Pesquisadores da Unisanta descobrem duas espécies novas de bagre em rios da região

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25/06/2014 

Rineloricária sp. e Pimelodella sp. são os gêneros científicos das duas novas espécies de bagre encontradas na região por pesquisadores do Laboratório de Peixes Continentais - Lapec da Universidade Santa Cecília - Unisanta.

A descoberta ocorreu durante coletas feitas no rio Cubatão, nas mediações do bairro da Água Fria – região do Parque Estadual da Serra do Mar, e no rio Quilombo, na Área Continental de Santos.

Equipe em campo
Equipe em campo
Pesquisadores do curso de Ciências Biológicas – Biologia Marinha da Unisanta disseram que os estudos, realizados em conjunto com pesquisadores do Museu de Zoologia da USP, tiveram início há dois anos, quando os primeiros exemplares foram capturados.

O processo de descrição da espécie é lento. Exige análises minuciosas que possibilitam detalhar com precisão as características do peixe, condição para que se confirme a existência de uma nova espécie por parte da ciência, e possa receber um nome científico, comenta o biólogo e coordenador do Lapec, João Alberto Paschoa.

As descobertas contam com apoio dos pesquisadores professores doutores Osvaldo Oyakawa, Mário de Pinna, Ilana Fichberg e da professora mestre Verônica Slobodian, todos do Museu de Zoologia da USP.

Rineloricaria sp.
Rineloricaria sp.
Pimelodella sp.
Pimelodella sp.

Características – As pesquisas já efetuadas revelaram particularidades das novas espécies de bagre. A ausência de placas ósseas no abdômen da Rineloricária sp., encontrada em Cubatão, distingue o peixe das outras espécies do gênero.

A Pimelodella sp., presente no rio Quilombo, apresenta colorido bem diferente. Enquanto as outras espécies têm coloração marrom claro, o peixe descoberto tem aparência arroxeada e o barbilhão (filamento que sobressai pelo canto da boca do peixe) é mais curto.

Além dos dois novos tipos de bagre, foram registradas ocorrências do peixe “cambeva” (Listrura camposi), espécie conhecida, até então, apenas no rio Juquiá, no Vale do Ribeira, e ameaçada de extinção, e do peixe-charuto (Apareiodon sp.) em nossa região.

Listrura camposi
Listrura camposi
Apareiodon sp.
Apareiodon sp.

Segundo os pesquisadores, não há relatos da captura desse peixe em rios costeiros, entre os estados do Rio Grande do Sul e Bahia.

“A região de Cubatão é pouco estudada quando se trata da identificação de peixes. O interesse por essa localidade se deu a partir do trabalho de conclusão de curso do aluno de Biologia Marinha da Unisanta, Bruno Abreu Santos”, comenta Paschoa.

Monitoramento – O grupo de pesquisadores do Lapec Unisanta, em conjunto com os pesquisadores da USP, pretende desenvolver o “Projeto Rio Cubatão: Ecologia e Monitoramento”, que irá monitorar quatro pontos do rio Cubatão e um ponto do rio Pilões, a cada seis meses.

A proposta é analisar a qualidade da água e dos sedimentos, além de identificar possíveis consequências à fauna de peixes do rio Cubatão, causadas por acidentes com caminhões que transportam carga líquida nas rodovias da Serra do Mar.

Para tanto, os estudos contarão com o apoio de dois importantes centros de pesquisa da Unisanta, o Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH) e o Laboratório de Ecotoxicologia, além do Laboratório de Biologia e Ecologia de Peixes (Unesp – Botucatu), por meio dos pesquisadores André Nobile e Felipe de Lima.


Fonte: Unisanta