Santos quer frear ritmo de invasões em favelas

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21/05/2014 

A matéria abaixo, publicada segunda-feira (19) no Jornal A Tribuna, trouxe à tona a discussão deste grave problema socioambiental, para que erros cometidos no passado não se repitam no futuro.

Favelas de palafitas ocupam enormes áreas de manguezal. Imagem: Google Earth
Favelas de palafitas ocupam enormes áreas de manguezal. Imagem: Google Earth

Desde 2009 o Instituto EcoFaxina propõe a prefeitura de Santos um projeto para recuperação de áreas degradadas de mangue e geração de renda para vinte jovens desempregados que vivem em palafitas, o "Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos", que possui como um dos principais objetivos conscientizar e educar os  moradores sobre a importância do manguezal e da reciclagem, informando que a ocupação da área de proteção permanente é provisória e que o governo municipal providenciará novas moradias, de forma digna, como prevê em tese, o programa Santos Novos Tempos.

Milhares de famílias vivem em meio ao lixo e o esgoto em áreas de manguezal. Foto: Instituto EcoFaxina
Milhares de famílias vivem em meio ao lixo e o esgoto em áreas de manguezal. Foto: Instituto EcoFaxina

O atual momento exige conscientização, como por exemplo, um novo programa de "Educação para a Sustentabilidade", que será apresentado nos próximos dias pelo Instituto EcoFaxina como programa piloto, com 5 meses de duração, para uma das unidades de ensino - UME's de Santos.

No programa estão envolvidos, em atuação multidisciplinar e transversal, profissionais de áreas distintas como pedagogos, terapeutas comunitários, biólogos, assistentes sociais, comunicadores sociais, administradores, advogados e engenheiros. Toda essa estrutura de "capital intelectual", tem como único objetivo: EDUCAR PARA TRANSFORMAR.

Além de conscientizar sobre os problemas socioambientais, o programa irá capacitar moradores de palafitas, em especial os jovens, a buscarem melhorias a partir de um novo olhar, uma nova percepção baseada na educação ambiental, preparando a comunidade para a transferência de local, sendo a atual situação insustentável em seu amplo escopo: Ambiental - Econômico - Social.

A situação é ambientalmente inaceitável, descumpre leis ambientais federais, como as de saneamento (leis 11.445 e 12.305), refletindo em perdas econômicas na saúde pública, pesca, turismo, segurança, além das enormes perdas em serviços ambientais prestados pelo ecossistema, como o ciclo do carbono.

Muitas crianças nadam e pescam nas águas poluídas. Foto: Instituto EcoFaxina
Muitas crianças nadam e pescam nas águas poluídas. Foto: Instituto EcoFaxina

A situação social é calamitosa. Há pouco ou nenhum acesso a qualidade ambiental e de vida por parte dessas famílias. Convivem com poluição direta, vetores de doenças, criminalidade, desvalorização do entorno e da autoestima pois a situação só tende a piorar com aumento das invasões, consequência da falha no "congelamento" das favelas, como o próprio governo admite.

Precisamos de decisões pautadas em estratégia. Nós sabemos como e por onde começar, precisamos ser ouvidos. Queremos ajudar a resolver o problema. "Utilidade Pública" é o que fazemos, por isso temos que informar para que todos saibam que não existe "impossível" na busca por um mundo justo e ambientalmente sustentável.

O Instituto EcoFaxina luta um mar sem lixo, e acredita que com planejamento e ações conjuntas, conseguiremos solucionar de maneira eficaz e gradativa as demandas socioambientais no município.


Equipe Instituto EcoFaxina


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