Instituto EcoFaxina e Greenpeace coletam 756 kg de lixo em manguezal de Santos

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13/03/2017 

A estimativa prevista era de mais de 1 tonelada de lixo, mas o volume de isopor coletado foi enorme, totalizando 141 sacos de 100 litros só desse material. Em seguida veio o plástico, com 57 sacos.

O sol forte e a alta temperatura não diminuiu o ritmo de trabalho dos voluntários.
O sol forte e a alta temperatura não diminuiu o ritmo de trabalho dos voluntários. 

Plástico: 318 kg; isopor: 243 kg; borracha 108 kg; vidro: 26 kg; tecido: 15 kg; eletroeletrônicos: 29 kg; outros: 17 kg, totalizando 756 kg de lixo recolhidos. Este foi o resultado da 81ª Ação Voluntária do Instituto EcoFaxina, realizada no último domingo (12/3) no mangue da Zona Noroeste de Santos, e que contou com a força dos voluntários do Greenpeace de São Paulo.

Guerreiros, voluntários posam para a foto da ação contentes pelo trabalho realizado.
Guerreiros, voluntários posam para a foto da ação contentes pelo trabalho realizado.

Abraçando a causa, a ação contou com a presença de 57 voluntários, sendo 28 do Instituto EcoFaxina e 29 do Greenpeace, que se mostraram bastante sensibilizados com a situação do mangue no estuário de Santos. “É um absurdo que as empresas não se responsabilizem pelo lixo que elas produzem”, comentou a voluntária Luana Machado, voluntária do Greenpeace.

No manguezal, a biodiversidade vem sendo substituída pelo plástico. Inúmeras empresas tem suas marcas em embalagens de produtos poluindo ecossistemas costeiros e marinhos da região.
No manguezal, a biodiversidade vem sendo substituída pelo plástico. Inúmeras empresas tem suas marcas em embalagens de produtos poluindo ecossistemas costeiros e marinhos da região.

Além da enorme quantidade de isopor, outros materiais como o plástico, a borracha e o vidro também se acumulam em grandes quantidades, só de chinelos havaianas foram mais de 50 coletados. Embalagens alimentícias, de higiene pessoal, cosméticos, utensílios domésticos, brinquedos, lubrificantes de motores, fármacos, televisores, lâmpadas, pneus e muitos outros tipos resíduos que estavam expostos a céu aberto, podendo ser levados para o mar pela maré, onde diversas espécies de animais podem ingerir o plástico e acabar morrendo, poluir as praias, ou então se transformar em criadouros do mosquito Aedes aegypti. Sem falar nos caibros, tábuas e madeirites utilizados nas palafitas, não coletados por se degradarem rapidamente na natureza.

A educação ambiental é importante, mas se torna ineficaz quando falta política pública habitacional acompanhada por ações de recuperação e preservação ambiental.
A educação ambiental é importante, mas se torna ineficaz quando falta política pública habitacional acompanhada por ações de recuperação e preservação ambiental.

Esta é a quarta vez que as duas entidades unem forças contra a poluição no estuário de Santos e a que envolveu o maior número de voluntários. “Foi um evento muito bonito e importante. A equipe estava muito animada e coletou rapidamente os muitos resíduos, sobretudo isopor e plástico", ressalta o presidente do Instituto EcoFaxina, William Rodriguez Schepis. "Os duzentos sacos de lixo que levamos não foram suficientes para o "apetite" do grupo e acabaram em duas horas de coleta. Na próxima ação que houver no mangue com esse número de voluntários, com essa determinação, providenciaremos uns quinhentos sacos”, completa.

Voluntário carrega sacos com isopor e plástico. Ao fundo, uma favela de palafitas.
Voluntário carrega sacos com isopor e plástico. Ao fundo, uma favela de palafitas.

Os voluntários que participaram pela primeira vez de uma Ação Voluntária EcoFaxina puderam entender melhor as principais causas da poluição marinha em nossa região: falta de moradia, saneamento básico e recuperação das áreas degradadas de mangue como ferramenta de congelamento das favelas, ação que integra o projeto Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos, que tramita em processo na Semam de Santos para a celebração de um termo de cooperação técnica entre o Instituto EcoFaxina e a Prefeitura de Santos.

O lixo das palafitas transformou o estuário de Santos em uma enorme sopa de plástico.
O lixo das palafitas transformou o estuário de Santos em uma enorme sopa de plástico.

O Instituto EcoFaxina atua desde 2008 com foco no desenvolvimento e apoio a políticas públicas, pesquisas, programas e ações voltadas à proteção do Meio Ambiente e ao Desenvolvimento Sustentável. Um de seus principais objetivos para 2017 é implantar o projeto “Sistema Ambiental de Coleta de Resíduos” no Estuário de Santos com o objetivo de recuperar áreas degradadas de mangue gerando renda para jovens e mulheres que habitam palafitas através da reciclagem do plástico, e assim diminuir o aporte de plástico para o oceano. Para saber mais sobre esse projeto e conhecer o trabalho do Instituto, acesse http://www.institutoecofaxina.org.br.

Dados da ação

- 81ª Ação Voluntária EcoFaxina
- Ecossistema: Manguezal
- Voluntários: 57
- Materiais coletados: Plástico - 318 kg; Isopor - 243 kg; Borracha - 108 kg; Vidro - 26 kg; Tecido - 15 kg; Eletroeletrônicos - 29 kg; Outros - 17 kg. TOTAL 756 kg.
- Organização: Instituto EcoFaxina.
- Apoio: Unopar - Polos Santos e São Vicente, Greenpeace, Juicy Santos e Terracom Engenharia.