Poluição por plásticos causa perda equivalente a US$ 13 bilhões para ecossistemas marinhos

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25/06/2014  

Custo com o despejo de plásticos ultrapassa 75 bilhões de dólares ao ano. Relatórios apresentados na UNEA ressalta o risco de contaminação dos microplásticos. 

Voluntários do Instituto EcoFaxina exibem resíduos plásticos coletados em praia em Guarujá
Voluntários do Instituto EcoFaxina exibem resíduos plásticos coletados em praia em Guarujá

Nairóbi, 23 de junho 2014 – A poluição causada por partículas de plástico dispersas nos oceanos representa um dano financeiro de US$ 13 bilhões anuais, de acordo com dois relatórios divulgados na abertura da primeira Assembleia Ambiental das Nações Unidas (UNEA, na sigla em inglês).

O 11º Anuário do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (PNUMA) atualiza informações sobre dez desafios ambientais emergentes, incluindo resíduos plásticos. E o documento “Valorando o Plástico” (Valuing Plastic no original), produzido em parceria com o Plastic Disclosure Project (PDP) e pela empresa de pesquisas Trucost, analisa o uso de plástico na indústria de bens de consumo.

O estudo “Valorando o Plástico” aponta que o custo do capital natural no uso de plástico a cada ano é de US$ 75 bilhões – impactos decorrentes da poluição do meio ambiente marinho e da poluição do ar causada pela incineração de plástico, entre outras fontes. O relatório aponta que mais de 30% dos custos de capital natural de plástico se deve às emissões de gases de efeito estufa provenientes da extração de matéria-prima e do seu processamento. No entanto, o documento observa que a poluição marinha é o maior custo, e que o valor de US$ 13 bilhões pode ser subestimado.

"O plástico desempenha um papel crucial na vida moderna, mas seus impactos ambientais não podem ser ignorados", afirmou o sub-secretário-geral da ONU e diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner. "A redução, reciclagem e reformulação dos produtos que usam plásticos trazem vários benefícios, incluindo redução dos prejuízos e mais investimentos e oportunidades de inovação. Nas regiões polares, foram descobertos pequenos pedaços de plástico presos no gelo, que podem contaminar alimentos e o ecossistema local. É fundamental evitar que detritos plásticos poluam o ambiente, o que se traduz em um único objetivo: reduzir, reutilizar, reciclar".

A grande e incalculável quantidade ​​de resíduos de plástico chega aos oceanos através do lixo, aterros mal geridos, turismo e da pesca. Parte deste material atinge o fundo do oceano, enquanto outra flutua e pode ser levada a grandes distâncias pelas correntes oceânicas.

Há muitos relatos ​​de danos causados por resíduos de plástico: a mortalidade ou doença quando ingeridos por animais marinhos, como tartarugas; emaranhamento dos animais, como golfinhos e baleias; e danos a habitats críticos, como os recifes de coral. Há também preocupação com a contaminação química e pela dispersão de espécies invasoras em fragmentos plásticos, o que causa perdas para as indústrias de pesca e de turismo em muitos países.

Desde 2011, última vez em que o Anuário do PNUMA analisou os resíduos plásticos no oceano, a preocupação tem crescido em torno dos microplásticos (partículas de até 5 mm de diâmetro, fabricados ou criados quando o plástico se decompõe). Sua ingestão tem sido amplamente disseminada em organismos marinhos, incluindo as aves marinhas, peixes, mexilhões, vermes e zooplânctons.

Uma questão emergente é o uso crescente de microplásticos em pastas de dentes, géis e produtos de limpeza facial. Estes microplásticos tendem a não ser filtrados durante o tratamento de esgoto e são lançados diretamente em rios, lagos e oceano.

As tendências da produção, padrões de uso e as mudanças demográficas são atribuídas como causa do aumento do uso de plástico. Os dois relatórios convidam empresas, instituições e consumidores a reduzir a geração de resíduos.

O estudo “Valorando o plástico” relata que as empresas atualmente economizam US$ 4 bilhões ao ano por meio de uma boa gestão de plástico, e que os custos podem ser ainda mais reduzidos. Entretanto, a divulgação do uso do plástico é pobre: ​​de 100 empresas avaliadas, menos da metade dispunha de dados relativos à gestão do plástico.
br /> "A pesquisa revela a necessidade das empresas considerarem sua ‘pegada’ de plástico, assim como fazem para carbono, água e florestas", disse o diretor do PDP, Andrew Russell. "Ao gerenciar e reportar o uso do plástico e sua eliminação, as empresas podem mitigar os riscos, maximizar as oportunidades e se tornar mais bem sucedidas e sustentáveis."

Iniciativas como o PDP e parcerias globais do PNUMA sobre lixo marinho têm ajudado na crescente conscientização sobre plástico e poluição. No entanto, muito mais precisa ser feito. Recomendações para ações futuras a partir dos relatórios incluem:

  • As empresas devem monitorar seu uso de plástico e publicar os resultados em relatórios anuais.
  • As companhias devem comprometer-se a reduzir o impacto ambiental do plástico através de metas e prazos bem definidos, e inovar para aumentar a eficiência dos recursos e reciclagem.
  • Deve haver um foco maior em campanhas de sensibilização para desencorajar a jogar lixo nos oceanos e evitar o desperdício de plástico. Um aplicativo que permite aos consumidores verificar se um produto contém microesferas já está disponível em http://get.beatthemicrobead.org/
  • Uma vez que as partículas de plástico podem ser ingeridas por animais marinhos e potencialmente e dispersar toxinas através da cadeia alimentar, os esforços devem ser intensificados para preencher as lacunas de conhecimento e compreensão da capacidade de vários plásticos em absorver e transferir produtos químicos persistentes, tóxicos e bioacumuladores.

Acesse o release completo, em inglês, aqui.

Mais informações

O Anuário do PNUMA 2014 está disponível em inglês no formato aplicativo, e pode ser baixado em http://www.unep.org/yearbook/2014/ e uneplive.unep.org/global.

O relatório “Valorando o Plástico” está disponível para download em www.unep.org/pdf/ValuingPlastic.


Fonte: PNUMA