União Europeia quer o plástico fora dos estômagos dos animais marinhos

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23/11/2013

Os biólogos marinhos estão encontrando mais plásticos nos estômagos de aves e peixes mortos. A UE pretende ajudar a reduzir o uso da sacola plástica em 80 por cento. Alguns países membros já possuem projetos.

Sacolas plásticas poluem os oceanos do planeta e matam animais marinhos

"O problema é tão grande que nem sequer podemos mensurá-lo. Ninguém pode dizer quanto plástico há nos oceanos. Só, que é mais do que a natureza pode suportar", disse Benjamin Bongardt, especialista em resíduos da Nature and Biodiversity Conservation Union Germany (NABU) ao DW.

Por mais de dez anos, os biólogos marinhos têm tentado avaliar a poluição marinha, examinando aves mortas. Em média, eles encontram 31 ​​partículas de plástico nos estômagos dos pássaros - e o número de partículas aumenta. Estimativas com base nesses números mostram que há 18.000 partículas de plástico flutuando em cada quilômetro quadrado da superfície da água. Alguns deles são microscopicamente pequenos, outros, sacolas plásticas intactas.

O plástico dura séculos

A maior parte da poluição vem das sacolas plásticas. "Oitenta por cento de todas as sacolas vêm do continente, e não do mar. Isso significa que as sacolas plásticas não estão sendo descartadas de navios, mas principalmente em rios e praias por moradores e turistas, ou são sopradas ao mar pelo vento. Muitos plásticos desintegram somente após 450 anos." disse Bongardt. As sacolas plásticas muito finas, em particular, muitas vezes são descartadas após uma única utilização, e tendem a ser transportadas até o mar por ventos e rios.

Tubarões-baleia ingerem grandes quantidades de plástico ao "filtrarem" a água em busca de alimentos

A Comissão Europeia quer puxar o freio dos países e pressionar os membros a reduzirem o uso de sacolas plásticas. Segundo Janez Potocnik, comissário ambiental da UE e político esloveno, 100 bilhões de sacolas plásticas são utilizadas na União Europeia todos os anos. "Mais de 8 bilhões de sacolas plásticas são descartadas inadequadamente todos os ano, causando enormes danos ambientais - especialmente para peixes e aves (e tartarugas), que acabam engolindo partículas de plástico", disse Potocnik. Dia 04/11 ele apresentou um projeto para uma nova diretiva relativa às embalagens. De acordo com a referida diretiva, os países membros da UE serão obrigados a reduzir o uso de sacolas plásticas.

Meus 4 pelos seus 450

O problema da sacola plástica varia entre os países da UE. Dinamarqueses e finlandeses usam apenas quatro sacolas por habitante a cada ano, enquanto na Polônia, Portugal e Eslováquia , o uso anual per capita é de mais de 450 sacolas plásticas. Os alemães usam em média 70. "Alguns países membros já alcançaram grandes resultados em termos de redução do uso de sacolas plásticas ", disse Potocnik. "Se os outros seguirem o exemplo, podemos reduzir o consumo de hoje na UE em torno de 80 por cento."

Por causa dessas diferenças tão grandes Potocnik quer aplicar as medidas de redução no consumo de plástico para alguns países membros. Em casos excepcionais, Potocnik quer que esses países ignorem os regulamentos de mercado interno, se necessário.

"Os Estados membros devem também obter o direito de introduzir restrições de mercado, abrindo caminho para a proibição das sacolas plásticas - algo que não era possível pela legislação anterior", disse ele.

A proibição é impopular

Não está claro se ele vai chegar a esse ponto. O projeto do comissário da UE precisa ser aprovado pelo Parlamento e pelo Conselho da União Europeia. Por um lado, a proibição é impopular em países onde o uso de sacolas plásticas é alto. Por outro lado, os países com uma forte indústria de plásticos - como França e Alemanha - vão pressionar para acabar com o projeto.

Dagmar Roth-Behrend, parlamentar da UE pelo Partido Social-Democrata da Alemanha, critica que o Comissário para o Meio Ambiente da UE, Janez Potocnik quer deixar para os países membros a redução do uso de sacolas plásticas. O comissário, disse ela, cedeu ao confronto.

"Se eu for séria, como comissária para o meio ambiente, então precisaríamos de uma solução padronizada para toda a Europa. Se eu acho que há um problema, eu tenho que lidar com o problema ", disse Roth- Behrend.

Benjamin Bongardt, no entanto, saúda a abordagem flexível. É importante para evitar longas discussões - que os países comecem a enfrentar a poluição dos mares. Bongardt refere-se ao exemplo da Irlanda, que ele espera que seja seguido por outros países. A Irlanda tem aumentado o preço das sacolas plásticas. Atualmente, há um imposto de 22 centavos de dólar por sacola.

"O efeito é que o número de sacolas plásticas foi reduzido em noventa por cento, e cada cidadão usa apenas 18 sacolas por ano. O dinheiro dos contribuintes é utilizado para financiar o trabalho educativo", disse Bongardt.

Mais dinheiro, mais plástico

Bongardt enxerga a União Européia como uma locomotiva para a proteção marinha global. O problema, é claro, vai muito além das fronteiras da Europa. Nos países emergentes, a prosperidade está em alta - e, com ela, o uso do plástico. Em alguns países, rios e lagos estão literalmente sufocados por sacolas e garrafas plásticas. Grande parte acaba no mar, às vezes, depois de anos, às vezes, depois de décadas.

Em comparação, os problemas da Europa são pequenos, diz Bongardt. "É claro que a Europa não pode resolver o problema global. Mas pode dar o exemplo e dizer: 'Estamos tentando reduzir o uso de plástico nos países industrializados." E talvez alguns países emergentes sigam esse exemplo ".

Viu, Brasil!

Fonte: Deutsche Welle