Atletas reclamam de 'mar de peixes' mortos na Lagoa, e Confederação de Remo admite preocupação

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15/03/2013

Milhares de peixes mortos dividiram espaço com barcos e atletas durante a seletiva nacional de remo, nesta quinta-feira, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Campeã mundial no skiff simples em 2011, Fabiana Beltrame lamentou o "mar de peixes" durante as provas realizadas justamente no local que será sede da modalidade na Olimpíada de 2016 e explicou que a situação atrapalha o desempenho dos remadores, em entrevista ao ESPN.com.br.

As mortes aconteceram por causa da falta de oxigênio na água, ocasionada pelo calor e fortes chuvas, e cerca de 65 toneladas de peixes já tinham sido retirados do local até esta quinta. Mesmo assim, outros milhares permaneciam na Lagoa, e o mau cheiro era durante a disputa, o que gerou reclamações de vários dos 150 atletas participantes.

Beltrame foi medalha de ouro no Mundial, em 2011.
Crédito: Reuters
"Na hora da largada, a concentração de peixes era grande, era complicado para dar uma largada forte. A minha eliminatória foi logo no início do dia, ainda tinha muito peixe, depois limparam um pouco. Era um mar de peixes, só peixe em volta do barco, e a gente batia neles mesmo. Fora o mau cheiro, que atrapalha até para a gente respirar", afirmou Fabiana Beltrame, que explicou que os peixes podem enganchar no remo e fez um alerta para que a situação não se repita em outras competições no local.

"Não interferiu diretamente no resultado de hoje, com ou sem peixe o resultado seria o mesmo, porque era eliminatória. Mas se fosse uma disputa mais acirrada, como Olimpíada ou mesmo o Sul-Americano que vai acontecer no próximo mês, poderia interferir. Preocupa, é preciso ver isso para que não aconteça de novo às vésperas da Olimpíada".

Procurado pela reportagem do ESPN.com.br, o presidente da Confederação Brasileira de Remo, Edson Altino Pereira Junior, admitiu preocupação com a situação e disse que Prefeitura está fazendo a limpeza das águas. O dirigente tentou minimizar o problema, dizendo que os peixes estavam apenas "nos cantos" da Lagoa, mas cobrou um trabalho intenso do Comitê Organizador do Rio-2016 para resolver o problema para os Jogos.

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"Gerou um desconforto para os atletas, por causa do mau cheiro. Mas não atrapalhou em nada no rendimento técnico da prova. Essa situação foi uma coisa que não se pode prever. Preocupação há, mas para a Olimpíada a Lagoa vai estar muito melhor do que hoje, um trabalho forte terá que ser feito. O Comitê Organizador do Rio-2016 é o responsável por cuidar disso, juntamente como o COI, e nós já estamos tentando contato com ele para resolver a situação", afirmou o presidente da Confederação.

Em nota oficial, o Comitê Organizador do Rio-2016 não se referiu especificamente aos milhares de peixes mortos durante a seletiva desta quinta-feira, mas garantiu que um trabalho para a despoluição e melhora da qualidade da água da Lagoa Rodrigo de Freitas vem sendo feito.

“Os governos estadual e municipal vêm realizando, em parceria com o setor privado, projetos que visam à implementação de ações que resultem em uma melhoria de toda a bacia hidrográfica. Resultados de recuperação ambiental já vêm sendo constatados, com queda de indicadores e estabilização da condição da água. O governo municipal também realiza o monitoramento contínuo da qualidade da água, de forma que o Comitê Organizador tem plena confiança de que a Lagoa estará em perfeitas condições para a realização dos eventos em 2016”, informou o Comitê.

O britânico Steve Redgrave visitou a Lagoa no último sábado. Crédito: Getty Images
A imagem do Rio de Janeiro nos anos que antecedem a Olimpíada também é uma das preocupações dos atletas. Fabiana Beltrame lembrou que o ex-remador britânico Steve Redgrave, dono de cinco medalhas de ouro em cinco Olimpíadas seguidas, esteve na Lagoa no último sábado.

"Ainda bem que isso não aconteceu quando o Steve Redgrave estava aqui, logo que vi os peixes eu pensei nisso. Com certeza, isso assusta, os olhos estão voltados para o Rio agora", disse Beltrame.

Apesar do problema, a possibilidade de mudança de local de prova para a Olimpíada de 2016 a princípio está descartada. Nem os atletas e nem a Confederação de Remo gostariam que a modalidade fosse realizada longe da Lagoa Rodrigo de Freitas.

"A Lagoa agora está em uma boa qualidade, como nunca esteve nos últimos anos. Falam que a lagoa do Marapendi, na Barra, é mais poluída do que essa. Tirar a Olimpíada da Lagoa Rodrigo de Freitas não é uma boa, o remo brasileiro teria muito a perder com isso. Os Jogos deixarão um legado para a Lagoa", disse Edson Pereira, presidente CBR.

"Eu nunca remei na Barra, mas dizem que tem a opção da Lagoa lá. Isso foi cogitado, mas já foi descartado. É melhor ficar na Lagoa mesmo, é mais central, o remo sempre foi aqui, seria uma pena se mudasse", afirmou Fabiana Beltrame.

Fonte: ESPN.com.br