Vida marinha está à beira da extinção em massa, afirma estudo

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11/02/2015 

Um grupo de cientistas concluiu que os humanos estão prestes a causar um dano sem precedentes aos oceanos e os animais que vivem neles. 

Voluntário coleta o lixo flutuante durante Ação Voluntária EcoFaxina na baía de Santos. A poluição marinha causa degradação dos habitats e leva à morte milhares de animais marinhos todos os anos. A poluição marinha causa degradação dos habitats e leva à morte milhares de animais marinhos todos os anos. Crédito: Instituto EcoFaxina
Voluntário coleta lixo flutuante durante Ação Voluntária EcoFaxina na baía de Santos. A poluição marinha causa degradação de habitats e leva à morte milhares de animais marinhos todos os anos.

"Podemos estar sentados à beira do precipício de uma grande extinção", afirmou Douglas McCauley, ecologista da Universidade da Califórnia e autor do estudo, publicado na revista Science no mês passado (15/1).

Segundo McCauley, ainda há tempo para evitar uma catástrofe maior. Isso porque, comparados com os continentes, os oceanos estão quase intactos.

"Os impactos estão aumentando, mas não estão tão graves a ponto de não podermos reverte-los", afirmou Martin Pinsky, biólogo marinho da universidade Rutgers e coautor do estudo.

A pesquisa de McCauley e Pinsky é sem precedentes, pois cruzou dados de diversas fontes, desde relatórios sobre a exploração de combustíveis fósseis até estatísticas sobre remessas de containers, pesca e mineração oceânica.

Plataforma P-36 da Petrobras afundando a cerca de 130 quilômetros da costa do Rio após duas explosões em 15 de março de 2001. Falha mecânica em uma das válvulas foi apontada como a principal causa para o acidente.
Plataforma P-36 da Petrobras afundando a cerca de 130 quilômetros da costa do Rio após duas explosões em 15 de março de 2001. Falha mecânica em uma das válvulas foi apontada como a principal causa para o acidente.

Os cientistas detectaram sinais claros que os seres humanos afetaram os oceanos e a vida marinha de forma grave.

Enquanto algumas espécies sofrem com a superpopulação, outras estão ameaçadas de extinção, devido a destruição seus habitats naturais, geralmente causada pela intervenção humana.

A população de recifes de corais, por exemplo, diminuiu 40% no século passado, principalmente pelas consequências do aquecimento global.

Algumas espécies de peixes estão migrando para águas mais frias. Outras espécies, com a locomoção reduzida, não irão conseguir encontrar novos lares.

Ao mesmo tempo, as emissões de gases do efeito estufa estão alterando a química da água do mar, tornando-a mais ácida.

Ainda assim, a pesquisa afirma que há tempo para reduzir os estragos, com a implantação de programas que limitem a exploração dos oceanos.

Os autores alegam que a limitação da industrialização dos oceanos em algumas regiões permitiria que espécies ameaçadas migrassem para outras partes ainda preservadas.

"Acredito que nosso melhor parceiro para salvar o oceano é ele próprio", afirma McCauley.


Fonte: Revista Info