Toneladas de peixes mortos na Lagoa de Piratininga em Niterói

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05/03/2013

Segundo instituto Estadual do Ambiente, nova mortandade na lagoa da Região Oceânica pode ter ocorrido devido à entrada da frente fria. Técnicos medirão o nível de oxigênio da água.

Três toneladas de peixes mortos foram retiradas na segunda-feira da lagoa. Cena que se repete de um Brasil insustentável. Até quando?! 

Moradores de Piratininga tiveram na segunda-feira uma desagradável surpresa. Cerca de três toneladas de peixes apareceram mortos na lagoa e funcionários da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) precisaram fazer a limpeza do local durante a manhã. De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o problema pode ter ocorrido devido à entrada da frente fria, após vários dias de insolação elevada, possivelmente associada a ventos mais fortes, provocando a morte dos peixes.

Ainda de acordo com o Inea, técnicos da Gerência de Qualidade da Água realizarão medição do nível de oxigênio da água na terça-feira.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Daniel Marques, uma avaliação na areia da lagoa foi realizada em fevereiro, e nada foi constatado. “Analisamos a areia da Lagoa de Piratininga em fevereiro e não encontramos níveis alarmantes de substâncias tóxicas. Mas vamos esperar o estudo do Inea para resolvermos o que fazer. O resultado sai na próxima quinta-feira. No entanto, temos alguns problemas visíveis como o baixo nível da água e os rios trazendo uma quantidade enorme de sujeira para a lagoa. É um conjunto de fatores que mexe com o ecossistema da lagoa. Mas a reversão do assoreamento da Lagoa de Piratininga vai continuar para aumentarmos a profundidade do local e para que a água seja renovada”, disse o secretário.

Funcionários da Clin que faziam a retirada dos animais mortos disseram que é a primeira vez que isso acontece esse ano. Já os moradores das proximidades acusaram a obra de dragagem da Lagoa de Piratininga, iniciadas no fim do ano passado, de contribuir com a mortandade de peixes da região.

A cabeleireira Cristina Araújo, de 33 anos, moradora do bairro há 10 anos, lembrou que em 2012 houve três ocorrências como essa. “Não é a primeira vez que isso acontece. O pior é esse mau cheiro. Se hoje está assim, amanhã (terça-feira) será pior. A Clin vem aqui, se esforça para fazer a limpeza, mas eles não conseguem tirar tudo de uma vez e a retirada acontece durante a semana”, disse.

Morador e pescador nascido na região, Diomir José de Souza, de 65 anos, diz que a mortandade de peixes na lagoa é normal. “A água esquenta no verão, mas com o temporal os peixes morrem. Isso tudo é proveniente do serviço que fizeram na lagoa há mais ou menos uns dois anos. Não era pra ter comporta, era pra sair e entrar água do mar normalmente. Com a água do mar represada, ela evapora com o calor, e resseca a lagoa, o que também contribui pra matar os peixes”, disse.

Diomir, que se apresentou como ex-funcionário da Clin, ainda ressaltou que o projeto de dragagem da lagoa, que está em andamento, até agora não fez efeito. “O cheiro piora com os dias. Até o pessoal da Clin fazer a limpeza, já apodreceu tudo. Tem muito pouco gari pra muita quantidade de serviço. Acho que esse novo projeto não vai trazer alguma solução. É dinheiro desperdiçado”, completou.

Intervenções para recuperar lagoas a caminho

As obras do projeto de execução para reverter o assoreamento da lagoa foram iniciadas em dezembro do ano passado e têm como objetivo fazer a manutenção da estação, mudar as comportas e retirar as rochas do túnel que ligam a Praia de Piratinga à lagoa. Orçadas em R$ 5 milhões, as obras de intervenção ambiental fazem parte de projeto do governo do estado para a recuperação das lagoas fluminenses.

Fonte: Rebeca Letieri/O Fluminense