que vivem em superfícies duras são diferentes dos que vivem flutuando na água", acrescentou.

Uma grande porção de lixo também foi encontrada no Oceano Atlântico, flutuando a poucas centenas quilômetros da costa norte-americana, de Cuba até Virginia.

O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que cunhou a frase "Great Pacific Garbage Patch", disse por telefone a msnbc.com que a única solução é passarmos a substituir o plástico e aguardar para que gradualmente se dispersem.

"Nós não podemos limpar. É muito grande. Você teria que ter toda a marinha dos EUA lá fora, correndo contra o relógio, rebocando continuamente pequenas redes. E como o plástico é gerado hoje, eles não seriam capazes de dar conta", disse ele.

Ebbesmeyer afirma que em 10.000 anos os cientistas irão encontrar uma camada de plástico no solo e utilizar isso como uma evidência das "pessoas de plástico".

Editado em 11/05/2012 por William Rodriguez Schepis / Instituto EcoFaxina
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