Apicultores esperam "o pior ano para as abelhas"

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29/01/2013

"Estamos enfrentando a extinção de uma espécie." Isso é o que um grande apicultor do meio-oeste americano disse na semana passada, no encontro anual da American Honey Producers Association (AHPA). E ele falava sério.


Porque as abelhas estão desaparecendo?
Abelhas e outros insetos polinizadores estão morrendo por causa dos agrotóxicos

A perda de abelhas tem sido dramática, especialmente nos últimos anos. E os apicultores estão sentindo a picada. De acordo com eles, a apicultura comercial não será mais lucrativa, a menos que as coisas mudem, e logo.

Apicultores de todo o país se reuniram em San Diego para trocar histórias e partilhar as melhores práticas no comércio, bem como para aprender mais sobre as últimas pesquisas sobre o declínio das populações de abelhas (muitas vezes referida como Colony Collapse Disorder). A ciência independente continua apontar apontando os pesticidas como um dos fatores críticos para a perdas de abelhas - ao lado de nutrição e doenças - e os apicultores continuam observando um grande declínio. E o declínio das colônias fazem um paralelo ao aumento contínuo de produtos agrotóxicos utilizados nas sementes e nos campos de todo o país e do mundo.

Como um apicultor disse: "Em média, está ocorrendo 40% de perdas em todo o país. Isso é o que estamos enfrentando. E minhas perdas estão próximas de 70% - provavelmente este será o pior ano para as abelhas".

Mas não é só este ano; USDA (United States Department of Agriculture) relata declínios populacionais importantes de abelhas desde 2006. Outro apicultor disse ter perdido mais de 250 mil dólares só no ano passado, deixando de fazer a polinização de melões e cerejas. Como ele lembrou, isso não causa impactos diretos somente para ele, mas para seus empregados, suas comunidades, fornecedores, vendedores, o sistema alimentar e a economia agrícola.

A indústria de agrotóxicos

Mais do que nunca, aconteceram oficinas sobre agrotóxicos na última conferência anual da AHPA, assim como aumentam as evidências mostrando os pesticidas como um catalisador chave no declínio de abelhas. E representantes de gigantes químicas como Arysta, Bayer e Monsanto tiveram presença garantida, ministrando oficinas para acalmarem os apicultores envolvidos.

Essas corporações têm muito em jogo. Com o mercado cada vez mais consolidado, apenas poucas empresas fabricam muitas das mesmas sementes e pesticidas envolvidos no declínio das abelhas. Se a história serve de guia, essas empresas provavelmente continuarão opondo-se a encontrar soluções sustentáveis, saudáveis ​​e de bom senso contra o declínio das abelhas.

Buscando soluções de bom senso

Ao final da conferência vários temas emergiram. Apicultores, e os agricultores com quem trabalham, não têm o apoio necessário dos funcionários estaduais e federais para proteger os polinizadores e manterem produtivos os negócios. Eles se sentem vítimas de um punhado de corporações poderosas de pesticidas e reguladores governamentais ambíguos.

A fim de apoiar polinizadores saudáveis, os apicultores sugeriram o seguinte:

  • Reduzir o uso de pesticidas, especialmente perto de abelhas. Com o peso da evidência por trás deles, os apicultores estão sendo encorajados a reduzir a utilização de agrotóxicos, incluindo o uso de produtos, como os neonicotinóides e fungicidas, e especialmente perto de abelhas.
  • Corrigir o sistema que rastreia incidentes de abelhas. Apicultores acham oneroso e ineficaz denunciar agrotóxicos que matam abelhas, sendo o ônus muitas vezes totalmente deles, e muitos estados não conseguiram criar sistemas de monitoramento de mortes de abelhas.
  • Criar sistemas transparentes, estaduais e federais, para rastrear o uso de pesticidas. Apicultores, comunidades rurais e camponesas, serão melhor servidos ao saberem o que está sendo usado perto deles, incluindo tipos, quantidades e as condições climáticas. O governo federal e a maioria dos estados - exceto a Califórnia, Nova York e Oregon não conseguiram criar um programa efetivo para o rastreamento do uso de pesticidas.

Alguns apicultores tem tratado por si próprios o assunto, formando o Fundo Nacional de Defesa dos Polinizadores. Com o compromisso de proteger as abelhas e sua subsistência, esse grupo de apicultores vai "defender os polinizadores vitais para uma alimentação sustentável e acessível contra os efeitos negativos dos agrotóxicos".

Sem dúvida, isso fará com que nos certifiquemos de que eles sejam bem sucedidos, garantindo abelhas saudáveis ​​e apicultores para os próximos anos.

Fonte: PAN North America