Tratamento de água residual por osmose reversa alcança 99% de eficácia na eliminação de fármacos

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03/01/2013

A presença de contaminantes emergentes, como produtos farmacêuticos no ambiente aquático e seus potenciais efeitos sobre os organismos vivos se tornou uma questão de crescente preocupação para os cientistas, gestores de água e do público.

Um projeto piloto na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Castell-Platja d'Aro, na Catalunha, Espanha, mostrou grande eficiência na remoção de produtos farmacêuticos de águas residuais, através de um sistema que integra um biorreator de membrana combinado com um sistema de osmose reversa (MBR-RO).

Depuradora de Badajoz, Espanha. 
O projeto foi realizado pelo Instituto Catalão de Pesquisa da Água (ICRA), o Laboratório de Engenharia Química e Ambiental da Universidade de Girona (LEQUIA), o Consórcio da Costa Brava (CCB) e a joint venture Águas da Costa Brava SA.

O estudo avaliou a eliminação de vários medicamentos, incluindo uma ampla gama de produtos farmacêuticos, medicamentos psiquiátricos, antibióticos, anti-inflamatórios, etc, em um sistema integrado de membranas (MBR-RO) em escala piloto.

Este sistema combina o sistema de bioreator de membrana (MBR) com as unidades de osmose inversa (RO). A tecnologia MBR utiliza a degradação biológica de contaminantes com uma separação física da água, tratada através de filtração por membranas incorporadas ao bioreator. Ao acoplar o sistema MBR ao sistema posterior de filtragem por osmose reversa, chega-se a um efluente menos contaminado, filtrado por poros reduzidos.

A combinação do tratamento MBR e RO mostrou excelente eficácia na remoção dos medicamentos, tornando possível uma remoção acima de 99%. A alta remoção de contaminantes contrasta com os resultados obtidos com as tecnologias convencionais de purificação utilizadas em larga escala no tratamento de águas residuais, tais como o tratamento secundário ou biológico por sistema de fungos, em que a eliminação dos fármacos é incompleta.

Sistemas de osmose inversa tornam-se cada vez mais uma alternativa real e necessária em locais onde há escassez de água, como é o caso nas zonas mediterrânicas. Alternativas para o tratamento de águas residuais como a apresentada no estudo, permite a utilização até mesmo para abastecer águas subterrâneas ou rios, com excepcional qualidade e com uma presença muito menor de contaminantes do que a água do próprio rio.

Tudo isto resulta numa melhoria substancial na qualidade da água do rio, o que é especialmente importante, uma vez que em muitos casos, a maior parte do fluxo de alguns rios mediterrânicos, especialmente nos períodos de seca, é formada por descargas de estações de tratamento, que podem conter altos níveis de contaminação. A qualidade da água potável que será produzida em uma cidade dependerá da condição ambiental do rio, que determinará a quantidade necessária de recursos energéticos, e portanto econômicos, destinados à produção de água potável pelas ETAs.

Lembrando que um estudo semelhante, envolvendo o ICRA e liderado pelo IDAEA-CSIC de Barcelona, ​​em colaboração com a Agência de Água Catalã, foi realizada no rio Llobregat a alguns anos atrás. Naquela ocasião o tratamento que a reutilização da água depois do tratamento biológico foi a desinfecção por luz ultravioleta e cloração.


Fonte: www.iagua.es