Peixes comem plástico como adolescentes comem fast food, aponta estudo

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07/06/2016 

Filhotes tornam-se viciados em plástico no mar da mesma forma que adolescentes em fast food, afirmam pesquisadores suecos. 

Filhote de peixe donzela que ingeriu microplásticos. Crédito: Oona Lonnstedt
Filhote de peixe donzela que ingeriu microplásticos. Crédito: Oona Lonnstedt

Publicado na revista Science, o estudo descobriu que a exposição a grandes níveis de poliestireno - polímero pertencente ao grupo dos plásticos cuja característica é a sua moldabilidade - faz com que o peixe prefira estas partículas do que alimentos naturais e mais saudáveis.

Como resultado desta exposição ao plástico, os peixes tornam-se mais frágeis, lentos e suscetíveis de serem atacados por predadores. Um outro estudo, feito por pesquisadores americanos e publicado pela mesma revista, estima que cerca de 8 milhões de toneladas de plástico sejam introduzidas, por ano, nos oceanos.

Areia repleta de microplástico na praia do Gonzaga, em Santos. Crédito: William R. Schepis/Instituto EcoFaxina
Areia repleta de microplástico na praia do Gonzaga, em Santos.

Quando exposto à radiação ultra violeta e também devido ao movimento das ondas, estes plásticos dividem-se em pequenas partículas com menos de cinco milímetros, tornando-se microplásticos. Os pesquisadores mostram-se preocupados com esta situação, já que estes minúsculos fragmentos se instalam nas vísceras dos peixes.

Filhotes de perca preferiram plástico à alimentos durante estudo. Crédito: Oona Lonnstedt
Filhotes de perca preferiram plástico à alimentos durante estudo. Crédito: Oona Lonnstedt

Para conhecerem os impacto causados pelo plástico nos peixes jovens, os pesquisadores expuseram, em tanques, larvas de peixes com e sem concentrações de poliestireno. Nos tanques sem poliestireno, 96% das larvas tiveram sucesso enquanto que nos tanques com poliestireno, a percentagem diminuiu para 81%.

"Todos eles tinham acesso ao plâncton mas decidiram comer apenas o plástico. O plástico parece ter um componente químico que desencadeia uma resposta alimentar para os peixes", afirma a pesquisadora da Universidade de Uppsala, Oona Lonnstedt, em declarações à estação britânica BBC.

"Penso nisto como os adolescentes que preferem fast-food, uma comida menos saudável, apenas para se encherem", diz Lonnstedt.

Os pesquisadores dizem que está ocorrendo um declínio nas espécies de peixes e que este impacto pode ter, consequentemente, efeitos profundos sobre os ecossistemas.

      Fonte: BBC