Agrotóxicos reduzem significativamente a biodiversidade aquática, dizem cientistas

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19/06/2013

Os agrotóxicos, muitos dos quais ainda utilizados, são responsáveis ​​pela redução de até 42 por cento da diversidade regional de invertebrados em córregos e rios, relatam pesquisadores na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências (PNAS).

Espécies de insetos, como a libélula-de-rabo-azul (Ischnura senegalensis) estão particularmente ameaçadas pela entrada de agrotóxicos em seu habitat. Crédito: André Kunzelmann / UFZ; Local: Banaue / Filipinas

Mikhail A. Beketov e Matthias Liess do Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental (UFZ), em Leipzig, juntamente com Ben Kefford da Universidade de Tecnologia de Sydney e Ralf B. Schäfer, do Instituto de Ciências Ambientais Landau, analisaram o impacto de agrotóxicos, tais como inseticidas e fungicidas, na biodiversidade regional de invertebrados em águas correntes, utilizando dados da Alemanha, França e Victoria, na Austrália. Os autores do estudo, agora publicado, ressaltam que este é o primeiro estudo a investigar os efeitos dos agrotóxicos sobre a biodiversidade regional.

Os agrotóxicos estão entre os grupos de poluentes mais investigados e regulados. No entanto, até agora não era conhecido se, em que extensão, e em quais concentrações provoca uma redução da biodiversidade em ambientes aquáticos. Os pesquisadores investigaram essas questões e compararam os números de espécies em diferentes regiões: em Hildesheimer Boerde, na Alemanha, em Victoria, na Austrália e em Bretanha, na França.

Na Europa e na Austrália, os pesquisadores foram capazes de demonstrar perdas consideráveis ​​na biodiversidade regional de insetos aquáticos e outros invertebrados de água doce. Foi encontrada uma diferença de biodiversidade de 42 por cento entre as áreas não-contaminadas e fortemente contaminadas na Europa, na Austrália, uma queda de 27 por cento foi demonstrada.

Os pesquisadores também descobriram que a diminuição global da biodiversidade é devida principalmente pelo desaparecimento de vários grupos de espécies que são especialmente suscetíveis aos agrotóxicos. Incluindo principalmente os representantes dos plecópteros, efemerópteros, tricópteros e libélulas, membros importantes da cadeia alimentar para peixe e aves. A diversidade biológica em tais ambientes aquáticos só pode ser sustentada por eles, porque garantem um intercâmbio regular entre águas superficiais e subterrâneas, funcionando, assim, como um indicador de qualidade da água.

Conceitos de proteção aquém das necessidades

Um resultado preocupante do estudo é que o impacto dos agrotóxicos sobre essas criaturas minúsculas já é catastrófico em concentrações consideradas seguras pelo atual regulamento europeu. Os autores apontam que o uso de agrotóxicos é um fator importante para a perda de biodiversidade e que as concentrações máximas legalmente permitidas não protegem adequadamente a biodiversidade de invertebrados em águas correntes.

Novos conceitos que ligam ecologia com ecotoxicologia são, portanto, uma necessidade urgente. "A prática atual de avaliação de risco é como dirigir cego na auto-estrada", adverte o ecotoxicólogo Matthias Liess.

Até o presente, as aprovações dos agrotóxicos, tem sido baseadas principalmente em trabalho experimental realizado em laboratórios e ecossistemas artificiais. Para ser capaz de avaliar adequadamente o impacto ecológico dessas substâncias químicas, é necessário validar os conceitos existentes por investigações em ambientes naturais, o mais rápido possível.

"Os últimos resultados mostram que o objetivo da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU de retardar o declínio no número de espécies até 2020 está comprometida. Os agrotóxicos sempre terão um impacto sobre os ecossistemas, não importa quão rígidos sejam os conceitos de proteção, mas considerações realistas quanto ao nível de proteção exigido para os diversos ecossistemas só poderão ser feitas se validarmos os conceitos de avaliação implementados".

A ameaça dos agrotóxicos à biodiversidade foi obviamente subestimada no passado.
Journal de referência:

M.A. Beketov, B.J. Kefford, R.B. Schäfer, and M. Liess. Pesticides reduce regional biodiversity of stream invertebrates. PNAS, 2013 DOI: 10.1073/pnas.1305618110

Fonte: ScienceDaily