A história de amor do círculo de areia subaquático

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02/06/2013

Introduzido a vida do fundo do mar durante a época de colégio por meio do mergulho livre, Yoji Ookata obteve sua licença de mergulho autônomo aos 21 anos de idade. Ao mesmo tempo comprou uma câmera de filme 35mm Nikonos, projetada especificamente para fotografia subaquática, e dedicou todo o seu tempo livre aperfeiçoando sua arte. Então, aos 39 anos,  finalmente fez a transição. Largou seu emprego em um escritório e tornou-se um fotógrafo freelancer subaquático.


Mas, mesmo para um homem que passou os últimos 50 anos submerso no mundo aquático da vida marinha, o oceano se mostra infinitamente misterioso. Durante um mergulho na região semi-tropical de Amami Oshima, a cerca de 24 m de profundidade Ookata avistou algo que ele nunca tinha visto. E, como se constatou, ninguém mais havia visto antes também.


No fundo do mar uma estrutura geométrica, circular medindo cerca de 6,5 m de diâmetro tinha sido precisamente esculpida na areia. Ela consistia de múltiplas arestas, projetadas simetricamente a partir do centro, e parecia ser obra de um artista subaquático, trabalhada cuidadosamente com ferramentas.


Devido a forma circular, Ookata apelidou sua descoberta de "círculo misterioso", e pediu ajuda a alguns colegas da NHK para investigar. Em um episódio de televisão que foi ao ar, intitulado "A descoberta do século: Mistério do círculo marinho", a equipe de televisão revelou suas descobertas identificando o artista desconhecido.



Câmeras subaquáticas mostraram um pequeno baiacu, que, usando apenas o movimento da nadadeira, trabalhou incansavelmente dia e noite para esculpir os sulcos circulares. O artista improvável - mais conhecido no Japão por ser uma iguaria, embora com potencial venenoso - ainda leva pequenas conchas, às quebra com a boca, e com os pedaços ele forma linhas nos sulcos de sua escultura como se decorasse sua obra. A observação revelou que este "misterioso círculo" não estava lá só para deixar o fundo do mar bonito. Atraídas pelos sulcos e rugas, as fêmeas de baiacu encontram o caminho ao longo do leito do mar até o baiacu macho, onde acasalam e colocam os ovos no centro do círculo. Na verdade, os cientistas observaram que, quanto mais nervuras houverem no círculo, maior é a probabilidade da fêmea se acasalar com o macho. As pequenas conchas do mar não eram apenas em vão também. Os observadores acreditam que elas servem como nutrientes vitais para os ovos que eclodem e para os recém-nascidos.



O mais fascinante é que a escultura formada pelo peixe possui um outro papel. Através de experimentos em laboratório, os cientistas mostraram que as ranhuras e sulcos da escultura ajudam a neutralizar correntes, protegendo os ovos de serem carregados e expostos aos predadores.


Foi uma verdadeira história de amor e evolução.

Fonte: Spoon & Tamago