Mortes de pinguins no litoral do RS ultrapassam 2 mil casos em 2014

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06/09/2014 

Número de óbitos em 2014 já bateu índices registrados em 2012 e 2013. Possível causa é a falta de alimento e lixo espalhado pelas águas. 

Pinguins ingerem lixo descartados no mar. Foto: Reprodução/RBS TV
Pinguins ingerem lixo descartados no mar. Foto: Reprodução/RBS TV

A morte de pinguins da espécie magalhães no litoral do Rio Grande do Sul já ultrapassou o número de 2 mil somente neste ano. Em todo o ano de 2013, foram 1,8 mil mortes. A situação preocupa ambientalistas e pesquisadores do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), que buscam explicações para a mortandade dos animais.

No inverno, as areias das praias do litoral gaúcho estão vazias, mas o mar recebe visitantes em busca de alimento. Entretanto, os animais não estão sobrevivendo. Os pinguins dessa espécie se reproduzem principalmente nas costas leste e oeste da América do Sul, do Chile à Argentina. Os que chegam até o Brasil vêm da área da Patagônia.

É comum que alguns animais morram, mas a quantidade de mortes neste ano na costa gaúcha tem surpreendido os especialistas. “Esses animais são pinguins juvenis, é o primeiro ano de vida deles. Estão fazendo a primeira viagem e sobem o litoral do Brasil até a costa de São Paulo, Rio de Janeiro, pra se alimentar. Os que a gente está encontrando mortos, eles estão bem magros”, descreve o médico veterinário Derik Blaese de Amorim.

Quantidade de mortes tem surpreendido os especialistas. Foto: Reprodução/RBS TV
Quantidade de mortes tem surpreendido os especialistas. Foto: Reprodução/RBS TV

A explicação para o aumento das mortes de pinguins também pode estar no clima. O fenômeno El Niño - representa o aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial - modifica as correntes marítimas também no Oceano Atlântico. Com isso, fica mais difícil de encontrar alimento.

Além disso, segundo os especialistas, as toneladas de lixo encontradas nas águas também contribuem para as mortes. Todos os anos, resíduos são despejadas nos oceanos. O material é facilmente confundido com alimento e é consumido, por engano, pelos animais. “As prefeituras limpam as praias, mas no inverno nem tanto, porque não tem procura, não tem tanta gente, tanto turista. Mas a gente está aqui o tempo todo e vê que tem muito lixo, tanto no mar quanto na praia”, diz a bióloga marinha Camila Thiesen Rigon.

O que tem chamado a atenção dos pesquisadores é que a maioria dos pinguins encontrados mortos tem algum tipo de lixo no estômago, como plástico por exemplo. No ano passado, uma pesquisa constatou que 43% desses animais tinha consumido lixo. Este ano, o número passou dos 50%.

“Teve o caso de um pinguim que estava com canudo no esôfago.  Quando abrimos o estômago, não encontramos nenhum resíduo alimentar. Nem de peixe e nem de cefalópodes, que são as lulas, o que normalmente é o alimento deles. Provavelmente esse canudo estava impedindo o animal de se alimentar”, lamenta a bióloga Angélica Alves de Paula.

Confira a reportagem da RBS TV:



Fonte: G1 RS