Destruição de manguezais gera prejuízos econômicos de até US$ 42 bilhões, por ano

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17/10/2014

Agência da ONU afirma que é necessária ação global para impedir mais perdas; destruição de manguezais é até cinco vezes maior que outras florestas; Brasil concentra 7% de todos os manguezais do planeta.

Voluntário coleta plástico em manguezal no estuário de Santos. Ecossistema considerado berçário de espécies marinhas  sofre diariamente com o desmatamento e a poluição na região. Foto: Tierry Medeiros/Instituto EcoFaxina
Voluntário coleta plástico em manguezal no estuário de Santos. Ecossistema, considerado berçário de espécies marinhas, sofre diariamente com o desmatamento e a poluição na região.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, alertou que o ritmo de destruição dos manguezais é de 3 a 5 vezes maior do que o das florestas em todo o mundo.

Segundo relatório, "Importância dos Manguezais: Pedido para Ação", lançado dia 29/09, em Atenas, Grécia, os danos econômicos chegam a US$ 42 bilhões, o equivalente a R$ 101 bilhões, por ano.

Brasil

Os manguezais são encontrados em 123 países e cobrem uma área de 152 mil km². Mais de 100 milhões de pessoas vivem a uma distância de 10 km dessas regiões e se beneficiam de seus recursos.

O relatório mostra que o Brasil abriga 7% dos manguezais no mundo. Segundo o Pnuma, o país registra uma taxas mais baixas de perda porque mais de 70% dessas áreas estão em regiões protegidas. A cidade de Caeté, no Pará, é citada no documento como um dos exemplos. Com uma população de 13 mil habitantes, o Pnuma afirma que 83% tiram seu sustento do manguezal da região.

Caranguejo

Somente o caranguejo retirado do local é fonte de renda para 38% das famílias. A situação se repete na ilha de Caratateua, também no Pará.

O diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, afirmou que os serviços fornecidos pelos manguezais movimentam US$ 57 mil por hectare, por ano.

Além disso, Steiner menciona a capacidade dos manguezais de absorver carbono, que de outra forma seria expelido na atmosfera. Segundo ele, "fica claro que a contínua destruição dessas áreas não faz nenhum sentido ambiental ou econômico".

"No entanto, a crescente destruição e degradação dos manguezais - impulsionada pela conversão de terras para a aquicultura e agricultura, o desenvolvimento costeiro e a poluição - está ocorrendo em um ritmo alarmante, com a perda de mais de um quarto da cobertura de mangue do planeta. Isso tem potenciais efeitos devastadores sobre a biodiversidade, a segurança alimentar e os meios de subsistência de algumas das comunidades costeiras mais marginalizadas nos países em desenvolvimento, onde mais de 90 por cento dos manguezais do mundo são encontrados."

Mudança climática

A mudança climática representa outra ameaça ao manguezais. O relatório mostra que o fenômeno pode resultar numa perda de 10% ou 15% da região até 2100.

O chefe do Pnuma disse que a destruição e a degradação dos manguezais está ocorrendo num passo alarmante, seja pela conversão do local para atividades de aquacultura, agricultura, desenvolvimento da costa ou poluição.

Steiner declarou que mais de 25% dos manguezais no mundo já foram perdidos.

Para ele, esse fato tem efeitos devastadores sobre a biodiversidade, segurança alimentar e bem estar de várias comunidades que vivem nesses locais.

O documento diz ainda que apesar das provas dos benefícios gerados pelas regiões de mangues, essas áreas continuam sendo um dos ecosistemas mais ameaçados do planeta.


Fonte: Pnuma