Depois de "fechar os olhos" por décadas, Perú declara estado de emergência devido à contaminação por petróleo na Amazônia

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28/03/2013

O governo peruano declarou estado de emergência ambiental depois de encontrar níveis elevados de chumbo, cromo e bário no rio Pastaza na selva amazônica, relatou a Associated Press. Os povos indígenas da região têm reclamado por décadas de contaminação generalizada causada pelas perfurações de petróleo, mas esta é a primeira vez que o governo peruano reconheceu suas preocupações. Atualmente 84 por cento da Amazônia peruana está sobre potenciais depósitos de petróleo e gás, levando a conflitos com povos indígenas e a degradação ambiental.

Ambientalista exibe a mão suja de óleo em vazamento ocorrido em 2009.

O ministro do Meio Ambiente do Perú, Manuel Pulgar-Vidal, disse que a Pluspetrol, que passou a operar no bloco de petróleo em questão - 1 AB -, desde 2001, seria responsável por limpar a poluição. Mas o ministro também observou que a Occidental Petroleum, que operou o bloco de 1971 a 2001, todavia não havia sido ambientalmente responsável em suas operações.

Além do Pastaza (acima), mais dois rios onde a Pluspetrol tem campos de petróleo estão contaminados: o Corrientes e o Tigre. Todos afluentes do Amazonas. (Google Maps)

A notícia vem logo após o Perú definir suas primeiras normas ambientais para a poluição do solo, e essas novas demandas do governo que levaram ao anúncio do estado de emergência. Pela primeira vez os especialistas peruanos tinham padrões que permitam medir a contaminação do leito do rio Pastaza.

A Pluspetrol tem agora 90 dias para limpar o rio Pastaza e mitigar o risco para os povos locais Quichua e Ashuar. 

Lagoa cheia de petróleo localizada próximo ao rio Pastaza.

O Perú tem 659.937 quilômetros quadrados de sua floresta amazônica (84 por cento), sobre atuais e potenciais depósitos de óleo e gás, uma área maior do que o Afeganistão. Não é de surpreender que, devido as grandes proporções, muitos dos blocos de petróleo cubram terras indígenas e áreas protegidas. Tais concessões colocam não só em perigo grupos indígenas e a floresta em si, mas também muitas tribos que vivem em isolamento voluntário, que são altamente suscetíveis à doenças.

Enquanto isso, as companhias de petróleo estão reclamando que o processo de regulamentação do Perú está asfixiando o desenvolvimento dos campos de petróleo do país. O Dow Jones Newswires divulgou no dia 19 deste mês que 16 companhias de petróleo se uniram para pressionar o governo peruano por aumento na produção de petróleo e gás.

Em 2009, o conflito entre a exploração do petróleo e os direitos indígenas explodiram em violência. Um confronto entre manifestantes e policiais do governo levou à morte de 23 policiais e 10 manifestantes indígenas. Grupos indígenas, desde então, acusam a polícia de esconder corpos de manifestantes, a fim de ocultar a escalada da violência.


Confira a reportagem "Amazônia ferida: desastre ecológico no coração da selva", produzida pelo telejornal Panorama Perú:



Fonte: Mongabay