Campeão olímpico da vela critica água da Baía de Guanabara: "É nojenta"

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01/06/2014

Sueco Max Salminen, ouro em Londres, se preocupa com saúde: "Muito pior do que eu imaginava". Treinador francês minimiza situação e diz que raia de Pequim era poluída.


Até 2016 a presença de velejadores estrangeiros no Rio será constante. Diferente de outros esportes, em que os locais de competição são parecidos – uma pista de atletismo ou uma piscina, por exemplo – as raias têm diferentes características nas condições meteorológicas, da maré ou do vento. Os treinos servem para desvendar os “segredos” da Baía de Guanabara, local disputa olímpica daqui a dois anos e dois meses. E também para o contato com a poluição das águas, problema que corre contra o tempo para ser amenizado até os Jogos.

Esta semana, quatro atletas da classe Finn tiveram contato com as águas cariocas. Dois são medalhistas olímpicos: o sueco Max Salminen, ouro na Star com Fredrik Loof, e o francês Jonathan Lubert, bronze da Finn. Seu conterrâneo Thomas Lebreton e o finlandês Tapio Nirkko completavam o grupo, que em alguns dias ganhou a companhia de Jorge Zariff, campeão mundial adulto e júnior no ano passado.

Salminen teve surpresas positivas e negativas, ambas além de suas expectativas. A primeira, com as condições favoráveis de navegação. E a segunda, com a sujeira da água.

- Devo dize que estou empolgado com o lugar onde havia preocupações com as condições de navegação e vento. Há muito mais vento do que eu esperava. Então, as condições são ótimas. Com as montanhas a direção do vento fica imprevisível. É um desafio. Também ouvi dizer sobre como seria a sujeira da água. Aqui eu vi que ela é muito pior do que eu imaginava. É nojento! Estou preocupado com a minha saúde, de entrar água na minha boca. E também é um problema quando um plástico ou outro tipo de lixo prende no barco e influencia na velocidade.

Salminen e Fredrik Loof nos Jogos Olímpicos de 2012. Fonte: MSNBC

O quarteto, que está sob a supervisão do técnico francês François Le Castrec, teve problemas com um saco plástico preso no barco na última quarta-feira. Experiente, Le Castrec esteve em todas as Olimpíadas desde Moscou 1980, como atleta ou treinador. Ele minimizou a poluição da Baía de Guanabara ao afirmar que a baía de Qingdao, dos Jogos de Pequim 2008, também era suja. Lobert diz que a culpa não é só do governo, mas também da população.

- Os cidadãos precisam se conscientizar e parar de jogar lixo na baía. É um problema de educação das pessoas. 

O finlandês Nirkko diz que tomou algumas vacinas antes de vir ao Rio, mas não soube dizer contra quais tipos de doença. O certo é que eles voltarão à cidade no início de agosto, junto com cerca de 400 velejadores das dez classes olímpicas, no primeiro evento-teste para os Jogos de 2016.

Em sua primeira vinda ao Rio, Max vai guardar outra experiência positiva. Ele perdeu seu celular no táxi e quando ligou de volta o motorista atendeu e devolveu:

- Fiquei muito agradecido por isso. Em geral, o povo do Brasil tem sido muito bom.


Fonte: Globoesporte.com