A aves do Pacífico Norte estão cheias de plástico, diz estudo

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11/07/2012 - Camille Bains / The Canadian Press

Fulmarus glacialis, ave marinha da família Procellariidae é utilizada como indicador biológico em pesquisas

VANCOUVER - As aves Marinhas comem de tudo, barbante, isopor, embalagens, objetos plásticos, e os conteúdos estomacais evidenciam um aumento dramático da poluição por plástico na costa noroeste do Pacífico durante os últimos 40 anos, indica um novo estudo.

A pesquisadora Stephanie Avery-Gomm, da University of British Columbia disse que a quantidade de plástico que os pardelões-do-norte ingerem, fornece um retrato do lixo que acaba em uma grande parte do Oceano Pacífico.

Os resultados do estudo refletem as pesquisas realizadas no ano passado por vários países europeus no notóriamente poluído Mar do Norte, embora a situação parece estar melhorarando por lá, disse Avery-Gomm.

Necropsias realizadas em 67 aves marinhas coletadas entre outubro de 2009 e abril de 2010 no litoral da Colúmbia Britânica, Washington e Oregon determinaram que 93% estava com o trato digestório cheio de plástico.

Plástico retirado do trato digestório de um pardelão do norte
Crédito: Stephanie Avery-Gomm, UBC

Uma ave tinha 454 pedaços de plástico em seu intestino, disse Avery-Gomm, autora principal do estudo de pós-graduação do departamento de zoologia da universidade.

Ela disse que os resultados do estudo, publicado online na revista Marine Pollution Bulletin, sugerem que a poluição plástica deve ser monitorada anualmente e as pessoas precisam estar cientes dos efeitos a longo prazo do que elas estão jogando fora.

"Qualquer coisa que fica dentro de um rio, tudo o que entra no sistema de esgoto, qualquer coisa que acaba em uma praia, provavelmente, irá direto para o oceano."

O gracioso pardelão do norte, primo do albatroz, é uma criatura oceânica que difícilmente se aventura em terra.

Os pardelões não conseguem regurgitar o plástico que consomem na superfície do oceano. Ingerir plástico pode matar as aves, causar obstrução gastrointestinal, lacerações e reduzir a alimentação.

Enquanto muitos países têm documentado detritos de plástico no meio marinho, mas nenhuma técnica padrão tem sido utilizada, e a falta de metodologia consistente tornou difícil acompanhar as tendências ou comparar a poluição de plástico entre as diferentes regiões do mundo, diz o estudo.

"Isso destaca a necessidade de um método confiável, padronizado internacionalmente para o monitoramento da poluição marinha por plástico."

Cerca de 260 espécies marinhas, incluindo tartarugas, peixes e aves marinhas são conhecidas por comer ou se enroscar em plástico.

Os pardelões do norte se tornaram indicadores biológicos ideais para o monitoramento da poluição por plástico, por terem um vasto alcance migratório, se alimementa de praticamente tudo que encontra na água e são propensos a encalhar nas praias.

O primeiro estudo de ingestão de plástico nas aves foi conduzido ao sul da península do Alasca em 1980 pela Universidade do Alasca. E descobriu que 58% dos pássaros coletados entre 1969 e 1977 havia consumido plástico.

O estudo atual mostra que a incidência de ingestão de plástico entre os pardelões do norte é de 92,5%, Avery-Gomm, disse.

A massa de plástico ingerida também aumentou drasticamente - de 0,04 gramas em 1969-1977 para 0,385 gramas no recente estudo, acrescentando que o peso médio do pardelão do norte é de 800 gramas.

Avery-Gomm disse que são necessários mais estudos, possivelmente combinando os esforços de pesquisadores canadenses e americanos.

"Seria totalmente viável ter um esforço colaborativo Canadá-EUA, com pessoas no Alasca, Canadá, Washington, Oregon e Califórnia todas coletando pardelões para serem dissecados de acordo com protocolos padronizados internacionalmente para comparar os resultados. Isso é o que estão fazendo no Mar do Norte."

Suas preocupações com a consciência sobre eliminar o plástico foram ecoadas por Karen Wristen, porta-voz da Sociedade Viva Oceanos.

"A nível nacional é preciso haver algum tipo de resposta além das ações voluntárias de limpezas em praias, que lidam com a quantidade que se acumula em terras públicas", disse Wristen.

"E, claro, globalmente, é preciso sensibilizar outras nações sobre esses problemas, e fazê-los trabalhar exatamente neles. É um enorme, enorme problema para lidarmos e que não pode ser simplesmente resolvido por um único setor da sociedade."

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