Ambientalistas criticam plano contra vazamentos de petróleo no Ártico

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05/02/2013

Conselho formado por oito países prevê ações contra vazamentos na área. Documento com detalhes é vago e não define responsabilidade, diz ONG.

Nesta imagem fornecida pela Guarda Costeira dos EUA a unidade de perfuração cônica Kulluk encalhada perto de uma praia a 40 quilômetros sudoeste da cidade de Kodiak, no Alasca, quinta-feira 3 de janeiro, 2012. (Foto: AP/Guarda Costeira dos EUA, suboficial de 2 ª Classe Zachary Painter)

Os países do Ártico foram vagos em seus planos de cooperação contra vazamentos de petróleo na região do Polo Norte, e deveriam ter definido com mais rigor a responsabilidade das empresas por eventuais acidentes, afirmaram ambientalistas na segunda-feira (4).

Um documento de 21 páginas redigido pelos oito países do Conselho Ártico diz que a região "deve manter um sistema nacional para responder imediata e efetivamente aos incidentes de poluição petrolífera" nessa gélida região, que está se tornando alvo de exploração devido ao aquecimento global.

Agências internacionais tiveram acesso e anteciparam o teor do documento, que deve ser aprovado em maio deste ano. Ele não detalha várias medidas, como contratação de pessoal, navios, equipamentos de limpeza e responsabilidades corporativas por eventuais derrames de petróleo no Ártico, onde os Estados Unidos estimam estar 13% das reservas petrolíferas ainda não descobertas do planeta, e 30% das reservas de gás não descobertas.

Os países redigiram esse documento num momento em que empresas como Royal Dutch Shell, ConocoPhillips, Lukoil e Statoil voltam seus olhos para a região do Polo Norte, apesar dos custos e riscos envolvidos. Em 31 de dezembro, o mau tempo provocou o encalhe da plataforma petrolífera Kulluk, da Shell, na costa do Alasca.

"O documento não encara os riscos de um vazamento de forma significativa", disse Ruth Davis, do Greenpeace, que entregou o documento à Reuters. Autoridades confirmaram a autenticidade do texto.
O Greenpeace, que luta pela proibição da prospecção petrolífera no Ártico, disse que o texto é "escrito de forma tão vaga que terá pouco valor prático na elevação do nível de preparação" contra acidentes.

"Deveríamos estar bem além deste documento rudimentar", ecoou Rick Steiner, consultor ambiental, ex-professor da Universidade do Alasca e crítico contumaz da indústria do petróleo. Ele disse que o conselho deveria dar mais ênfase à prevenção dos vazamentos.

O Conselho Ártico, formado por EUA, Rússia, Canadá, Suécia, Finlândia, Noruega, Islândia e Dinamarca (país que controla a Groenlândia), vê a cooperação como um grande avanço para a região, onde a cobertura de gelo atingiu seu menor nível no verão de 2012.

"Haverá muitas melhorias em comparação a hoje - simplesmente por tornar mais fácil para que os países árticos se ajudem mutuamente quando necessário", disse Karsten Klepsvik, que até o final de 2012 era especialista da chancelaria norueguesa em questões polares.

O documento define, por exemplo, um contato ininterrupto entre os oito países para questões emergenciais, além de estipular regras nacionais para permitir o rápido transporte de equipamentos de limpeza pelas fronteiras marítimas, um melhor monitoramento e treinamentos conjuntos.

Os ministros de Meio Ambiente dos países do Conselho Ártico vão se reunir na terça-feira (5) e na quarta-feira (6) em Jukkasjarvi, na Suécia, para discutir a proposta.


Fonte: G1/Reuters