Investigação secreta revela crueldade com animais em importante ponto turistico caribenho

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19/10/2012 - WSPA

Relatório revela péssimas condições, doenças e crueldade

A superlotação é um grande problema de bem-estar animal na Fazenda de Tartarugas Cayman
Crédito: WSPA

Uma investigação realizada pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) no popular destino turístico, a Fazenda de Tartaruga Cayman (CTF), revelou perturbadoras evidências de crueldade animal em meio ao fracasso financeiro dessa famosa iniciativa de conservação. Em agosto deste ano 300 tartarugas morreram após um vazamento de água.

Um vídeo e fotografias da fazenda feitas pela WSPA no Território Marinho Britânico mostram tartarugas-marinhas sendo mantidas em tanques lotados e sujos. Elas nadam em água cheia de excremento, lutam entre si por comida, mordem umas as outras e praticam canibalismo.

7000 tartarugas-marinhas em péssimas condições

Crédito: Michelle de Villiers
A fazenda que atualmente abriga 7.000 tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção em condições terrivelmente inadequadas, afirma que faz isso a fim de satisfazer a demanda local por carne de tartaruga e para a conservação. Embora a fazenda afirme ter soltado 31.000 tartarugas desde sua abertura no final dos anos 60, apenas 1.333 foram libertadas nos últimos cinco anos e, atualmente, apenas 11 de 200 tartarugas que nidificam nas ilhas Cayman possuem identificação da CTF.

Apesar do marketing em si como uma atração turística focada na conservação, a  é a última instalação remanescente no mundo que faz uso comercial de tartarugas-marinhas para o abate e o consumo humano.

Em estado selvagem, as tartarugas-marinhas verdes são herbívoras com uma dieta específica de grama do marinha. Na Fazenda de Tartarugas Cayman, elas são alimentadas com uma dieta não natural a base de uma ração que foi projetada especificamente para promover um rápido crescimento.

"Negligência e crueldade"

O líder da campanha Dr. Neil D'Cruze disse: "É realmente horrível ver este tipo de negligência e crueldade acontecendo em uma atração turística. A vida na Fazenda de Tartarugas Cayman é uma realidade muito distante de como  tartaruga-marinhas vivem em estado selvagem. Estes animais selvagens de vida longa são criaturas solitárias que não podem suportar a lotação e a sujeira da fazenda. Simplesmente não há forma humanitária de se cultivar comercialmente tartarugas-marinhas para a alimentação".

O estresse da superlotação transforma esses animais delicados em canibais, a nossa equipe viu tartarugas com nadadeiras completamente mastigadas. Os cruzamentos consanguíneos, ou seja, envolvendo indivíduos com ancestrais comuns, faz com que as tartarugas nasçam com sérias deformidades, como a ausência de olhos - estes jovens animais não possuem chance alguma de vida entre outros animais, servindo somente para o abate.



Tartaruga nasceu sem olhos. Cuzamentos cosanguíneos causam diversos problemas genéticos, inclusive má formação.
Crédito: WSPA

Propriedade do governo

Assim como descobrir a crueldade sistêmica é chocante, evidências mostram que essa endividada instalação do governo não está cumprindo sua missão de conservação e é simultaneamente uma potencial ameaça para a saúde humana.

Mais de 200.000 visitantes passam através das portas da Fazenda de Tartarugas Cayman a cada ano, e são incentivados a tocar, carregar e nadar com as tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção.



A superlotação pode levar a agressão, que pode resultar em lesões dolorosas. Tartaruga juvenil com as nadadeiras mastigadas. O canibalismo é resultado das más condições do cativeiro.
Crédito: WSPA

Uma investigação descobriu vestígios de Salmonella, E. coli e Vibrio vulnificus* na água presente nos tanques de toque - isso significa que os visitantes que interagem com as tartarugas estão em risco de contrair doenças e, possivelmente, disseminá-las para outros passageiros a bordo de seus navios de cruzeiros. Estes turistas estão em risco de contrair doenças como gastroenterite, pneumonia e cólera.

A fazenda também tem recebido muitas críticas de ambientalistas que afirmam que aumentar o número de solturas na natureza não resolve os problemas que causam mortes das tartarugas-marinhas. De fato, especialistas em conservação dizem que a fazenda pode estar introduzindo doenças infecciosas na vida selvagem, liberando estas tartarugas.

714 tartarugas-marinhas morreram em 2011

O líder da campanha Dr. Neil D'Cruze disse: "A Fazenda de Tartarugas Cayman afirma ser um líder na conservação, mas isso esta longe da verdade. Nos últimos cinco anos, soltaram apenas 273 animais em média e só no ano passado, 714 tartarugas morreram na fazenda, e 7.000 vivem em condições terríveis, a fim de propiciar a liberação de um tal número de para conservação. Conservação não é sinônimo de crueldade".

Para piorar a situação, a fazenda contabiliza uma média de prejuízos em mais de 10 milhões de dólares por ano nos últimos cinco anos.


Investigadores da WSPA testemunharam tartarugas sem nadadeiras, totalmente mastigadas por outras tartarugas.
Crédito: WSPA

Proposta de transformação em centro de conservação

A WSPA apresentou suas conclusões aos proprietários da Fazenda de Tartarugas Cayman, propondo um plano de transição do seu negócio para um centro de reabilitação e pesquisa de tartarugas-marinhas. A WSPA não acha que a instalação precisa ser fechada, mas quer o manuseio público de tartarugas imediatamente encerrados e criação comercial desses animais em extinção eliminada, mas até a Fazenda de Tartarugas Cayman recusou.

Agora a WSPA tem como única alternativa pedir publicamente o encerramento permanente da criação tartarugas-marinhas e o apoio das pessoas a causa em (www.stopseaturtlefarm.org)

O Dr. D'Cruze acrescentou: "A WSPA convidando a Fazenda de Tartarugas Cayman a parar com esta chocante crueldade, a parar de colocar turistas desavisados ​​em risco, e parar de desperdiçar o dinheiro de impostos dos cidadãos de Cayman. A WSPA quer trabalhar com a fazenda para transformar a instalação em um lugar que possa ser motivo de orgulho para Cayman. A ciência e a sociedade civil estão se manifestando, e a WSPA gostaria de ajudar a CTF a realizar uma transformação positiva para as tartarugas, para o turismo e para a ilha".

Tradução: Instituto EcoFaxina
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