Lixo acumulado é problema no litoral norte de SP

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11/01/2013


Problemas na coleta têm feito o lixo se acumular em praias do litoral norte de São Paulo e obrigado prefeituras da região a adotar medidas de emergência. O problema é agravado pelo inchaço da população flutuante de São Sebastião, Ilhabela, Ubatuba e Caraguatatuba nesta época - até o carnaval, serão 2 milhões a mais de pessoas na região. Moradores e visitantes reclamam de mau cheiro e sacos deixados nas praias desde o Réveillon.


Calçadão em Caraguatatuba tomado pelo lixo. Foto: Reprodução

Nas áreas mais movimentadas, como Praia Grande e Itaguá, em Ubatuba, Maresias e Camburi, em São Sebastião, Massaguaçu e Martim de Sá, em Caraguatatuba, e Curral, em Ilhabela, o lixo acumulado atrapalha até quem tenta caminhar pelas calçadas. Na Avenida Francisco Loup, a principal de Maresias, os passeios, já estreitos, servem de "depósito" para recipientes e sacos de lixo de casas de veraneio, hotéis e pousadas.


O morador de Juqueí Luiz Fernando Guimarães diz que tentou contatar a Prefeitura de São Sebastião para reclamar do acúmulo de resíduos sólidos após as ruas perto da praia ficarem quatro dias sem coleta.

"Considero um descaso com os turistas que são atraídos por textos maravilhosos das muitas pousadas do bairro e, ao chegarem a tão badalada praia, encontram essa calamidade. É o cúmulo, sendo que pagamos um dos mais caros IPTUs [Imposto Predial e Territorial Urbano] do litoral norte."

Segundo Guimarães, há grande quantidade de lixo também às margens de um riacho localizado perto de onde funcionava o 4º Distrito Policial de Juqueí.

Em Maresias, a situação não é diferente. Segundo a comerciante Sônia Regina Freitas, 45, desde o Ano-Novo o lixo vem acumulando na calçada. "O caminhão de lixo às vezes já passa carregado e não recolhe. Com isso, mais pessoas vão colocando os sacos nas calçadas e nem dá para caminhar direito", reclama Sônia.

Contratos de emergência

Com dois dos quatro caminhões de lixo quebrados em plena temporada de verão, a prefeitura de Ilhabela contratou uma empresa em caráter de emergência, por 180 dias. Também vai usar um caminhão de menor porte, com tração nas quatro rodas, para chegar a locais de difícil acesso e a regiões mais íngremes. Mas, segundo a administração, trata-se de um paliativo e a situação só será resolvida com a privatização do serviço. "Estamos preparando o processo licitatório", diz o prefeito da ilha, Antonio Luiz Colucci (PPS).

Já a prefeitura de São Sebastião informou nesta sexta-feira que, diante dos problemas desta temporada, teve de alterar o horário de coleta de lixo orgânico. Anteriormente, o serviço começava a ser feito às 8 horas - agora, os caminhões vão rodar a partir das 6 horas, o que pode causar reclamações de barulho. A expectativa, além de acelerar o serviço, é a de evitar pegar o trânsito pesado durante o dia. A alteração vai até 20 de fevereiro.

"Desenvolvemos um esquema especial de coleta, levando em consideração o acúmulo superior em relação ao lixo orgânico e solicitamos a colaboração de munícipes e veranistas para que disponham seus resíduos nas lixeiras para a coleta em horário adequado", disse Idário Costa, gerente da filial da empresa Ecopav, responsável pela coleta no município. "Desta forma, os dejetos não vão permanecer expostos durante um longo período, evitando assim uma série de problemas."

Ele reclama ainda que os turistas não costumam reciclar o lixo, o que faz aumentar a quantidade de dejetos a ser recolhida.

Pagamentos

Os problemas na gestão de lixo de São Sebastião, porém, já começaram na gestão anterior. A empresa responsável ameaçou suspender a coleta no fim do ano passado por falta de pagamento da prefeitura. Tanto a gestão quanto a companhia negam que isso tenha ocorrido, mas há queixas pontuais do serviço desde o Natal. A coleta de lixo orgânico na alta temporada atinge uma média diária de 158,52 toneladas, ante as 100,77 toneladas da baixa temporada.

Fonte: O Estado de S. Paulo