EUA proíbe importação de salmão do Chile após detectar substância cancerígena

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18/07/2013

A agência que regula alimentos e remédios nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), proibiu as importações do salmão fresco e congelado produzidos no Chile pela empresa multinacional norueguesa Marine Harvest.

Linha de processamento do salmão na Marine Harvest. Crédito: Divulgação

A FDA tomou essa medida após a descoberta, em 5 de junho, de vestígios de cristal de metila, também conhecido como violeta cristal, um composto químico cancerígeno, em um lote de salmão dessa empresa.
Cristal de metila
Violeta cristal

A violeta cristal é um produto antifúngico que é proibido no Chile e nos EUA devido aos seus efeitos cancerígenos.

O diretor de vendas e marketing da Marine Harvest, Gianfranco Nattero, informou que após a descoberta desta substância", todas os carregamentos de salmão fresco e congelado desta multinacional para os EUA foram cancelados", de acordo com uma publicação do Ecoceanos News.

"A proibição não se estende a produtos de terceiros importados pela Marine Harvest, ou salmão defumado", afirmou o gerente.

Gianfranco disse que as autoridades norte-americanas, que são responsáveis ​​pelo controle dos alimentos, estão investigando as potenciais fontes de contaminação pela substância antifúngica proibida.

"Estamos verificando tudo. Fases de alimentação, processamento e embalagem. Tudo isso. Nós não usamos o violeta cristal, e a nossa própria análise, bem como como os programas de amostragem oficiais no Chile não detectaram o produto químico", acrescentou.

Enquanto isso, a empresa enviou amostras para laboratórios independentes, e espera ter os resultados da análise dos próximos 10 dias.

O violeta cristal é utilizado para a remoção de fungos na indústria de curtumes e no setor de salmão. Mas seu uso é ilegal, a sua presença nos alimentos na União Europeia e os EUA é proibido.

Vários estudos realizados sobre este produto químico tem demonstrado efeitos cancerígenos em animais de laboratório, após exposição à mesmo.

De acordo com Juan Carlos Cárdenas, um médico veterinário e diretor do Centro Ecoceanos, "esta situação reposiciona a atenção internacional para a negligência na produção industrial do salmão, bem como no sistema de controle de saúde do governo."

Sashimi de salmão
Salmão, shoyu, wasabi e o que mais? Crédito: Divulgação

"Esperamos que o sistema de rastreabilidade permita que os consumidores nos EUA, Japão, Brasil, União Europeia e outros países tenham o direito de saber as condições em que o salmão está sendo produzido no Chile", destacou Juan Carlos.

"As empresas que insistem em usar substâncias químicas ilegais no Chile não podem ser consideradas idôneas e deverão ser sancionadas em ambos os mercados, nacional e internacional. Este é um novo sinal de que o chamado novo salmão 2.0 é apenas parte de campanhas de publicidade e relações públicas", concluiu.

Trata-se de um modelo semântico para a avaliação global da qualidade dos salmões do atlântico criados em fazendas marinhas. O modelo, chamado SWIM 2.0, é um índice projetado para permitir que os profissionais de saúde realizem uma avaliação formal e padronizada da qualidade dos peixes utilizando um conjunto de indicadores de avaliação de qualidade.

Fonte: Analia Murias / FIS