Mortandade de peixes na lagoa Rodrigo de Freitas alerta para desequilíbrio ambiental

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13/03/2013

A lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio, amanheceu coberta de peixes mortos. A mortandade, que já resultou no recolhimento de aproximadamente doze toneladas de peixes em dois dias, se agravou nesta quarta-feira. O espelho d’água da lagoa está tomado por peixes mortos de várias espécies. Crustáceos como caranguejos e camarões também foram encontrados mortos. Pescadores contam que os animais ainda vivos estão concentrados bem próximos à superfície da lagoa.

Crédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Segundo o biólogo Mário Moscatelli, três fatores podem ser as causas da mortandade de peixes. Ele percorreu a lagoa Rodrigo de Freitas num barco e afirmou que a situação é preocupante. O comportamento dos animais ainda vivos, que estão na superfície e sendo facilmente capturados, indica falta de oxigênio.

Crédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Nesta quarta-feira, todos os animais que dependem do oxigênio estão morrendo, peixes nobres e menos nobres, além de caranguejos, camarões. Três causas prováveis são o lançamento de esgoto em grande quantidade por problema em alguma elevatória da Cedae, aporte de matéria orgânica trazida por fortes chuvas ou um fenômeno climático que divide o espelho d’água em dois, um sem oxigênio mais no fundo e outro com oxigênio mais próximo da superfície. Pode ser a conjunção de mais de um desses fatores explicou o biólogo, afirmando que o monitoramento da permanente da Lagoa é fundamental para prevenir a mortandade.

Crédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

De acordo com informações do jornal O Globo, a lagoa não é mais monitorada 24 horas por dia, como acontecia. Antes, era possível acompanhar on-line as condições da lagoa. Isso preocupa. Caso não passemos a monitorar e gerenciar de forma moderna, com tecnologia, a lagoa Rodrigo de Freitas, uma das arenas das Olimpíadas de 2016, poderá estar tomada por peixes mortos durante os jogos.

Mais de 12 toneladas de peixes mortos foram retiradas da lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro, por funcionários da Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana). Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, as fortes chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias levaram matéria orgânica para a lagoa, material que teria usado todo o oxigênio dissolvido na água para se decompor. Crédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente(SMAC), no entanto, garantiu que a Lagoa Rodrigo de Freitas é monitorada 24 horas por dia. Segundo o órgão, a cada hora, a boia que fica no meio da lagoa emite boletins que são analisados em tempo real. De acordo com a secretaria, a população tem acesso às informações diariamente, no site do órgão e na própria lagoa, onde bandeiras de cores verde, amarela e vermelha, indicativas de qualidade, são hasteadas.

Segundo a secretaria, as fortes chuvas causaram o problema. O temporal provocou o desague de águas pluviais que levaram matéria orgânica para a Lagoa. Esta matéria orgânica, para se decompor, usa o oxigênio dissolvido, levando a zero e causando mortandade. A secretaria de Meio Ambiente informa que ainda estamos com zero de oxigênio neste momento. O secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz descartou que o lançamento de esgoto tenha provocado a mortandade. Ele atribuiu o problema às duas grandes chuvas num espaçamento de tempo curto e o período reprodutivo de algumas espécies de peixes no mês de fevereiro, criando uma superpopulação e fazendo com que aumente o consumo de oxigênio na lagoa.

- A central de monitoramento da Lagoa faz acompanhamento permanente das condições. Não detectamos nenhuma entrada excepcional de esgoto. Tivemos duas fortes chuvas que trazem material orgânico para a lagoa. O mês de fevereiro é o de reprodução de espécies como a Savelha. Isso criou uma superpopulação abaixando o nível de oxigênio na água – explicou Muniz. Segundo o secretário, a perspectiva é que o nível de oxigenação da lagoa só aumente no meio da tarde desta quarta-feira, quando a maré encher e renovar a água da lagoa.

Ainda de acordo com o jornal O Globo  Carlos Alberto Muniz afirmou que pretende estimular a pesca na lagoa no período anterior ao fim do verão de 2014 para equilibrar a população de peixes e evitar novas mortandades. A pesca na lagoa Rodrigo de Freitas é de 300 a 400 quilos de pescado por dia. Vamos estimular o aumento da pesca e em 2014 evitar essa superpopulação de peixes nesta época do ano. 

Queremos estimular inclusive a pesca esportiva na lagoa. O recolhimento de peixes mortos está sendo feito por 90 funcionários da Comlurb, além de técnicos da secretaria de Meio Ambiente com o apoio de três catamarãs.

Fonte: Correio do Brasil