Pescadores denunciam poluição marinha em área de fundeio de navios no Canal de São Sebastião

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11/01/2013


A Colônia dos Pescadores, em parceria com a Cooperativa de Pesca e a diretoria de Pesca da Secretaria do Meio Ambiente, denunciam a grande quantidade de lixo que estão retirando das redes durante a prática do arrasto do camarão, em áreas próximas ao local de fundeio de navios.

Vista do Canal de São Sebastião - Terminal Marítimo Almirante Barroso - TEBAR. Foto: Alvaro E. Migotto

Segundo Antônio Sérgio Fernandes, diretor de Pesca da prefeitura, constantemente os pescadores têm mostrado grande preocupação sobre esta problemática que vêm enfrentando. “Há um mês isso vem acontecendo, depois que os navios começaram a fundear próximo à praia do Jabaquara. Temos uma boa relação com a Colônia dos Pescadores, em várias reuniões que realizamos temos sempre ouvido as mesmas reclamações. Estamos orientando todos os pescadores a trazerem para terra todo o lixo puxado nas redes, e vamos tentar mobilizar as autoridades”.

Fernandes afirmou ainda que, hoje em dia a área destinada à prática da pesca de arrasto está bastante reduzida devido às diversas leis ambientais. “O espaço que sobrou para eles é próximo ao local de fundeio dos navios de carga seca, no meio do canal. O lixo vem junto com a rede sempre no mesmo lugar. Nosso primeiro passo é a denúncia, se as autoridades não estavam sabendo o que estava acontecendo, a partir de agora vão saber, e aí sim vão poder fiscalizar corretamente”.

O diretor de pesca declarou que a prefeitura vai orientar todos os pescadores na elaboração de ofícios e protocolos denunciando as autoridades sobre tal crime ambiental. “Vamos oficiar a própria Secretaria de Meio Ambiente, a Marinha do Brasil, e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) para que esses órgãos competentes possam tomar as providências necessárias para sanar o problema”.

Julio César Manoel Serpa, 40 anos, diretor tesoureiro da Colônia dos Pescadores, contou que o pescador vai para o mar, joga a rede, faz o arrasto por duas, três horas, e quando recolhe a rede de volta se depara com uma grande quantidade de lixo, que contamina todo o pescado. “Vem peixe, siri, camarão, tudo sujo de óleo e piche. Temos que devolver tudo para o mar, e assim perdemos horas de trabalho e dinheiro porque tem o gasto com combustível, com ajudantes, é um prejuízo muito grande”.

Serpa disse que além da contaminação do pescado com o óleo, cadeira, baldes e estopas com piche, placas e barras de ferro também são diariamente recolhidos nas redes, quando estão realizando o trabalho próximo às áreas de fundeio dos navios. “Nossas redes, muitas vezes, não suportam o peso desse lixo e rasgam. Ou seja, mais um prejuízo a ser contabilizado. Estamos ficando sem espaço e sem ferramentas de trabalho. Todos costumam dizer que o pescador é o responsável pela poluição marinha, mas claramente podemos perceber que não é isso que está acontecendo”.

O pescador Manoel Paulino da Silva, 61 anos, alertou a sociedade para os perigos da ampliação do porto. “Se não houver uma fiscalização forte, enfrentaremos graves problemas. Agora, com o porto pequeno, já podemos perceber a grande quantidade de poluição. Quando ampliar e o número de navios fundeados mais que dobrar, precisaremos estar atentos para que não se instale o caos na nossa região”.

Segundo ele, na época da construção do gasoduto já enfrentavam as mesmas dificuldades. “Assim fica difícil trabalhar, temos tantas restrições, não podemos pescar por terra, só por zoneamento, e isso tem nos prejudicado muito”, concluiu o pescador Silva.

Segundo a assessoria de imprensa da Companhia Docas de São Sebastião (CDSS) o órgão vai averiguar sobre a questão apontada e se manifestará oportunamente sobre o assunto.


Fonte: Imprensa Livre