Alimentos com embalagens comestíveis serão lançados este ano nos EUA

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18/06/2012 - John Stevens / Daily Mail

Às vezes, o pote de sorvete ou de iogurte está tão saboroso que passamos algum tempo raspando o interior e, em seguida, se ninguém estiver olhando, lambemos a tampa.

Não seria melhor ainda se pudéssemos simplesmente comer o pote com tudo?

Isso iria diminuir a quantidade de resíduos que produzimos e o prazer com a comida duraria um pouco mais.

Isto é exatamente o que uma equipe de cientistas diz ter conseguido fazer.

A membrana age como uma barreira que proteje o conteúdo e isola da umidade, podendo ser lavada como uma maçã.  Acima, sorvete com embalagens comestíveis.

Eles dizem que a invenção de embalagens de alimentos comestíveis irá transformar a maneira como comemos e reduzirá a quantidade de plástico que jogamos fora.

Sopa de gaspacho em uma embalagem biodegradável que pode ser comida ou descartada

A embalagem criada por uma equipe de pesquisadores na França, liderados pelo Dr. David Edwards, é chamada de WikiCells. Ela foi projetada para imitar como as frutas e vegetais são "empacotados" na natureza, com uma camada de proteção externa como a pele que você pode comer.

"A idéia era usar o modelo de como a natureza 'embala' os alimentos",disse o Dr. Edwards, professor de Harvard. "É uma maneira completamente nova de embalar e de comer." Ele desenvolveu uma série de potes de iogurte, embalagens para sucos, garrafas de água e recipientes de sorvete que imitam embalagem natural, colocando os alimentos e os líquidos em uma membrana comestível.

Os recipientes são concebidos para ter a forma semelhante aos frutos que procuram para copiar, e são criados utilizando um 'plástico comestível', que é uma combinação de algas e cálcio. Essa combinação é misturada com partículas de alimentos, como frutas, de modo que a embalagem tem o mesmo gosto do que está dentro.

Eles podem ser usados ​​para embalar sólidos e líquidos, incluindo sopas, queijos, drinks, bebidas gasosas e café.

As embalagens que contêm líquidos podem ser perfuradas e depois ingeridas. Podem ser lavadas debaixo da torneira e comidas, assim como a pele de uma maçã.

Consumidores preocupados com a quantidade de vezes que a embalagem foi manuseada podem simplesmente jogá-la fora, como a casca de uma laranja, porque é biodegradável.

Até agora, os pesquisadores que trabalham com a embalagem em um laboratório em Paris criaram exemplos, incluindo o preenchimento de uma membrana de laranja com suco de laranja, uma pele sabor tomate com sopa e mini-membranas do tamanho de uvas cheias de vinho.

Edwards disse: "Você pode colocar as pequenas membranas de uva na sua boca e mastigar de modo a obter o vinho no seu interior.

"Tudo é útilizável e tudo faz bem para você. Você não joga coisas fora."

A WikiCells é fruto da imaginação do pesquisador-chefe e professor de Harvard, David Edwards

O primeiro produto que deverá estar à venda será o Wiki Ice Cream, que será lançado no final do verão, com sorvete de baunilha congelado dentro de uma membrana com sabor de cookie.

o Dr. Edwards está trabalhando atualmente com algumas empresas multinacionais - incluindo uma fabricante de refrigerantes e uma de iogurtes - para ver como a embalagem pode ser usada em larga escala.

Uma grande fábrica está sendo construída em Massachusetts nos EUA, e ele espera que os produtos estejam amplamente disponíveis nas lojas nos próximos cinco anos.

Ele se recusou a revelar quais as empresas que ele está trabalhando, mas os pesquisadores já trabalham com a Danone, fabricante de bebidas probióticas Actimel, iogurtes Activia e a água Evian. Ele disse: "É evidente que nós vamos acabar com a era do plástico algum dia, poderá ser em um século ou dentro de 20 anos. E isso implicará em algumas mudanças no comportamento humano.

"Você poderia colocar sopa dentro destas coisas, comprar a sopa nas lojas com a membrana, levar para casa e colocar a coisa toda em um forno de microondas para aquecer e depois servi-la como está ou em uma tigela com a pele picada na sopa."

Ele eventualmente espera desenvolver um modelo que possibilite que pessoas produzam suas próprias embalagens comestíveis, que segundo ele serão particularmente úteis em lugares como cidades africanas onde não se tem acesso ao plástico ou que não possuem alternativas para a reciclagem.
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